Reforma laboral: UGT lamenta declarações públicas de “responsáveis políticos e parceiros sociais”
A UGT emitiu esta segunda-feira um comunicado no qual sublinha a “importância da Concertação Social enquanto espaço de construção de consensos”, isto depois de várias declarações de “responsáveis políticos e parceiros sociais nos últimos dias” que ameaçam minar o espírito construtivo das reuniões.
Após o impasse em torno das alterações ao código laboral ter acabado sem acordo, a união sindical vem agora a público reiterar a necessidade de se manter o respeito pelas opiniões e visões divergentes entre parceiros sociais, algo que, caso não se verifique, ameaça erodir a confiança no seio da Concertação.
“A UGT deve recordar que a Concertação Social, enquanto espaço de construção de consensos e compromissos, é fundada na diferença de quem representa interesses diversos, ainda que não necessariamente divergentes”, começa por referir o comunicado. Como tal, a central sindical afirma ter esperança de “que esse capital não seja desperdiçado ou fragilizado com ataques que apenas revelam a não aceitação da legítima diferença”.
O comunicado continua, lembrando que “o trabalho da Concertação Social não se esgota na legislação laboral” e com apelos para que se mantenha o foco “com o objetivo de encontrar soluções para os problemas reais do país”.
Recorde-se que o processo negocial com vista à reforma laboral durou mais de dez meses, mas nem por isso o Governo conseguiu ver aprovadas as alterações propostas, muito devido à oposição da UGT.
Perante isto, as críticas do Executivo não se fizeram demorar. Maria do Rosário Palma Ramalho, ministra do Trabalho, acusou a união sindical de ter sido “absolutamente intransigente” e se ter mostrado inflexível, ao recusar ceder apesar das “várias cedências” do lado do Governo, enquanto o ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, reforçou a ideia de “intransigência” da UGT.
Já os patrões deixaram também críticas, com Armindo Monteiro, presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, a argumentar que a postura da UGT sugere que “não querem nenhum acordo”.
O processo segue agora para o Parlamento, onde o Governo deverá apresentar a proposta já revista após meses de concertação social.
Share this content:

Publicar comentário