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WRC: Thierry Neuville vence Rali de Portugal

WRC: Thierry Neuville vence Rali de Portugal

Thierry Neuville venceu o Vodafone Rally de Portugal de 2026 depois de uma reviravolta decisiva na penúltima especial, quando Sébastien Ogier, líder destacado à entrada para Vieira do Minho 2, sofreu um furo no pneu traseiro direito, parou para o trocar e caiu para sexto.
O belga da Hyundai herdou a liderança, resistiu na Power Stage de Fafe e fechou a prova com Oliver Solberg em segundo e Elfyn Evans em terceiro, num rali marcado por chuva, lama, mudanças brutais de aderência e uma classificação em constante mutação.
A prova teve vários líderes, oscilações profundas entre Toyota e Hyundai e uma reta final quase cinematográfica. Ogier parecia encaminhado para a oitava vitória em Portugal ao terminar sábado com 21,9 segundos de vantagem, mas o último dia mudou tudo: Neuville recuperou 8,3 segundos logo em Vieira do Minho 1, Ogier voltou a esticar para 17,3 em Fafe 1, e depois perdeu o rali num só momento em Vieira do Minho 2.
O que definiu esta prova
O Rally de Portugal foi moldado pela meteorologia. A sexta-feira teve pisos de terra solta e evolução por passagem, mas o sábado e o domingo trouxeram chuva, lama, sulcos, pedras expostas, troços com zonas secas e molhadas na mesma especial e diferenças de aderência quase impossíveis de prever. Isso ampliou o peso da escolha de pneus, das afinações e, sobretudo, da posição na estrada.
Toyota e Hyundai dividiram a iniciativa. A Toyota teve mais carros na luta e Ogier foi o piloto mais forte durante mais tempo, mas a Hyundai soube capitalizar os momentos-chave com Neuville e Fourmaux. A Ford, pelo contrário, viveu um rali de sobrevivência, salvo pelo triunfo de McErlean em Fafe e alguns picos de Sesks.
A Montanha-Russa Emocional de um rali Inesquecível
O rali desenrolou-se como um verdadeiro espetáculo de imprevisibilidade, com reviravoltas dramáticas que mantiveram pilotos e adeptos em suspense até aos momentos finais. Uma sucessão de incidentes e performances surpreendentes redefiniu a classificação por diversas vezes, culminando num desfecho emocionante.
O primeiro sinal de que este não seria um rali comum surgiu logo na PEC7. Um episódio insólito marcou esta especial quando Elfyn Evans se viu a apanhar um reboque no troço, levando à interrupção definitiva da prova após a entrada de outro veículo em pista, num cenário que sublinhou a natureza imprevisível da competição.
Pouco depois, na PEC8 – Góis, o drama intensificou-se. Fourmaux saiu de estrada, furando os dois pneus do lado direito do seu carro. Este contratempo custou-lhe a liderança, que passou para as mãos de Ogier, que a partir desse momento parecia controlar a prova com mestria.
No entanto, a calma era apenas aparente. A PEC14 – Paredes 1 trouxe uma reviravolta inesperada. Sob uma chuva intensa, Solberg protagonizou uma exibição notável, batendo Ogier por uns impressionantes 19,1 segundos. Esta performance espetacular virou a classificação de pernas para o ar, colocando Solberg na liderança da geral e reacendendo a luta pela vitória.
A resposta de Ogier não se fez esperar. Na PEC15 – Felgueiras 2, o francês demonstrou a sua resiliência e velocidade, vencendo a especial por uma margem mínima de 0,1 segundos sobre Pajari. Esta vitória crucial permitiu-lhe recuperar de imediato a liderança do rali, provando que não seria fácil destroná-lo.
O golpe de autor de Ogier viria na PEC17 – Amarante 2. Ali, o piloto assinou o tempo mais forte do fim de semana, ganhando 11,2 segundos a toda a concorrência. Com esta performance dominante, Ogier fechou o sábado com uma vantagem confortável, parecendo ter consolidado a sua posição rumo à vitória.
