Imobiliário. Volume de investimento sobe 37%, para 892 milhões no primeiro trimestre
O imobiliário português arrancou 2026 de forma dinâmica ao registar um volume de investimento de 892 milhões de euros no primeiro trimestre, o que significou um aumento de 37% face ao período homólogo, segundo os dados do relatório ‘Dils Recap’ divulgado pela consultora esta sexta-feira.
Os setores do retalho e hotelaria representaram em conjunto 76% deste valor (cada um com 38%), com os investidores internacionais a pesarem 56% do volume total captado. Neste período a hotelaria registou 341 milhões de euros de investimento e inaugurou 89 novos hotéis, que trouxeram perto de 760 quartos ao stock nacional, com as previsões até ao final do ano a apontarem para a colocação de mais 4.500 quartos.
Já o retalho obteve um volume de investimento de 340 milhões de euros, com 67% a serem direcionados para os centros comerciais, que conta com um stock de 111 ativos no país e mais 10.500 metros adicionais, com a renda prime a fixar-se nos 130 euros/m²/mês e a prime yield nos 6,25%.
Os retail parks absorveram 22% do investimento e contam com 56 ativos, com seis novos projetos em pipeline que trazem mais de 77 mil metros quadrados, com a renda prime a situar-se nos 13 euros/m²/mês e a prime yield nos 6,75%.
O mercado residencial viu os novos empreendimentos em Lisboa fixarem-se nos 7.429 euros por metro quadrado, uma descida de 2%, sendo que em Cascais, o valor prime atinge os 12 mil euros por metro quadrado e nas Avenidas Novas os 10.500 euros por metro quadrado.
Na região do Porto, as localizações da Foz do Douro, Nevogilde, Cedofeita, Baixa e Matosinhos Sul contam com preços médios de 6.500 euros por metro quadrado, sendo que na habitação nova o valor médio é de 4.834 euros por metro quadrado, uma subida trimestral de 2%.
Já em Tróia, Comporta e Melides o valor prime varia entre os 4 mil euros por metro quadrado em Alcácer do Sal e os 15 mil euros por metro quadrado em Melides, Carvalhal e Pego. No Algarve, o valor prime varia entre os 5.500 euros por metro quadrado em Portimão e os 14 mil euros por metro quadrado na Quinta do Lago.
No comércio de rua em Lisboa, destacaram-se as aberturas da Primor e da La Dolceria aRoma, no Chiado, bem como da La Fresería, na Baixa, com rendas prime de 140 euros/m²/mês, enquanto no Porto, registaram-se novas aberturas da Fábrica da Nata e da La Freseria na Rua de Santa Catarina e as rendas prime nos 85 euros/m²/mês no Porto.
Em quebra neste primeiro trimestre esteve o segmento de escritórios com um volume de 40,5 milhões de euros, uma descida de 54% face ao período homólogo. Lisboa registou uma ocupação de 28.913 metros quadrados, uma quebra de homóloga de 80%. Atualmente, encontram-se em pipeline cerca de 294 mil metros quadrados de novos escritórios, dos quais 60 mil metros quadrados deverão ser concluídos até ao final do ano.
Em sentido inverso surge o Porto, que apesar de uma ocupação de 7.150 metros quadrados verificou um aumento expressivo de 67%, quando comparado com o primeiro trimestre de 2025. Em pipeline estão 264 mil metros quadrados, dos quais cerca de 46 mil metros quadrados estão previstos para 2026.
Com um volume de investimento de 152 milhões de euros, o setor industrial e logístico verificou um crescimento impressionante de 532% em comparação com o período homólogo, impulsionado pelo aumento de data centers.
Com uma absorção de 65 mil metros quadrados este segmento observou uma quebra de 16% face ao período homólogo, enquanto na oferta, destacou-se a conclusão de um ativo da Logicor em Canelas com 21.400 metros quadrados, com as estimativas a apontarem para a conclusão de mais de 590 mil metros até ao fim do ano, com foco nos projetos da Panattoni Park Lisbon-City, Malveira Prime Logistics e Barrão Hub.
Pedro Lancastre, CEO da Dils Portugal, afirma que os resultados do primeiro trimestre confirmam a resiliência e a atratividade do mercado imobiliário português, mesmo num contexto de maior incerteza global.
“Assistimos a um mercado cada vez mais seletivo, em que a qualidade dos ativos, a localização e os fundamentais de ocupação são determinantes nas decisões de investimento, em todos os segmentos de negócio. Portugal continua a posicionar-se como um destino seguro e competitivo, com uma procura transversal aos vários setores e sustentada por tendências estruturais como a flight to quality e a crescente profissionalização do mercado”, refere.
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