Fundação Santander lança Carta pelo Futuro da Educação em Portugal
A Fundação Santander pôs o país a pensar o futuro da educação na era da Inteligência artificial (IA) ao longo de meses. Depois de ouvidas mais de três mil pessoas e realizadas várias iniciativas, o resultado foi apresentado esta quinta-feira: a Carta pelo Futuro da Educação, que qualquer cidadão pode subscrever.
“É um compromisso para agir por um futuro melhor”, afirmou Inês Rocha de Gouveia, presidente da Fundação Santander, ao apresentar o manifesto, no Técnico Innovation Center. Glosando os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas em que o ODS 4 é o da Educação de Qualidade: Assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, salientou: “Criámos 10 objetivos do desenvolvimento sustentável para entender o ODS 4”.
A Fundação Santander chama a si um papel na convocatória coletiva para “uma educação humanista, inclusiva, inteligente e transformadora – uma chamada coletiva para construir, em Portugal, o horizonte educativo das próximas décadas”. Um compromisso espelhado na “Carta pelo Futuro da Educação”.
O documento afirma uma visão coletiva para a educação em Portugal até 2050 e propõe uma direção comum para o desenvolvimento do sistema educativo, organizada em 10 compromissos estratégicos:
1. Aprendizagem Centrada na Pessoa
2. O Professor como Função Estratégica para o Futuro
3. Currículo Vivo e Competências para o Futuro
4. Bem-Estar, Inclusão e Desenvolvimento Integral
5. Escola Aberta, Comunidade Plural e Território Educador
6. Sustentabilidade, Resiliência e Literacia Climática
7. Um Novo Contrato Social para a Educação
8. Aprendizagem ao Longo da Vida e Novas Formas de Credenciação
9. Avaliação Autêntica e Respeitadora dos Ritmos de Aprendizagem
10. Demografia, Multiculturalidade e Equidade Territorial
A Carta conta com “contributos de toda a sociedade” e consubstancia planos de ação alinhados no tempo. Apesar do nome que assume – manifesto -“não é um documento político”, esclareceu Miguel Belo de Carvalho, presidente do Conselho de Curadores da Fundação Santander. Também “não é um documento fechado”, “sinaliza cenários”, “é uma chamada coletiva à ação”, salientou.
Paulo Soeiro de Carvalho, professor universitário especializado em Prospectiva e Estratégia das Organizações e rosto do The Long Game, parceiro do projeto, teve um papel relevante ao longo de todo o processo. Disse: “A Carta está ancorara em 10 constelações, tem 10 capítulos” – “é um ponto de partida para fazermos coisas em conjunto”. Reforçou: “Que seja mesmo o ponto de partida para que em conjunto possamos construir qualquer coisa”, deixando o apelo: “Junte-se a nós neste movimento!”
Em Portugal não temos o hábito de pensar o longo prazo, salientou Paulo Soeiro de Carvalho, acrescentando: “Porquê se o problema é o já próximo ano letivo!?…” O problema, concluiu, “é que se não olharmos nunca seremos capazes de passar à antecipação para a ação”.
O projeto Horizontes da Educação, da Fundação Santander arrancou em julho de 2024 e incluiu entrevistas, inquéritos, workshops presenciais na Universidade de Aveiro, onde nasceu o Radar Estratégico do Futuro da Educação, explorando tendências, forças de mudança e sinais emergentes que vão moldar o futuro, e na Católica-Lisbon, onde foram melhorados e afinados os cenários, como o Jornal Económico contou aos seus leitores: https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/imaginar-a-educacao-em-2050-e-os-caminhos-para-la-chegar/
“Falamos com três mil pessoas: professores, alunos, pais, empregadores, pedagogos, inovadores, poder local e central e todo o ecossistema da educação”, historiou Inês Rocha de Gouveia Santander.
O secretário de Estado Adjunto e da Educação destacou a importância do “envolvimento da sociedade civil” e “o pensar a longo prazo” do projeto, adiantando que no, âmbito da reforma do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, em curso, foi criada a Direção Geral de Estudos, Planeamento e Avaliação “com o objetivo muito próximo do que aqui está”.
“Estamos muito alinhados convosco”, afirmou Alexandre Homem Cristo, rematando: “O objetivo é ir construindo. A soma das construções vai levar-nos lá”.
A iniciativa, que esta quinta-feira inaugurou no Técnico Innovation Center, dedicada aos Horizontes da Educação tem a duração de dois dias, durante os quais podem conhecer-se novas formas de aprender e ensinar e refletir sobre temas como a tecnologia, a inteligência artificial, os modelos de aprendizagem, a desigualdade, as competências do futuro e o papel das escolas e das comunidades na educação das próximas gerações. E ver muita coisa à lente da Realidade Virtual.
O enunciado dos Horizontes da Educação quase cabe numa pergunta, que é tudo menos retórica: E se tivéssemos de reinventar a educação, não para ontem, mas para o mundo que se avizinha? Um mundo já na era da chamada inteligência artificial (IA), que a 25 anos de distância nos faz estremecer.
É a resposta à pergunta, em vários cenários, que está consubstanciado na Carta apresentada esta quinta-feira, 14 de Maio.
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