Mas o destino tinha outros planos. A PEC22 – Vieira do Minho 2 revelou-se o momento decisivo e mais dramático do rali. Ogier, que parecia ter a vitória na mão, sofreu um furo que lhe custou cerca de 1 minuto e 25 segundos. Este infortúnio atirou-o para o sexto lugar da classificação geral, entregando a liderança e, consequentemente, a vitória a Neuville, que passou a comandar a prova com 14,8 segundos de vantagem antes da Power Stage final.
Este rali ficará certamente na memória pela intensidade do drama e pelas constantes mudanças de cenário, culminando num desfecho que poucos poderiam ter previsto.

1º – Thierry Neuville / Martijn Wydaeghe – Hyundai i20 N Rally1
Neuville começou mal a prova, com um pequeno erro logo na abertura, mas manteve-se sempre próximo da frente e foi crescendo à medida que as condições se tornavam mais complexas. Terminou sexta a 3,7 segundos de Ogier, fechou sábado em segundo a 21,9 e reentrou na discussão no domingo ao recuperar 8,3 segundos em Vieira do Minho 1, antes de herdar a liderança após o furo de Ogier em SS22. A sua gestão foi decisiva: venceu a SS6, aproximou-se quando o piso e a meteorologia o favoreceram, e em SS22 fez 14:52,9 para saltar para a frente com 14,8 segundos de margem. Venceu o Rali de Portugal pela segunda vez (2018), não foi o mais rápido na estrada, mas o destino compensou-o do drama da Croácia, quando perdeu uma vitória quase certa. Nesse dia saiu-lhe a fava, agora o brinde…
2º – Oliver Solberg / Elliott Edmondson – Toyota GR Yaris Rally1
Oliver Solberg foi um dos protagonistas absolutos do rali. Liderou no final do primeiro dia, venceu especiais importantes como SS2, SS13 e a superespecial de Lousada, e assinou a maior reviravolta de sábado de manhã ao bater Ogier por 19,1 segundos em Paredes 1 e assumir o comando da geral. Perdeu depois essa liderança em Felgueiras 2, furou em Cabeceiras 2 e caiu de segundo para quinto, mas recuperou de novo no domingo e aproveitou os problemas de Pajari e Ogier para subir a segundo no final.
3º – Elfyn Evans / Scott Martin – Toyota GR Yaris Rally1
Evans fez um rali condicionado pela ingrata missão de abrir a estrada durante boa parte da prova. Ainda assim, resistiu sempre perto dos lugares cimeiros, venceu Vieira do Minho 1 com 14:12,0 e manteve-se na luta pelo pódio até ao fim. No domingo, ganhou tempo a Solberg em Fafe 1 e beneficiou do colapso de Pajari e do atraso de Ogier em SS22 para terminar no top 3, depois de uma prova muito sólida em gestão e consistência. Pontuou bem na PowerStage e no Super Domingo, e destaca-se mais na liderança do campeonato.
4º – Adrien Fourmaux / Alexandre Coria – Hyundai i20 N Rally1
Fourmaux foi o primeiro líder do rali ao vencer a SS1 e voltou a assumir o comando na sexta-feira de manhã, mostrando que a Hyundai tinha andamento para discutir a vitória. O momento crítico chegou em Góis, quando saiu de estrada e furou os dois pneus do lado direito, perdendo 29,3 segundos e a liderança. Nunca mais regressou à luta pelo triunfo, mas reagiu com ritmo puro, venceu SS12, SS16 e SS22, e subiu a quarto da geral na penúltima especial, beneficiando também do furo de Pajari. Venceu a PowerStage, teria lutado pelo pódio, sem o furo, mas nos ralis não há ‘ses’…
5º – Takamoto Katsuta / Aaron Johnston – Toyota GR Yaris Rally1
Katsuta nunca esteve verdadeiramente na luta pela vitória, nem de perto, mas foi um dos mais estáveis da Toyota no segundo plano da geral. Teve bons registos em troços onde a leitura da aderência foi decisiva, como Cabeceiras 1, e foi progredindo com constância. Subiu posições à medida que outros falhavam, ainda ameaçou Fourmaux em alguns momentos de sábado e acabou por beneficiar do colapso de Ogier para entrar no top 5.
