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Douro fluvial em crescimento recorde pressiona infraestruturas e exige “Plano Nacional” até 2030

Douro fluvial em crescimento recorde pressiona infraestruturas e exige “Plano Nacional” até 2030

A Associação das Atividades Marítimo-Turísticas do Douro (AAMTD) veio defender a criação urgente de um Plano Estratégico Nacional para o turismo fluvial no Douro, num contexto de crescimento sustentado e de sinais crescentes de pressão sobre as infraestruturas da via navegável.
Com base em dados da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), o setor registou em 2025 um total de 1.388.646 passageiros, marcando o oitavo ano consecutivo de crescimento. O impacto económico é estimado entre 350 e 450 milhões de euros anuais, confirmando a importância do Douro como um dos principais motores do turismo no Norte do país.
Segundo a AAMTD, o sistema opera atualmente com 113 operadores, 252 embarcações, 16.974 eclusagens e mais de 31.500 escalas registadas em 2025. O setor sustenta ainda entre 6.000 e 8.000 postos de trabalho diretos e indiretos e continua a atrair fluxos significativos de turistas provenientes sobretudo dos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália — mercados considerados de longo curso e elevado valor económico.
Perante este cenário, a associação defende que o crescimento já não pode ocorrer de forma espontânea ou apenas reativa. Na sua primeira posição estratégica, a AAMTD propõe a criação de um Plano Estratégico Nacional para o Turismo Fluvial no Douro, com horizonte até 2030, envolvendo o Governo, a APDL, autarquias ribeirinhas e operadores privados.
A organização alerta que um setor com este peso económico e social não pode continuar a expandir-se sem enquadramento estratégico. O objetivo, sublinha, deverá passar por garantir sustentabilidade, competitividade internacional e capacidade de planeamento de longo prazo, numa altura em que o Douro compete diretamente com destinos como o Reno ou o Danúbio no mercado europeu de cruzeiros fluviais.
A segunda grande preocupação prende-se com o estado das infraestruturas críticas da via navegável. A AAMTD alerta para o risco de estrangulamento operacional, destacando o aumento das eclusagens em 2025 — mais 9% face ao ano anterior — e episódios de avarias registados em infraestruturas como Crestuma-Lever, Bagaúste e Carrapatelo.
Segundo a associação, estes sinais revelam que a capacidade atual das eclusas está próxima de um limite estrutural, o que poderá comprometer a continuidade do crescimento do setor. Nesse sentido, a AAMTD exige ao Estado português um plano urgente de investimento nas infraestruturas fluviais, de forma a evitar constrangimentos operacionais, perda de competitividade e impactos negativos na experiência turística.
A associação, que representa cerca de 33 operadores — entre os quais Douro Azul, CroisiEurope, Tomaz do Douro, Rota Ouro do Douro e Viking Cruises — afirma que reúne a esmagadora maioria dos mais de 1,3 milhões de passageiros registados em 2025. A AAMTD assume-se, assim, como interlocutor privilegiado do setor junto do Governo, do Turismo de Portugal, da APDL e das comunidades intermunicipais do Douro.
O perfil dos visitantes reforça, segundo a associação, a importância estratégica do destino: trata-se maioritariamente de turistas oriundos de mercados de longa distância, com elevada capacidade de despesa e forte procura por experiências turísticas diferenciadas.
A AAMTD antecipa ainda um crescimento contínuo até 2030, com aumento do número de operadores e da frota, defendendo que essa expansão deve ser acompanhada por critérios rigorosos de sustentabilidade ambiental, ordenamento do território e qualidade da experiência turística.
No encerramento da sua posição pública, a associação sublinha a necessidade de maior ambição política na gestão do Douro enquanto ativo económico e turístico estratégico.
“O Douro não é apenas um rio. É uma via navegável de classe mundial que gera 400 milhões de euros por ano e emprega diretamente oito mil pessoas. A AAMTD existe para garantir que este ativo seja gerido com a inteligência, a ambição e a seriedade que ele merece. E exigimos do Estado português que esteja à altura desta responsabilidade”, afirma Mário Ferreira, presidente da Direção.
 

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