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Cotadas do PSI distribuíram aos acionistas 3,1 mil milhões em dividendos, mais 3,6% que no ano anterior

Cotadas do PSI distribuíram aos acionistas 3,1 mil milhões em dividendos, mais 3,6% que no ano anterior

O universo de 16 cotadas do PSI fechou 2025 com lucros de 5,5 mil milhões de euros, dividendos de 3,1 mil milhões de euros, capitalização bolsista de 81,6 mil milhões de euros e uma subida anual do índice de 29,6%. Os cálculos foram feitos pela associação de pequenos acionistas, Maxyield.
O valor em numerário e espécie dos dividendos relativos ao exercício de 2025, é de 3,1 mil milhões de euros, o que traduz uma subida de 3,6% e um novo máximo anual.  Estes dividendos correspondem a um payout de 57,5% tendo em conta que as cotadas que compõem o índice atingiram 5,5 mil milhões de euros de resultados líquidos, representando um acréscimo anual de 28,3% (ficando apenas ligeiramente abaixo do máximo histórico de 5,56 mil milhões atingido em 2023). “O payout médio do universo PSI situou-se em 57,5%, valor compatível com a forte geração de lucros e com políticas de distribuição mais generosas em várias cotadas”, defende a Maxyield que acrescenta que “a dividend yield média ponderada atinge o valor de 4%, que se destaca no contexto internacional”.
A remuneração acionista foi mesmo um dos grandes temas do ano e pode explicar que o PSI tenha valorizado 29,6% em 2025.
A análise permite ver que a tendência dominante foi de subida dos dividendos, com destaque para políticas já estabelecidas em grupos como EDP, Galp, REN e Sonae. “Algumas sociedades cotadas têm politicas de dividendos pré-definidas,  designadamente EDP, Galp, REN e Sonae”, refere a análise.
Destaque também para a crescente utilização de programas de share buyback como forma complementar de devolver valor aos acionistas, nomeadamente em empresas como Galp, CTT, EDP, BCP e Ibersol. As sociedades que praticam a recompra de ações, apresentam uma característica comum, que consiste em elevados níveis de free float associados à dispersão de capital, e pretendem premiar a fidelidade acionista, sendo em regra acompanhada de um aumento do dividendo ordinário (payout).
A Maxyield destaca ainda que todas as sociedades cotadas do PSI, tiveram resultados positivos em 2025, mas cinco baixaram o nível de lucros relativamente ao ano anterior. Sendo que apenas 2 sociedades diminuíram os dividendos (a Altri e a Navigator).
Por outro lado, três  sociedades mantêm o mesmo nível de dividendos do ano anterior envolvendo a Ibersol, a Semapa e a Teixeira Duarte que não paga dividendos.
A larga maioria das sociedades do PSI aumenta os dividendos relativos ao exercício de 2005, em linha com o aumento dos resultados.
A NOS e a Ibersol têm apresentado as taxas de dividend yield [rentabilidade dos dividendos de uma empresa em relação ao preço atual da sua ação] mais elevadas do mercado e verifica-se que a Ibersol e a Altri praticam um payout [percentagem do lucro líquido de uma empresa distribuída aos seus acionistas na forma de dividendos] superior a 100%.
Destaque para o BCP que alterou a politica de dividendos passando o pay out de 30% para 50%.
A política de dividendos do BCP para 2025-2028 foca-se na distribuição de 50% dos lucros anuais consolidados como dividendos ordinários, complementada por um programa de recompra de ações (share buyback) em até 40% adicionais dos lucros, dependendo do cumprimento de metas e da aprovação do regulador. Portanto, acima dos 25% que previa o plano anunciado em 2024. Na assembleia-geral realizada a 7 de maio, os acionistas aprovaram a proposta de aplicação dos resultados do exercício de 2025. A administração do banco propôs um aumento da remuneração acionista para 90% dos lucros.
O banco já definiu as datas e valores para o pagamento de dividendos relativos ao exercício de 2025. Em maio de 2026, o banco propôs um dividendo de 0,0344 euros por ação que vai ser distribuído em junho.
