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CGD, BCP, Santander, BPI e Montepio acumulam lucros de 1,3 mil milhões no trimestre a crescerem 3,9%

CGD, BCP, Santander, BPI e Montepio acumulam lucros de 1,3 mil milhões no trimestre a crescerem 3,9%

Seis dos sete principais bancos portugueses apresentaram lucros agregados de cerca de 1.303 milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, num período marcado por elevada rentabilidade, controlo rigoroso do risco de crédito e alguma pressão sobre a margem financeira, compensada pelo crescimento da atividade comercial. Os resultados destes seis bancos superaram em 3,9% os registados no mesmo período de 2025. Ainda assim, nem todos cresceram ao mesmo ritmo.
A análise do desempenho mostra que o setor bancário português continua sólido, com lucros elevados, boa capitalização e baixos níveis de risco de crédito. A pressão sobre a margem financeira marcou o trimestre, mas foi, em geral, compensada pelo crescimento da atividade e das comissões. A maioria dos bancos registou alguma quebra na receita da margem financeira, refletindo o impacto das taxas de juro, mas conseguiu compensá-la com o aumento das comissões.
No conjunto, a CGD continua a privilegiar a estabilidade e a solidez em detrimento do crescimento dos lucros, enquanto o BCP se afirma como o banco mais dinâmico do setor. O Santander mantém elevados níveis de rentabilidade e eficiência, e o Novobanco prossegue a consolidação da sua recuperação.
O BPI apresentou um desempenho intermédio, sem grandes destaques positivos. Já o Banco Montepio continua a ser a instituição com maior margem de melhoria, tanto em termos de rentabilidade como de eficiência operacional.
Os analistas esperam que a tendência de crescimento moderado da economia portuguesa e a evolução das taxas de juro continuem a condicionar os resultados ao longo de 2026.
BCP lidera ranking
O BCP surge como o banco mais dinâmico neste trimestre. A instituição liderada por Miguel Maya foi a que mais aumentou o produto bancário (+8,1%, para 983 milhões de euros), beneficiando de um bom desempenho tanto da margem financeira (+2,4%) como das comissões (+8,2%).
Em sentido contrário, o Grupo CGD viu o produto bancário recuar 5,1%. A margem financeira caiu 3,1%, enquanto a receita de comissões cresceu 3,8%. Na apresentação de resultados, a administração sublinhou que “a Caixa mantém uma política de manter o preçário inalterável”, estando já no quarto ano consecutivo com esta estratégia.
A Caixa Geral de Depósitos continua a liderar em volume de lucros, mas com crescimento muito moderado: os resultados líquidos do grupo aumentaram apenas 1,1% num ano e, na atividade doméstica, houve mesmo uma queda de cerca de 2%.
Já o BCP destacou-se pelo forte crescimento dos lucros (+25,6%), refletindo uma dinâmica operacional robusta, tanto no resultado consolidado como na atividade doméstica. Em Portugal, o resultado da atividade fixou-se em 265,4 milhões de euros, mais 21,2% do que em março do ano anterior.
O Novobanco também registou um crescimento sólido (+13,2%).
No extremo oposto, o Santander Totta apresentou uma quebra de 9,8% nos lucros, o maior recuo entre os grandes bancos. O BPI registou uma descida ligeira de 2%.
O Banco Montepio teve o desempenho mais fraco. Os lucros de 23,6 milhões de euros representam uma queda de 30,9% face ao primeiro trimestre de 2025, sendo o único banco a registar uma contração tão acentuada. A instituição explicou que a descida reflete “a normalização do custo do risco após uma reversão extraordinária de imparidades de crédito registada no primeiro trimestre de 2025, no montante de 12,3 milhões de euros, mantendo-se em 2026 um nível de imparidades historicamente baixo”.
Em síntese, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) manteve a liderança em volume de resultados, com um lucro de 397 milhões de euros, embora com um crescimento modesto (+1,1% face ao primeiro trimestre de 2025). O Banco Comercial Português (BCP) destacou-se ao alcançar 305,8 milhões de euros de lucro, um aumento de 25,6%, o maior entre os grandes bancos.
O Santander Totta obteve 242,4 milhões de euros (-9,8%), seguido pelo Novobanco, com 200,7 milhões (+13,2%). O BPI registou 133,3 milhões (-2%) e o Banco Montepio fechou o trimestre com 23,6 milhões de euros (-30,9%).
O Crédito Agrícola ainda não apresentou as contas do primeiro trimestre.
Rentabilidade dá troféu ao Santander Totta
O melhor indicador da performance financeira é a rentabilidade medida pelo ROE (retorno dos capitais próprios) ou pelo RoTE (retorno dos capitais próprios tangíveis). Aqui lidera o Santander Totta com um RoTE de 31,4%. O banco liderado por Isabel Guerreiro continua a ser o que tem melhor rácio de eficiência.
A CGD apresentou um ROE de 22%, enquanto o BCP melhorou o seu ROTE para 16,6% (mais 3,9 pontos percentuais face ao 1.º trimestre de 2025). O BCP ainda fica atrás dos líderes com um ROE de 15,9% (RoTE de 16,6%).
