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Há menos 1,7 milhões de pessoas com privação material e social desde a Troika

Há menos 1,7 milhões de pessoas com privação material e social desde a Troika

O número de portugueses que têm privação material ou social está ao nível mais baixo em pelo menos 12 anos, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Eurostat. Ainda assim, estava em causa o ano passado mais de um milhão de pessoas, 10,2% de toda a população. Já a privação severa está em 4,3%.
Em 2014, à saída do ajustamento da Troika, a taxa de privação material e social atingia 27% (2,8 milhões de pessoas) e, desde então, Portugal desceu quase todos os anos (as exceções são 2021, em que subiu para 13,5%, e 2023, em que estagnou nos 11,9%). Destaque para o período pós-troika, em que caiu para metade, atingindo 13,2% em 2019. Desde então, com a pandemia pelo meio, a redução foi mais moderada, mas no conjunto dos últimos 12 anos, a redução é de 1,7 milhões de pessoas, segundo os cálculos do Jornal Económico.
Os dados do Eurostat mostram que Portugal foi muitas vezes o 20.º pior país europeu neste capítulo, oscilando para o 19.º lugar (em 2018 e 2022) e o 21.º (em 2021). Já em 2023, deu um salto de dois degraus para o 17.º e assim se manteve em 2024. Este ano, para já, está em 14.º lugar, mas há quatro países que ainda não revelaram os dados.
Como habitualmente, é nos Açores que se encontram mais casos de privação material e social (15,7%). Seguem-se Madeira (13,3%), Área Metropolitana de Lisboa (10,6%), Norte (10,2%), Centro (9,8%), Alentejo (8,5%) e Algarve (8%).
Por idade e género, são as mulheres com pelo menos 65 anos que mais passam por privações (15,2%, contra 23,9% em 2015), enquanto os homens de 18 a 64 anos têm menos (7,9%). Há uma década, eram as crianças e adolescentes (rapazes até 17 anos) que estavam na cauda do ranking (com 25%, contra 9,4% agora).
E de que estão privados os portugueses? Sem capacidade económica para ter dois pares de sapatos de tamanho adequado são 0,6% da população; sem capacidade para ter uma refeição de carne, peixe (ou equivalente vegetariano), pelo menos de dois em dois dias, está em causa 1,9% (mas cada região conta a sua história e nos Açores este valor sobe para 7,7%); sem capacidade para pagar atempadamente rendas ou prestações de crédito são 5,2% (mas na Área Metropolitana de Lisboa chega a 8,7%); sem conseguir manter a casa adequadamente aquecida são 15,6%; sem capacidade para substituir mobiliário usado há um terço dos portugueses (33%); tal como aqueles que não podem pagar uma semana de férias por ano (33,1%). No total, o INE avalia 13 categorias, sendo que para a taxa geral contam-se os casos em que há carência por dificuldades económicas em pelo menos cinco desses itens.
Mais grave é a chamada privação severa, em que Portugal manteve no ano passado o mesmo nível de 2024 (4,3%) e menos de metade do valor registado em 2015 (10,9%). Também aqui o país chegou a ser o 20.º pior no ranking europeu (entre 2015 e 2017 e em 2021). No entanto, nos últimos anos tem conseguido melhorar a sua posição relativa no contexto europeu, chegando a 15.º em 2019, 2022 e 2023 e a 14.º em 2024. Para já, Portugal está em 10.º lugar em 2025, quando faltam os tais quatro estados-membros apresentarem dados. Os Açores, mais uma vez, enfrentam as maiores dificuldades no país (6,7%), seguidos pela Madeira (5%).
Estes dados, no entanto, revelam apenas parcialmente as dificuldades de acesso a bens e serviços essenciais. O indicador do risco de pobreza e exclusão social, mais abrangente, mostra que havia 18,6% da população nessa situação em 2025 (1,95 milhões de pessoas), apesar de estar igualmente a descer.

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