Petrolífera italiana Eni avalia terceira plataforma de GNL em Moçambique
A petrolífera italiana Eni disse esta segunda-feira à Lusa que está a avaliar a possibilidade de avançar com uma terceira plataforma FNLG para explorar Gás Natural Liquefeito (GNL) na bacia do Rovume, norte de Moçambique.
Contactada pela Lusa, fonte da empresa sublinhou que aquela bacia, onde a Eni já opera uma plataforma de produção de GNL, a Coral Sul, e prevê iniciar em 2028 a segunda, Coral Norte, “possui reservas significativas de gás natural, permitindo não apenas a implementação dos projetos em curso, mas também criando oportunidades para novos desenvolvimentos”.
“Nesse contexto, a Eni está atualmente avaliando a possibilidade de avançar com um terceiro projeto baseado na tecnologia FLNG, cujo sucesso foi demonstrado pelo projeto Coral South FLNG”, refere a empresa.
O diretor-executivo da petrolífera Eni, Claudio Descalzi, garantiu em 2 de outubro, em Maputo, que em menos de três anos arranca a produção de GNL Coral Norte, elevando o país a terceiro maior produtor em África.
“Iniciámos o calendário para 2028. Isto significa que começámos hoje com o FID e, dentro de três anos, vamos iniciar a produção”, afirmou Descalzi, durante a assinatura da Decisão Final de Investimento (FID) da segunda plataforma flutuante, Coral Norte, por 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros).
Os parceiros da Área 4 da Bacia do Rovuma, ao largo de Cabo Delgado, Eni, Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), CNPC, Kogas e XRG assinaram nesse dia, na presença do Presidente moçambicano, Daniel Chapo, a FID para o novo projeto.
O líder da petrolífera, que opera a plataforma flutuante FNLG Coral Norte, tal como a Coral Sul, idêntica, garante que aquela “fará de Moçambique o terceiro maior produtor de GNL em África”, depois da Nigéria e da Argélia, duplicando a atual produção do país (apenas Coral Sul), para sete milhões de toneladas anuais (mtpa).
Descalzi disse que Moçambique “está também a posicionar-se na transição energética” global.
“Ao longo deste caminho, qualquer um de nós é um parceiro a longo prazo empenhado no crescimento e na prosperidade do país”, garantiu, acrescentando: “Coral Norte é o segundo desenvolvimento de GNL flutuante em grande escala localizado em águas ultraprofundas a nível mundial. Mas sabemos exatamente onde está o primeiro, aqui mesmo em Moçambique: Coral Sul”.
Recordou que só a Coral Sul “entregou com sucesso mais de 120 cargas de GNL desde o primeiro gás em 2022”, até então.
“Graças à sua conceção inovadora e ao seu desempenho de produção consistente, foi responsável por 50% do crescimento do PIB do país em 2023, e em 2024 é cerca de 70% do crescimento do PIB. E espera-se que gere 16 mil milhões de dólares (13,7 mil milhões de euros) em receitas fiscais durante o seu período de vida, atribuindo mais de 800 milhões de dólares (683 milhões de euros) em contratos a empresas locais e empregando mais de 1.400 moçambicanos”, realçou Descalzi, sobre a plataforma em operação.
“Partindo desta base sólida”, disse, o Coral Norte, enquanto “réplica melhorada do Coral Sul, irá agora expandir ainda mais este benefício, provando mais uma vez que o GNL flutuante é uma solução rápida, competitiva e fiável”.
“Há alguns anos, há cinco, seis anos, toda a gente dizia que isso era impossível. Agora já estamos no segundo desenvolvimento, algo que todos poderiam considerar impossível de um ponto de vista técnico”, apontou.
O segundo projeto deverá gerar 23 mil milhões de dólares (20,1 mil milhões de euros) em receitas fiscais para Moçambique nos 30 anos de operação, duplicando os postos de trabalho da primeira plataforma.
Moçambique tem três megaprojetos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de GNL da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, incluindo um da TotalEnergies (13 mtpa), já retomado, após a suspensão devido a ataques terroristas na região, e outro da ExxonMobil (18 mtpa), que aguarda decisão final de investimento, ambos na península de Afungi.
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