Maioria das organizações não está estruturada para tirar pleno partido da IA
A adoção da IA está a acelerar, mas o seu impacto não depende apenas das competências individuais. O principal fator limitador passou a ser o desenho organizacional, e não o talento. As Frontier Firms, que estão a repensar a forma como o trabalho é estruturado, já estão a ganhar vantagem.
Estas são as principais conclusões do Work Trend Index 2026, divulgado esta terça-feira, 5 de maio, pela Microsoft.
“À medida que a IA passa a assumir mais tarefas de execução, os trabalhadores estão, na verdade, a ganhar maior controlo sobre a tomada de decisão, a criatividade e os resultados. O desafio é que a maioria das organizações ainda não está estruturada para tirar pleno partido desta evolução”, pode ler-se nas conclusões.
A Microsoft analisou triliões de sinais de produtividade anonimizados do Microsoft 365 e realizou um inquérito a 20.000 trabalhadores que utilizam IA em 10 países, tendo consultado também com especialistas de referência em IA, trabalho e psicologia organizacional para interpretar os dados e compreender para onde esta evolução nos está a levar.
Uma análise a 100.000 interações no Microsoft 365 Copilot mostra que 49% das conversas estão associadas a trabalho cognitivo, como análise de informação, resolução de problemas, avaliação e pensamento criativo. E que 58% dos utilizadores de IA afirmam estar hoje a produzir trabalho que não conseguiriam realizar há um ano, uma percentagem que sobe para 80% entre os Frontier Professionals.
Quando questionados sobre quais as competências humanas mais importantes à medida que a IA assume mais trabalho, os utilizadores identificam duas como prioritárias: o controlo de qualidade dos outputs da IA (50%) e o pensamento crítico, isto é, a capacidade de analisar informação de forma objetiva e tomar decisões fundamentadas (46%).
Os fatores organizacionais, como cultura, apoio da liderança e práticas de gestão do talento, representam mais do dobro do impacto da IA quando comparados com fatores individuais, como mentalidade ou comportamento (67% vs. 32%). De acordo com a Microsoft, isto significa que a questão central “já não é saber se as pessoas têm as competências certas, mas se a organização criou a cultura, os modelos de gestão e os sistemas de talento que incentivam e sustentam novas formas de trabalhar”.
É justamente entre a pressão para executar e a necessidade de transformar que está a surgir um ponto de tensão: 65% dos utilizadores de IA receiam ficar para trás se não adotarem IA rapidamente, mas 45% admitem que é mais seguro manter o foco nos objetivos atuais do que redesenhar o trabalho. Apenas 13% sentem que são recompensados pela reinvenção.
Moral da história? As mesmas forças que aceleram a adoção da IA acabam também por a travar.
Ainda de acordo com o estudo, o número de agentes no ecossistema Microsoft 365 aumentou 15 vezes em termos anuais, e 18 vezes nas grandes organizações. As Frontier Firms que estão a ganhar vantagem não se limitam a adotar IA, estão a redesenhar a forma como o trabalho é realizado. O seu trabalho gera resultados e insights que são captados, partilhados e integrados no funcionamento da organização.
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