O Novobanco atingiu 19,9% e o BPI 15,3%. A rentabilidade do Banco Montepio é a mais fraca do grupo com um ROE de apenas 5,4% (os outros estão todos acima de 15%). É uma rentabilidade claramente insuficiente.
Conta de resultados em detalhe
Em termos de receitas — produto bancário, que inclui margem financeira e comissões — a CGD apresentou a pior evolução, com uma queda de 5,1%, penalizada pela descida de 3,1% da margem financeira. Foi o banco mais afetado pela compressão das margens. A receita de comissões cresceu 3,8%. Na apresentação a administração do banco sublinhou que “a Caixa mantém uma política de manter o preçário inalterável. Já estamos no quarto ano consecutivo com esta política”.
Ainda assim, foi o único grupo bancário da comparação a conseguir reduzir custos operacionais (-0,4%), o que contribuiu para um rácio de eficiência de 38,5%.
O Santander Totta também revelou pressão sobre a atividade: a margem financeira caiu 3,5%, levando o produto bancário a recuar 1,1%.
O BPI registou estagnação no produto bancário, num trimestre em que a margem financeira caiu 2% e apesar do aumento de 4% nas comissões.
O Banco Montepio destacou-se positivamente nesta área, com um crescimento de 4,4% do produto bancário, apesar da queda de 1,6% na margem financeira, compensada pelo aumento de 3,4% das comissões.
Os custos operacionais aumentaram em quase todos os bancos. O BCP registou a maior subida (+4,5%), seguido do Novobanco (+4,2%), do BPI (+4%) e do Banco Montepio (+2,3%).
O Santander Totta apresenta o melhor rácio de eficiência (28,4%), seguido pelo BCP e pelo Novobanco, ambos próximos dos 36%. A CGD e o BPI situam-se em torno dos 38%.
O Banco Montepio continua a apresentar o pior nível de eficiência operacional do setor, com um rácio cost-to-income de 61%, muito acima dos restantes bancos, que oscilam entre 28,4% e 38,5%. O banco da Associação Mutualista continua a revelar dificuldades em controlar os custos face ao rendimento gerado.
Crescimento do crédito ajuda contas
A CGD é o segundo maior banco em stock de crédito, com 60,8 mil milhões de euros, atrás do Grupo BCP, que reportou 63,4 mil milhões. Ainda assim, foi a instituição com o menor crescimento anual da carteira de crédito ao subir apenas +3,3%.
Os restantes bancos cresceram mais. O Santander (+10,8%), o Novobanco (+8,7%), o Banco Montepio (+8,5%), o BPI (+8%) e o BCP (+7,2%).
O crescimento do crédito foi impulsionado sobretudo pelo crédito à habitação, beneficiando da garantia estatal destinada a jovens até aos 35 anos para aquisição de habitação própria e permanente.
No BPI esse segmento foi notório. O banco registou um crescimento de 8% do crédito em termos homólogos, com a carteira de empréstimos a atingir os 33,8 mil milhões de euros. Dos quais 17,5 mil milhões respeita a crédito à habitação, mais 11% — é o segmento que mais cresce e muito por conta da linha de garantia pública para os jovens, onde o banco tem sido um dos líderes na sua execução com 1,3 mil milhões de crédito atribuído a mais de 6,6 mil jovens.
Os depósitos também cresceram em todos os bancos, com destaque para o Novobanco e o BCP.
Nos depósitos, o BCP mantém igualmente a liderança do stock, com 90,7 mil milhões de euros — incluindo operações internacionais — enquanto a CGD reportou 89,5 mil milhões, e com um crescimento de apenas +1,1%.
Em termos de crescimento anual dos depósitos, lidera o Novobanco, com uma subida de 10,7%, para 33,2 mil milhões de euros. Seguem-se o BCP (+6,6%) e o Santander (+5,8% para cerca de 40,1 mil milhões). Os restantes bancos registaram crescimentos mais modestos. O BPI reportou um aumento de apenas 2%, enquanto o Banco Montepio cresceu 1,4%.
Quanto à qualidade da carteira de crédito, todos os bancos apresentam rácios de malparado controlados, abaixo de 3% na maioria dos casos. Ainda assim, Novobanco e BCP registam os valores mais elevados. O rácio de Non Performing Exposure (NPE), segundo os critérios da EBA, ascende a 2,9% no Novobanco e a 2,3% no BCP, embora neste último o NPE de crédito seja de 1,4%. Nos restantes bancos, os rácios variam entre 1,3% e 1,6%.
O custo do risco permanece baixo em todo o setor. A CGD destacou-se novamente, ao reportar um custo do risco negativo de -0,29%. O Novobanco também reportou um custo do risco de crédito negativo de -0,03%. O pior aqui é o BCP que tem o custo do risco mais alto (+0,35%), entanto no BPI e Santander é de apenas 0,07%.
No Banco Montepio, o custo do risco de crédito foi nulo no trimestre, em linha com o observado em 2025.
Capitalização é boa em todos
Do ponto de vista da solidez financeira, a CGD continua a destacar-se, com um rácio CET1 fully loaded de 21,2%, refletindo uma confortável folga patrimonial. Todos os bancos apresentam níveis de capital robustos.
Apesar desta forte capitalização, a Caixa parece sacrificar crescimento e dinamismo comercial em troca de maior segurança.
Entre os restantes bancos, o Novobanco apresenta o segundo melhor rácio CET1, com 19,2%. Seguem-se o Montepio (16%), o Santander Totta (15,6%) e o BCP (15,1%). O BPI apresenta o rácio mais baixo, com 13,8%.

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