UBS vê margem para ganhos com bonds apesar da volatilidade recente de mercado
A UBS vê margem para as obrigações estabilizarem e darem retornos de curto-prazo apesar da elevada volatilidade no mercado neste momento, quando as yields de dívida pública têm mostrado uma volatilidade acrescida.
Numa nota desta segunda-feira, o CIO do banco argumenta que a subida das yields nos últimos dias, particularmente dos títulos do Tesouro norte-americano, irão aumentar a procura, que desiludiu nos mais recentes leilões de dívida pública. Como tal, e apesar da volatilidade em alta, deve haver um apetite crescente dos investidores por estes produtos.
“Ainda que a volatilidade de curto prazo deva manter os mercados sob stress, as yields atrativas atuais e os riscos de crescimento apontam para um perfil de risco-lucro apelativo para bonds de curta e média maturidade de qualidade”, lê-se na nota.
Um dos sinais desta inversão, argumenta, é a solidez da procura internacional nos últimos leilões do Tesouro norte-americano, sobretudo no dos títulos a 30 anos. Por outro lado, “com os títulos de menor maturidade a tornarem-se apelativos relativamente a dinheiro ou depósitos, cremos que isto possa criar um pivot para as yields e limitar alguma da pressão”.
Recorde-se que os títulos do Tesouro dos EUA a 10 anos subiram mais de 3,6 pontos base (pb) para chegarem ao nível mais alto desde fevereiro do ano passado, com 4,631%, enquanto as bonds a 30 anos tocaram máximos de 2023 ao ultrapassarem uma yield de 5,12%. As yields destes títulos continuam a subir, com os de 30 anos a aproximarem-se cada vez mais dos máximos de 2007, mesmo antes do eclodir da grande crise financeira global.
No caso das obrigações, as yields evoluem tendencialmente de forma inversa aos preços.
Também nos títulos a dois anos se registou uma subida expressiva, com as yields a tocarem máximos de mais de um ano ao chegarem a 4,11%.
Esta tendência verificou-se após o disparo na cotação do petróleo durante o fim-de-semana e que viu os preços do barril a chegarem a 111 dólares (95,4 euros) depois de novo episódio de violência no Médio Oriente, isto numa altura em que o cessar-fogo entre Teerão e Washington está preso por fios.
Também no Japão os títulos a 10 anos dispararam 10 pb até 2,739%, enquanto na Europa a Alemanha via uma subida de 2 pb para 3,183%. No Reino Unido, a incerteza política em torno de Keir Starmer já havia levado a uma subida durante a semana anterior, pelo que as yields até estão em ligeiro recuo no início desta segunda-feira, embora mantendo-se a níveis considerados elevados, com 5,169%.
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