Ver Portugal é das experiências mais extravagantes do Mundial 2026
É o mercado a funcionar. O elevado preço dos bilhetes para assistir a jogos do Mundial de 2026 (com início em março) tem vindo a ser, juntamente com outros fatores, um dos principais tópicos que estão a afastar os adeptos da prova rainha do calendário futebolístico de seleções. Para assistir à final, o patamar de preço ganha uma dimensão pouco vista: os bilhetes podem chegar aos 9.500 euros.
O torneio, o mais importante do calendário FIFA, decorre de 11 de junho a 19 de julho de 2026 nos EUA, México e Canadá, sendo o primeiro com 48 equipas, totalizando 104 jogos.
Os jogos em que Portugal está envolvido na prova que vai ser pela primeira vez jogada em três países, estão entre os mais caros para assistir. De acordo com o site oficial da competição, os bilhetes rondam os 225 euros e os 600 euros.
Esta semana, o “New York Times” destaca o jogo Colômbia – Portugal e diz que esta partida está a tornar-se um “fenómeno fora do campo”, com os preços dos bilhetes a explodir. O jogo é o terceiro da fase de grupos para Portugal e joga-se a 28 de junho em Miami. Aquela que será a “última dança” de Cristiano Ronaldo num Mundial está a provocar a loucura entre os adeptos, com a revenda dos bilhetes a atingir níveis pouco vistos e os preços a superarem o preço dos bilhetes para a final do SuperBowl.
De acordo com dados da TicketData, que tem rastreado os preços dos bilhetes revendidos, o bilhete para aquele jogo, na altura em que ainda não eram conhecidas as seleções, tinha um preço de 340 euros. Assim que se soube que aquele “slot” seria ocupado por Portugal e Colômbia, os bilhetes mais baratos subiram para cerca de 1.700 euros. Atualmente, o bilhete mais barato para esta partida é 2.120 euros. Este já é o jogo mais caro da fase de grupos do Mundial, à exceção das partidas que envolvem as seleções anfitriãs: EUA, Canadá e México.
Preços dinâmicos: o mercado é quem mais ordena
Se é verdade que a FIFA tem levado com grande parte das críticas dos adeptos devido ao preço dos bilhetes, e a polémica política de “preços dinâmicos”, o responsável do Mundial 2026 nomeado pela administração Trump, Andrew Giuliani, defendeu o elevado custo dos bilhetes para os jogos em território norte-americano com a máxima: é o mercado que irá ditar o preço (e pelos vistos, o entusiasmo pelo evento).
E quem não conseguir comprar bilhetes para assistir aos jogos da sua seleção? A receita é simples, para este responsável: podem sempre comprar bilhetes mais baratos para encontros de adeptos com a chancela da FIFA nas cidades em que os jogos tiverem lugar.
Ao Financial Times, Andrew Giuliani deu uma explicação para as críticas dos adeptos face aos elevados custos dos bilhetes: “É esse o propósito de uma lógica de preços dinâmicos. Mostra o enorme interesse que está a ter a possível vinda aos EUA para ver um Mundial”. A procura por bilhetes (como seria de esperar) mas há sinais de que o retorno para a economia norte-americana pode ficar muito aquém das expectativas, nomeadamente da hotelaria.
“Vou ser honesto: não pagaria esse valor”
“Certamente que gostaria de ver esse jogo mas vou ser honesto: não pagaria mil dólares por um bilhete”: surpreendentemente, esta afirmação é de Donald Trump quando questionado pelo New York Post a propósito do valor do bilhete para ver a estreia dos EUA no mundial contra o Paraguai a 12 de junho. Aparentemente, o presidente não é fã dos preços dinâmicos, variável determinada pelos algoritmos que estabelece o preço com base na procura. Para estabelecer este sistema, a FIFA destacou que as receitas dos bilhetes ajudam a desenvolver o futebol a nível mundial. Um bom princípio mas não suficientemente interessante para travar uma investigação dos reguladores. Veja-se o que está a acontecer no Canadá, outro dos anfitriões do Mundial de futebol: aqui, os bilhetes só podem ser revendidos pelo preço original.
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