Presidente da EDP “totalmente tranquilo” acerca de inquérito em Espanha e desvaloriza possível imposto sobre lucros excessivos
O presidente executivo (CEO) da EDP, Miguel Stilwell d’Andrade, disse esta quarta-feira estar “totalmente tranquilo”, após a abertura de um inquérito à empresa pela autoridade espanhola da concorrência por causa do apagão de 28 de abril de 2025.
“Acho que vão varrer tudo o que fossem potenciais casos nos últimos dois anos”, disse, em declarações à Lusa, apontando que a espanhola Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência (CNMC) está a “disparar dezenas e dezenas de processos a várias empresas no setor”.
“Nós estamos totalmente tranquilos relativamente a esse tema, mas teremos a oportunidade de discutir isso com as autoridades competentes”, destacou.
Fonte oficial da EDP já tinha confirmado à Lusa que a elétrica nacional recebeu a notificação da CNMC relativa à abertura de um processo sancionatório à central térmica de Soto de Ribera, mas adiantou que a empresa não associa a “proposta de processo ao incidente ocorrido a 28 de abril”, uma vez que “esta central nem sequer estava programada para funcionar à hora do apagão”.
No total, são já 63 os processos abertos pela CNMC que poderão resultar em sanções.
CEO da EDP desvaloriza possível imposto sobre lucros excessivos de empresas de energia
No dia em que apresentou resultados do primeiro trimestre, o CEO da EDP desvalorizou a eventual aplicação de um imposto sobre os lucros excessivos das empresas de energia, realçando que o setor não está a beneficiar com a subida dos preços da energia, devido à guerra no Irão.
“Relativamente ao setor elétrico, não vejo que haja lucros excessivos”, destacou, apontando que, no caso da Península Ibérica e do setor elétrico em Portugal, “isso é particularmente verdade”, indicou Miguel Stilwell d’Andrade, quando questionado pela Lusa sobre esta possibilidade.
“Como nós temos uma grande penetração de renováveis, o preço do gás nem nos impacta tanto. Portanto, acho que não há aqui esse efeito de subida de preço ou de algum tipo de lucro excessivo”, indicou, realçando ainda assim que “obviamente o Governo é soberano nessas coisas”.
O presidente executivo da EDP indicou que o conflito, tem “obviamente, o efeito de subir o preço do petróleo e do gás”, mas realçou que “a Península Ibérica, no mercado elétrico, não tem grande dependência do gás, felizmente”.
Segundo o CEO, os preços no primeiro trimestre, até baixaram, com os efeitos do mau tempo em Portugal.
“Foram quase metade dos do ano passado, o que só mostra que quando temos água, vento e sol, até somos relativamente imunes a esse tipo de volatilidade”, destacou.
Segundo o gestor, “há alguma preocupação com os impactos que isto possa ter a nível global, com inflação” ou subida das taxas de juros.
“Acho que estamos bem posicionados, acho que temos um balanço sólido”, indicou, salientando que acredita que seja possível “encarar esta crise com alguma tranquilidade”.
O gestor apontou uma redução de custos operacionais em cerca de 4%, mas com preços “bastante mais baixos”, assim como custos de serviço de sistema “muito mais altos”, devido, sobretudo, ao mau tempo que afetou o país em janeiro e fevereiro.
“Tivemos aqui também, como tivemos muita água e muito vento, houve mais volume, mas muito menos preço”, destacou.
“Acho que estamos bem posicionados para o resto do ano. Temos as barragens cheias, a armazenagem em máximos, acima de 90% no final do trimestre”, salientou, apontando ainda “o aumento da procura”.
“[A procura em] Portugal cresceu 4% e a média europeia foi de cerca de 1,2%”, indicou, apontando que isto acontece “na sequência de vários anos em que Portugal tem vindo a crescer na procura de eletricidade, muito impulsionado por a economia estar boa, a população a crescer, mais veículos elétricos”, disse.
“Achamos que isto vai continuar agora para os próximos tempos e achamos também que, em cima disto, depois os ‘data centers’ vão impulsionar bastante a procura”, destacou.
O CEO da EDP indicou ainda que é importante assegurar que se continua “a investir nas redes”, na geração “para fazer face a este aumento da procura que está prevista agora nos próximos tempos”.
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