 

PSI encerra 2025 com lucros recorde. BCP, EDP e Galp lideram lucros
O universo empresarial do PSI fechou 2025 com um forte reforço dos resultados e da remuneração acionista, num ano marcado por um desempenho bolsista acima da média europeia. As 16 cotadas analisadas pela Maxyield somaram 5,5 mil milhões de euros em lucros, um aumento de 28,3% face ao ano anterior. Os lucros de 2025 ficam ligeiramente abaixo do máximo histórico de 5,6 mil milhões atingido em 2023
A Galp, a EDP e o BCP, atingiram  resultados líquidos superiores a mil milhões de euros cada, e estas três sociedades representam 61% do valor total dos lucros do universo empresarial PSI.
A retalhista Jerónimo Martins e a Sonae SGPS, ocupam respetivamente o 4º e 5º lugar do Top five dos lucros do universo PSI. Sendo que a Corticeira Amorim, a Altri, a Navigator e a Semapa apresentam taxas de redução dos lucros superiores a -20%.
A Galp, a EDP, a EDP Renováveis, a Ibersol e a Teixeira Duarte destacam-se com taxas de crescimento dos lucros superiores a 20%.
“A Galp apresenta os seus resultados através de dois métodos diferentes, envolvendo o RCA (replacement cost accounting) e as IFRS (normas internacionais de reporte financeiro), sendo que este incorpora a variação do preço do petróleo e gás e os efeitos do mercado de futuros destas comodities”, ressalva a Maxyield.
Por sua vez as restantes sociedades do PSI apresentam taxas de crescimento dos lucros no intervalo [4,5% – 12,5%].
A melhoria dos resultados foi acompanhada por uma subida da rentabilidade operacional. Os rendimentos operacionais do universo PSI ascenderam a 107 mil milhões de euros, mais 2,4% do que em 2024, e o EBITDA subiu 3,6%, para 20,1 mil milhões de euros, elevando a margem EBITDA de 18,6% para 18,8%.
Entre as cotadas, BCP, EDP e Galp voltaram a destacar-se como os maiores geradores de resultados, com lucros superiores a 1 mil milhão de euros cada, concentrando 61% do total do universo PSI. A Jerónimo Martins e a Sonae SGPS ocuparam o quarto e quinto lugares do ranking, num grupo onde todas as empresas apresentaram resultados positivos em 2025.
Nem todas escaparam a quebras. Cinco sociedades viram os lucros diminuir face a 2024 — Corticeira Amorim, Altri, NOS, Navigator e Semapa — e apenas duas reduziram os dividendos: Altri e Navigator.
Na vertente financeira, a dívida líquida total do universo caiu ligeiramente para 47,7 mil milhões de euros, com o rácio dívida líquida/EBITDA a baixar de 2,8 para 2,37. Ao mesmo tempo, o investimento operacional agregado recuou de 14,4 mil milhões para 11,7 mil milhões de euros, refletindo maior prudência no CAPEX (investimento) após vários anos de expansão.
O relatório assinala ainda que a concentração da dívida continua forte no setor energético, sobretudo na EDP e na EDP Renováveis, apesar da melhoria de vários indicadores de alavancagem ao longo do ano.
O Cash Flow Bruto de Exploração (resultados líquidos + amortizações + provisões + imparidades) atingiu 11,8 mil milhões de euros em 2025, ficando a um nível próximo do ano anterior.
A EDP, a sua subsidiária para as energias renováveis, a Galp, a Jerónimo Martins e a Sonae SGPS ocupam o top five no ranking do Cash Flow Bruto de Exploração.
Valorizações e fragilidades das cotadas que compõem a principal montra das maiores empresas cotadas na Euronext Lisbon
No mercado, o ano foi particularmente favorável ao BCP, à Mota-Engil, à Sonae e à Teixeira Duarte, que registou a maior valorização anual, de 705,1%. No lado oposto, Corticeira Amorim, Altri, Navigator e Galp foram as únicas cotadas com quedas em bolsa em 2025. “No PSI 12 títulos apresentam uma variação positiva e quatro sociedades sofreram quebras de valor”, segundo a análise.
As sociedades com variação anual positiva foram a Teixeira e Duarte (705,1%), o BCP (92,9%), a Sonae (76,4%), a Mota-Engil (69,8%), a Semapa (47,4%), a REN (41%), os CTT (37,6%), a Ibersol (32,4%), a EDP (26,7%), a NOS (20,6%), a EDP Renováveis (19,9%) e a Jerónimo Martins (9,8%). Já as quatro cotadas com quebra anual da cotação foram a Corticeira Amorim (-17,9%), a Altri (-15,6%) a Navigator (-12,5%) e a Galp (-8,3%).