6º – Sébastien Ogier / Vincent Landais – Toyota GR Yaris Rally1
Sébastien Ogier foi, durante largos trechos do rali, claramente o homem mais forte, especialmente quando reagia a quem lhe ganhou tempo. Recuperou de um arranque discreto, venceu Arganil 2, Góis, Candosa-Lousã 2, Paredes 2, consolidou-se no topo em Amarante 2 e fechou sábado com 21,9 segundos de vantagem. Parecia ter a prova controlada, apesar do ataque de Neuville em SS20 e da lama de Fafe 1, mas tudo caiu por terra em Vieira do Minho 2: furo traseiro direito, troca de roda em prova, 1m25s perdidos e queda para sexto. Foi o momento definidor do rali.
7º – Sami Pajari / Marko Salminen – Toyota GR Yaris Rally1
Sami Pajari voltou a mostrar maturidade e velocidade em terra portuguesa. Venceu Felgueiras 1 e Arganil 1, subiu ao segundo lugar da geral, andou muito tempo metido na luta pelo pódio e chegou a sábado à noite ainda a apenas 25,8 segundos da liderança. No domingo, porém, o rali fugiu-lhe das mãos: queixou-se de um problema por revelar em Vieira do Minho 1, manteve-se em contenção em Fafe 1 e depois furou logo aos 3,2 km de Vieira do Minho 2, perdendo 1m50s e caindo do terceiro para fora da luta pelo pódio. Está consistentemente a crescer, e só não volta a terminar no pódio devido ao azar que teve, pois em termos de andamento, fez por isso…
8º – Dani Sordo / Cándido Carrera – Hyundai i20 N Rally1
Dani Sordo viveu um rali muito irregular, quase sempre à procura de sensações e tração. Teve bons lampejos, poucos, sobretudo em troços mais específicos, mas acumulou queixas sobre pneus duros, falta de confiança, pedras expostas e um carro demasiado baixo para certas condições. No sábado descreveu o dia como um dos piores de que se lembrava ao volante, e esse retrato explica a forma como foi ficando afastado da luta principal. Ainda assim, somou quilómetros e levou o Hyundai ao oitavo posto final. Esperava-se muito mais da sua prestação, mas começou a queixar-se quase desde o início e foi afundando na classificação.
9º – Mārtiņš Sesks / Renārs Francis – Ford Puma Rally1
Martins Sesks começou abaixo do esperado, em dificuldades com a afinação e longe do ritmo dos melhores. Ainda assim, foi melhorando à medida que o rali endurecia e teve intervenções de relevo, como o segundo lugar em Amarante 2 e tempos competitivos em especiais de sábado e domingo. Sofreu com furos, água acumulada e falta de confiança inicial, mas acabou por salvar um nono lugar que vale mais pelo crescimento ao longo da prova do que pela classificação final em si. Para a sua experiência, ralis que mudam muito de características durante a prova ainda são complicados.
18º – Joshua McErlean / Eoin Treacy – Ford Puma Rally1
Josh McErlean teve um rali acidentado, mas também assinou um dos momentos mais simbólicos do fim de semana ao vencer Fafe 1 com 7:19,8, tornando-se o primeiro irlandês a ganhar uma especial do WRC desde Craig Breen em 2023. Antes disso, somou atrasos, uma penalização de 50 segundos por atraso na assistência, piões, saídas de estrada e um acidente em Lousada que danificou a suspensão dianteira direita. Regressou no domingo, ainda ‘conseguiu’ furar na PowerStage, mas resistiu às especiais mais difíceis e terminou longe da frente, mas com um marco pessoal relevante.
NT – Jon Armstrong / Shane Byrne – Ford Puma Rally1
Jon Armstrong começou o rali com estratégia conservadora de pneus, mas a sua prova ficou rapidamente condicionada por problemas na direção assistida, que obrigaram o copiloto a ajudar nas manobras de travão de mão.
Ainda assim, sobreviveu a várias especiais, chegou a ser competitivo em Paredes 1 e andou em modo de resistência até capotar logo aos 600 metros de Felgueiras 2. A dupla saiu ilesa, mas ficou fora de um rali muito duro para a M-Sport.

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