Xi Jinping coloca Taiwan no centro da visita de Donald Trump
À chegada a Pequim para iniciar uma visita de três dias, o presidente dos Estados Unidos proferiu as suas tradicionais declarações de entusiamo – falou de relações fantásticas, na “maior cimeira de todos os tempos” e por aí – mas o anfitrião, o seu homólogo chinês Xi Jinping, optou por não perder tempo: explicou de imediato que a relação de cordialidade entre as duas nações está dependente da política norte-americana para Taiwan. O presidente chinês balizou assim o que pode o mundo esperar da visita, que é globalmente esperada como elemento promotor da resolução de uma série de conflitos mundiais, desde o comércio multilateral ao Estreito de Ormuz.
Xi Jinping disse ao presidente Donald Trump que as negociações comerciais estão a progredir favoravelmente – mantidas pelos seus serviços, à margem dos encontros entre ambos – mas alertou para que a discordância sobre Taiwan pode levar as relações a um caminho perigoso e até mesmo resultar em conflito. Declarações duras que os analistas não tinham antecipado – os chineses não costumam ser publicamente tão assertivos – e que servem de alerta para a comitiva norte-americana, cheia de empresários que são também clientes das fábricas de chips da ilha. Esta ‘entrada a pés juntos’, como se diria numa crónica futebolística, desbotou a pompa e circunstância que se espera ao longo da visita, mas teve o benefício de centrar o debate nos assuntos urgentes.
Depois de uma cerimónia que contou com uma guarda de honra e multidões de crianças acenando com flores e bandeiras no imponente Grande Salão do Povo, em Pequim, Trump teceu elogios a Xi Jinping enquanto iniciavam conversas que duraram mais de duas horas. “Você é um grande líder, às vezes as pessoas não gostam que eu diga isso, mas eu digo mesmo assim”, disse Trump, citado pela imprensa norte-americana. “Há quem diga que esta pode ser a maior cimeira de todos os tempos”, acrescentou.
Xi Jinping disse que as negociações entre as equipas económicas e comerciais dos dois países (que decorreram na Coreia do Sul), alcançaram “resultados equilibrados e positivos no geral”. As negociações visavam manter uma trégua comercial, que é frágil, firmada entre as duas maiores economias do mundo em outubro passado, e estabelecer mecanismos para apoiar o comércio e o investimento futuros.
Segundo comunicado oficial do governo chinês, o líder chinês disse a Trump que Taiwan é a questão mais importante que as duas partes enfrentavam e que, se mal administrada, poderia levar toda a relação entre os ambos para uma situação extremamente perigosa, causando um confronto ou mesmo um conflito entre os países. Do seu lado, Trump preferiu não responder, quando foi diretamente questionado sobre o assunto, dando indicações de que o tema é de facto difícil.
Ainda segundo o comunicado, os dois líderes concordaram em expandir a cooperação nas áreas do comércio e da agricultura e trocaram opiniões sobre as situações no Médio Oriente, na Ucrânia e na península coreana.
Da comitiva fazem parte Elon Musk e Jensen Huang, CEO da Nvidia, que se juntou à viagem à última hora e cuja empresa é um elemento-chave no que tem a ver com Taiwan e a sua poderosa TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company), que os Estados Unidos não gostam de ver produzir para clientes chineses.
Washington tenta vender aviões Boeing, produtos agrícolas e energia à China, na tentativa de reduzir um défice comercial que há muito incomoda Donald Trump, enquanto Pequim quer que os Estados Unidos aliviem as restrições às exportações de equipamentos para fabricação de chips e semicondutores avançados.
Além das questões comerciais, espera-se que Trump incentive a China a convencer o Irão a fechar um acordo com Washington para pôr fim ao conflito. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse à Fox News a bordo do Air Force One em viagem para Pequim que é do interesse da China ajudar a resolver a crise, já que muitos dos seus navios estão presos no Golfo e a desaceleração da economia global prejudicaria os exportadores chineses.
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