O valor médio ponderado do PER é de 18,8 e sofreu um aumento considerável no decurso de 2025, tendo ultrapassado os principais índices europeus e asiáticos.
Com base na cotação média de 2025, o BCP, a Galp, a Mota-Engil, a NOS, a Teixeira Duarte e a Semapa apresentam um PER inferior a 10 anos. O alto valor médio do PER foi influenciado por situações extraordinárias nas Altri, EDP Renováveis e Ibersol.
O PER é a relação cotação média/ lucro por ação e quanto menor o PER maior a atratividade da ação. Embora este aspecto deva ser ponderada pelo setor de atividade.
Outra análise a destacar é que todas as empresas do universo empresarial PSI apresentam lucros por ação, mas cinco sofreram uma diminuição de valor relativamente a 2024, envolvendo a Corticeira Amorim, a Altri, a NOS, a Navigator e a Semapa.
Com excepção da EDP, da EDP Renováveis e da Ibersol todas as restantes sociedades do PSI aumentaram o capital próprio por ação.
No final de 2025, deixou de verificar-se a existência de sociedades com cotações abaixo do capital próprio / ação.
A situação da EDP e da Ibersol deve-se à prática de pay out superior a 100% enquanto que a EDP Renováveis é influenciada pela politica de dividendos em espécie na sequência de resultado negativo (2024).
PSI manteve em 2025 o seu bull market
O relatório sublinha também que o PSI entrou numa fase de crescimento bolsista com duração de seis anos, regressando a níveis não vistos há cerca de 16 anos.
A Maxyield destaca que “após ultrapassar a histórica periodicidade bianual de bear`s market ( 2012, 2014, 2016, 2018, 2020) e a intermitência anual de variações positivas e negativas, o PSI manteve em 2025 o seu bull market”.
Em bolsa, 2025 foi um ano excecional para o PSI, que avançou 29,6%, num registo descrito pela Maxyield o como um dos melhores do século, apenas superado por 2006. A valorização contrastou com o desempenho de vários mercados internacionais, embora tenha sido ultrapassada por Espanha, Itália e Coreia do Sul entre os grandes índices comparados.
O PSI Geral que engloba o PSI e 18 sociedades cotadas no chamado segundo mercado da bolsa portuguesa, constituído por small caps e baixo nível de free float, sofreu em 2024 uma diminuição anual acumulada de -12,4%, avança também a Maxyield.
O PSI representa 97,3% da capitalização bolsista do PSI Geral.
Quem tem mais peso na capitalização bolsista?
Antes de mais é importante destacar que a capitalização bolsista do PSI aumentou 23,6%, de 66 mil milhões para 81,6 mil milhões de euros, passando a representar 27,5% do PIB nominal estimado para 2025, contra 23,5% no final de 2024. O free float médio ponderado manteve-se praticamente estável, em 44,6% (44,8% no ano anterior).
Observou-se em 2025 um aumento do free float dos CTT, da NOS e da EDP Renováveis e uma redução na Altri e na Ibersol.
Por sua vez a Galp, os CTT, a EDP e o BCP apresentam um free float superior a 55%. Já o conjunto constituído pela Jerónimo Martins, REN, NOS, Navigator, Teixeira Duarte e Sonae SGPS apresentam um free float no intervalo [30% – 55%].
Relativamente ao peso no PSI, cuja quantificação é determinada pelo valor movimentado, é de destacar o aumento da participação relativa do universo EDP, Sonae SGPS, CTT e REN por contrapartida da diminuição da Galp, BCP, Navigator e Jerónimo Martins.
A Maxyield destaca o conjunto constituído pelo BCP, universo EDP, Galp e Jerónimo Martins (1/3 das sociedades do PSI) que no seu conjunto representam 61% do PSI e 80% da capitalização bolsista.
No lado oposto, encontra-se o setor industrial, constituído pela Altri, Navigator, Semapa, Mota-Engil, Corticeira Amorim (1/3 das sociedades do PSI) que representa 13% do PSI e 9% da capitalização bolsista.
O setor energético constituído pela EDP, EDP Renováveis e REN, representa 34,5% do PSI e 38% da capitalização bolsista.
As papeleiras Altri, Navigator e Semapa representam 10% do PSI e 7% da capitalização bolsista e as retalhistas Jerónimo Martins e Sonae SGPS representam 17% do PSI e 20% da capitalização bolsista, com peso determinante da dona do Pingo Doce.

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