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Metade dos portugueses receia que a Inteligência Artificial substitua o seu emprego, segundo estudo da Intercampus

Metade dos portugueses receia que a Inteligência Artificial substitua o seu emprego, segundo estudo da Intercampus

Os portugueses estão significativamente mais preocupados com o impacto da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho do que os seus vizinhos europeus.
Num momento em que o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho domina o debate público, os portugueses revelam-se mais preocupados do que a média europeia. O inquérito foi realizado em 61 países de vários continentes.
De acordo com um estudo da Gallup International Association (GIA), realizado em Portugal pela Intercampus, 51% dos inquiridos nacionais temem que a tecnologia venha a ocupar o seu posto de trabalho. Esta percentagem coloca Portugal no topo da lista de países da Europa Ocidental com maior nível de receio, distanciando-se consideravelmente da média da região, que se fixa nos 27%.
O sentimento de insegurança em Portugal aproxima-se mais do padrão registado em economias de rendimento médio do que das nações europeias com desenvolvimento semelhante.
Na Europa Ocidental, os líderes do receio são Portugal (51%), seguido por Itália (44%) e Grécia (43%), enquanto os países com menor preocupação são a Suécia (14%), a Dinamarca (15%) e a Noruega (17%), que registam os valores mais baixos do continente.
A nível mundial, a média de preocupação é de 36%, com as economias emergentes a liderar o pessimismo, destacando-se as Filipinas (78%), a Índia (65%) e a Indonésia (64%). Em contrapartida, nas economias de alto rendimento, o receio médio é de apenas 29%, verificando-se valores baixos na Alemanha (21%) e na Suíça (25%).A perceção de risco varia também consoante a idade e a situação económica dos trabalhadores.
No que toca à idade, os jovens com menos de 34 anos são os mais apreensivos (43%), enquanto nos maiores de 55 anos a preocupação cai para 26%.
Ao nível do rendimento, os cidadãos com recursos financeiros mais baixos manifestam maior receio (38%) comparativamente aos de rendimento elevado (32%).
Já a escolaridade não apresenta diferenças significativas, mantendo-se o receio próximo dos 37% em todos os níveis de instrução.
António Salvador, diretor-geral da Intercampus, sublinha que estes dados são um sinal de que a transição digital ainda não chegou a todos da mesma forma e que a tecnologia está a avançar mais depressa do que as políticas de adaptação.
Este Inquérito Internacional da Gallup International foi realizado entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, abrangendo 61 países e um total de 60.458 entrevistados, com uma amostra representativa de aproximadamente 1.000 pessoas por país e uma margem de erro de ±3-5%.

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