Serralves inaugura exposição “Vexation of Spirit – The Duerckheim Collection x Serralves”
A Fundação de Serralves inaugura, a partir de 15 de maio, a exposição “Vexation of Spirit – The Duerckheim Collection x Serralves” [Aflição de espírito. A Coleção Duerckheim x Serralves], uma mostra inédita em Portugal que reúne uma das mais relevantes coleções privadas de arte contemporânea da Europa. Patente no Museu de Arte Contemporânea de Serralves até 1 de novembro de 2026, a exposição apresenta cerca de 90 obras de 34 artistas internacionais, muitas das quais nunca foram exibidas publicamente.
A iniciativa conta com o mecenato do BPI e da Fundação “la Caixa” e insere-se no depósito de longo prazo da coleção em Serralves, formalizado em 2024, reforçando a projeção internacional da instituição portuguesa no panorama da arte contemporânea.
Com curadoria de Marta Moreira de Almeida, diretora-adjunta do museu, em colaboração com o colecionador alemão Christian Duerckheim, a exposição inclui nomes de destaque como Damien Hirst, Jake and Dinos Chapman, Hermann Nitsch e Darren Almond, a par de artistas como Georg Baselitz, Theaster Gates, Sam Taylor-Johnson e Anselm Kiefer. Entre as peças centrais encontra-se “Dat rosa mel apibus” (2010–11), de Kiefer, uma obra de grande escala que recria o Aeroporto de Tempelhof, em Berlim, agora integrada na coleção de Serralves após doação da família Duerckheim. Outro destaque é “Father (Divided)” (2011), de Damien Hirst, cuja instalação exigiu condições técnicas especiais.
A exposição integra ainda obras de artistas como Gilbert & George, Antony Gormley, Zhang Huan e Markus Lüpertz, bem como uma galeria com mais de 30 desenhos de mestres como Francisco Goya, Gerhard Richter e Sigmar Polke.
Reunida ao longo de quatro décadas, a Coleção Duerckheim centra-se em artistas que abordam questões éticas em contextos de instabilidade social e histórica. Estruturada em torno dos temas Sociedade, Guerra e Religião, a mostra propõe uma reflexão crítica sobre o modo como estas forças moldaram a história e continuam a influenciar o presente, frequentemente associadas a dinâmicas de poder e manipulação.
Focada sobretudo em obras produzidas entre a década de 1990 e o início dos anos 2000, a exposição também dialoga com desafios contemporâneos como a desinformação, o impacto das redes sociais, o crescimento do autoritarismo e as tensões geopolíticas. A proposta passa por questionar o que acontece quando o pensamento crítico é substituído pela adesão cega a ideologias e lideranças.
“Estamos muito satisfeitos por estabelecer parceria com a Fundação de Serralves (…) perante crises históricas e políticas cada vez mais intensas, estas obras poderão ajudar a fornecer uma orientação sobre os riscos e perigos que enfrentamos”, afirma Christian Duerckheim. Já Philippe Vergne, diretor do museu, sublinha que a exposição convida o público a refletir “sobre a urgência e complexidade da nossa História presente”.
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