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F-35: o avião de combate que Trump elogiou pelo seu poder e beleza

F-35: o avião de combate que Trump elogiou pelo seu poder e beleza

“Paz através de força. Muita força”. A frase encontra-se numa das paredes da gigantesca fábrica do F-35 no Texas. As suas capacidades bélicas foram provadas em vários cenários de guerra e o caça já foi mesmo elogiado pelo presidente Donald Trump como tendo um “poder impressionante” e uma “beleza deslumbrante” que ajudam a dar à América “domínio total do ar e do do espaço, não importa onde voemos”.
Mas para conquistar um contrato com um país há duas palavras-chave: indústria nacional. Todos os países querem que parte do dinheiro que investem seja aplicado nas suas empresas.
Os norte-americanos que produzem o avião de combate F-35 já sabem bem como é que o jogo é jogado e garantem que querem fechar parcerias com o setor nacional de defesa. O objetivo é garantir, caso Portugal escolha o caça americano para substituir os F-16, que a indústria nacional seja fornecedor de componentes para a companhia norte-americana.
“Queremos garantir que o caça é operado e faça a manutenção em Portugal, tenha a assistência técnica e modernização em Portugal”, disse Nick Smythe, vice-presidente de negócios da Lockheed Martin durante uma visita à fábrica dos F-35 em Fort Worth, Texas, EUA.
“Queremos soluções europeias para a Europa e soluções portuguesas para Portugal”, defendeu o gestor. “Não se trata só de vender os caças. A questão é como introduzir estes caças com sucesso em operação. Isto não é um negócio, isto é uma relação de muito longo prazo”, segundo Nick Smythe.
Uma peça importante do concurso, quando for lançado, é o caderno de encargos exigido pelo Governo português, isto é, se vai exigir incorporação nacional nos F-35 ou não e quanto.
A Lockheed Martin já identificou 16 projetos (de 16 empresas e cinco universidades/centros de investigação) nas áreas de autonomia, inteligência artificial (IA), vigilância marítima, simulação ou treino.
“Temos um longo historial com a indústria em Portugal, com o P-3 ou o F-16. É uma relação de várias décadas com Portugal. Vamos trazer esse mesmo espírito para o programa F-35 para providenciar benefícios económicos e emprego para que Portugal tenha um avião fantástico que garanta a soberania do país e que apoie a indústria portuguesa”, garantiu, por sua vez, Chauncey McIntosh, vice-presidente do programa F-35.
Como funciona a venda? Se Portugal estiver interessado em comprar os F-35, o Governo português tem de escrever uma ‘letter of intent’ ao Governo norte-americano a dar conta das suas intenções. Depois, se for aceite, arrancam as negociações para a compra. Pelo meio, o executivo dos EUA ainda notifica o Congresso, mas este não tem se pronunciar formalmente: existe um período de 15 dias para os congressistas pronunciarem-se, se quiserem. Também existe a possibilidade do ministro dos Negócios Estrangeiros dar o seu aval direto, prescindindo da passgem pelo Congresso.
“Se Portugal escolher o F-35 vai estar a juntar-se a uma operação global para operar em sintonia”, afirma, por sua vez, Rob Weitzman, diretor internacional de negócio do F-35 durante uma visita à fábrica.
“Não estamos a falar de algo que vai acontecer amanhã ou no próximo ano. O F-35 está operacional hoje”, destaca o gestor.
Na Europa, a companhia já conta com mais de 250 fornecedores, com oito centros de treino, 30 centros de manutenção e três centros de produção/manutenção, mais nove armazéns.
Além dos EUA, os F-35 também são produzidos em Itália e no Japão, mas ambos os países fazem parte do programa F-35 desde o início.
Entre as mais valias do caça, a Lockheed Martin destaca a sua “furtividade”, sensores avançados, interoperabilidade, capacidade de armas, velocidade supersónica e autonomia alargada.
“Muitos focam-se na produção, nós estamos focados no ciclo de vida. Queremos entregar um avião com 25% de produção europeia”, segundo o gestor, explicando que 70% do custo do avião corresponde ao pós-venda, permitindo aos F-35 operar durante “décadas”.

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