Um piloto de F1 no Nurburgring Nordschleife? Max… o Pedro conta como é!
O mundo dos GT anda em ‘pulgas’ com Max Verstappen no Nurburgring Nordschleife. Isto de ter um piloto de F1 no Inferno Verde tem muito que se lhe diga. Mas o Pedro Lamy pode explicar ao Max como se vence cinco vezes…
A 20 de março de 1972 nasceu um dos nomes maiores da história do automobilismo português: José Pedro Mourão Nunes Lamy Viçoso, para sempre conhecido como Pedro Lamy. Ao longo de décadas, o piloto lisboeta construiu uma carreira rara pela longevidade, pela versatilidade e, sobretudo, pela consistência com que foi deixando marca em praticamente todas as categorias por onde passou.
Os primeiros sinais de talento surgiram cedo, muito cedo. Ainda criança, Lamy começou a ganhar títulos nas mini-motos, sagrando-se Campeão Nacional por cinco vezes consecutivas, entre 1977 e 1981. A esse domínio somou ainda os campeonatos de Mini-Motocross em 1980 e 1981. Antes de chegar aos automóveis, já havia ali uma evidência difícil de ignorar: a velocidade não era acaso, era vocação.
A transição para as quatro rodas exigiu aprendizagem e adaptação. Houve anos de crescimento silencioso, sem títulos, mas com a construção de uma base sólida. E quando começou a ganhar, fê-lo em série. Entre 1987 e 1992, Pedro Lamy venceu pelo menos um campeonato por temporada.
Foi campeão nacional de Karting em 1987 e 1988, triunfou na Fórmula Ford 1600 em 1989 e abriu caminho internacional na Fórmula Opel, onde conquistou a Taça das Nações em 1990 e 1991, tornando-se também Campeão Europeu em 1991.
O salto decisivo deu-se em 1992, com a conquista do Campeonato Alemão de Fórmula 3 e a vitória no prestigiado Masters de Zandvoort. Era a confirmação de que o português tinha dimensão internacional. Em 1993, na Fórmula 3000, venceu em Pau, uma das corridas mais exigentes e simbólicas da categoria, num triunfo que reforçou a ideia de que a Fórmula 1 era um destino natural.
A estreia no Mundial aconteceu nesse mesmo ano, pela Lotus. Entre 1993 e 1996, Lamy competiu na Fórmula 1 com a histórica equipa britânica e, depois, com a Minardi. Pelo meio, enfrentou um dos episódios mais duros da sua carreira: o grave acidente em Silverstone, em 1994, que lhe provocou fraturas nas pernas e nos braços.
A recuperação foi longa e exigente, mas não o travou. Regressou, resistiu e, em 1995, tornou-se o primeiro piloto português a pontuar na Fórmula 1, ao terminar em sexto no Grande Prémio da Austrália, disputado no circuito de Adelaide, que foi a última corrida daquela temporada.
Se a Fórmula 1 ficou aquém do que o talento prometia, o capítulo seguinte haveria de elevar ainda mais a dimensão da sua carreira. Nos GT e na resistência, Pedro Lamy encontrou o território ideal para afirmar plenamente a sua qualidade. Em 1998, conquistou o título GT2 do Campeonato FIA GT com o Chrysler Viper GTS-R.
Depois, fez do Nürburgring um dos seus palcos de eleição: venceu as 24 Horas por cinco vezes, em 2001, 2002, 2004, 2005 e 2010, um registo que o colocou entre os nomes mais respeitados da prova. (2001 – Chrysler Viper GTS-R (Zakspeed); 2002 – Chrysler Viper GTS-R (Zakspeed); 2004 – BMW M3 GTR (BMW Motorsport); 2005 – BMW M3 GTR (BMW Motorsport); 2010 – BMW M3 GT2 (BMW Motorsport).
Pelo meio, somou ainda o título da V8 Star Series em 2003 e conquistou, em 2004, o campeonato GTS da Le Mans Endurance Series. Em 2006, voltou a ser campeão, desta vez na categoria GT1 da Le Mans Series com a Aston Martin, antes de integrar um dos projectos mais ambiciosos da resistência moderna: a ofensiva da Peugeot a Le Mans com o 908 HDi FAP. Em 2007, venceu o campeonato absoluto da Le Mans Series e terminou em segundo lugar da geral nas 24 Horas de Le Mans, resultado que repetiria em 2011.
A consagração em La Sarthe chegaria em 2012, com a vitória na classe GTE-Am ao volante de um Corvette C6.R. E ainda haveria tempo para mais um grande título internacional: em 2017, sagrou-se campeão do mundo FIA de Resistência na categoria LMGTE Am, com a Aston Martin.
Mesmo já numa fase madura da carreira, Pedro Lamy continuou a mostrar competitividade ao mais alto nível. Em 2019, venceu a classe ProAm nas 12 Horas de Bathurst, ao lado de Mathias Lauda e Paul Dalla Lana, num Ferrari 488 GT3 da Spirit of Race. Depois de um acidente nos treinos livres, a equipa recuperou do 28∘ lugar da grelha até ao 9∘ posto da geral, com Lamy a cortar a meta — um desfecho que, de certa forma, condensava muito do que foi o seu percurso: resiliência, rapidez e capacidade de nunca desaparecer da luta.
Olhar para a carreira de Pedro Lamy é olhar para um pioneiro, mas também para um competidor total. Foi o primeiro português a pontuar na Fórmula 1, venceu em algumas das pistas e provas mais duras do mundo e construiu um palmarés que atravessa gerações e disciplinas. Mais do que uma sucessão de títulos e troféus, deixou uma marca de profissionalismo, discrição e talento que o coloca, sem hesitação, entre os maiores de sempre do desporto motorizado português.
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