Galamba pede que se ultrapasse a “letargia” que se apoderou da transição energética em Portugal
A “letargia” que se apoderou da transição energética em Portugal nos últimos tempos arrisca tornar o país estruturalmente dependente de Espanha, onde o investimento em renováveis tem sido feito com maior ambição e eficiência. O alerta é dado por João Galamba, antigo secretário de Estado da Energia, que pede ação e coordenação entre as várias entidades nacionais para evitar esta “tragédia”, sobretudo após anos em que o país liderou a aposta em energia verde na Europa.
Na conferência ‘Transição Energética’ que se realizou esta sexta-feira na Pérez-Llorca, em Lisboa, João Galamba explicou que a sua maior preocupação relacionada com a agenda energética se prende com “uma epidemia de letargia e falta de iniciativa”, pedindo, portanto, ação de várias entidades, incluindo o Governo.
“Cada minuto que perdemos em estudos, reflexões e estratégias, e com o outro lado da fronteira com várias iniciativas em várias áreas […] , o que não se faz deste lado da fronteira far-se-á do outro lado”, apontou, destacando as diferenças em termos de investimento, regulamentação e coordenação em Espanha e em Portugal.
O exemplo mais óbvio será o da energia solar, onde o nosso país se deixou ultrapassar pela economia vizinha, tornando-se mesmo “estruturalmente dependentes de importações de solar” provenientes de Espanha. Galamba admite compreender a lógica económica por detrás desta tendência, dado que a energia oriunda do outro lado da fronteira é mais barata e “ajuda a encher as barragens” em território nacional, mas levou a uma dependência estrutural.
“E o meu medo é que esta dependência se consolide em todas as áreas”, avisa.
Além do solar, também o eólico é exemplificativo deste paradigma em que Portugal vai perdendo terreno para o país vizinho, sobretudo considerando que Espanha “integrou mais de 1 Gigawatt de eólicas” no ano passado, enquanto Portugal instalou 5 Megawatts – isto “depois de termos sido durante anos líderes” neste segmento.
A juntar a isto, “Espanha está a dar passos firmes na bombagem”, ao contrário de Portugal, estando também a preparar terreno em termos regulatórios para o mercado de baterias.
“Portanto, ou acordamos todos para a vida e damos passos firmes para transformar a letargia que subitamente se apoderou do nosso país, ou então, apesar de sermos, juntamente com a Espanha, o país mais competitivo em renováveis, seremos um país estruturalmente dependente de importações de Espanha em todos os atores energéticos e isso seria uma verdadeira tragédia nacional”, expôs. “Espero que isso não aconteça.”
Esta iniciativa do Jornal Económico contou com o apoio da Pérez-Llorca e patrocínio da PRIO e da Iberdrola. O encontro propôs uma reflexão abrangente sobre temas centrais da atualidade, desde os combustíveis alternativos e o biometano até à segurança energética, regulação, investimento e integração do mercado ibérico.
Share this content:


Publicar comentário