Private Equity em Portugal acelera em 2025 com salto no valor das transações graças ao capital estrangeiro
O mercado português de private equity acelerou de forma significativa em 2025, alcançando 167 transações e um valor agregado de cerca de 7,7 mil milhões de euros, segundo o guia da Cuatrecasas. O montante mais do que duplicou face a 2024, enquanto o número de operações subiu 55%, num ano marcado por maior atividade, mais saídas e forte peso do capital estrangeiro.
A Cuatrecasas cita a Mergermarket e também a TTR, “outra agência importante que acompanha o panorama do capital de investimento (embora aplique critérios diferentes), também registou um crescimento no valor agregado (um aumento de 123% para 8,6 mil milhões de euros) e no volume (um aumento de 34% para 107 transações”, lê-se no documento.
O relatório destaca que a composição do mercado mudou de forma relevante em 2025, com as saídas a representarem cerca de 6,3 mil milhões de euros, ou 82% do valor total das operações. Já o investimento continuou a crescer em número de negócios, mas manteve um peso muito inferior em valor, refletindo a predominância de grandes desinvestimentos e operações de maior dimensão.
“A composição dos fluxos de capital em 2025 sofreu uma mudança significativa no sentido das saídas, atingindo aproximadamente 6,3 mil milhões de euros e representando 82% do valor total das transações, um aumento em relação aos 71% registados em 2024. O valor das saídas cresceu aproximadamente 139% em relação ao ano anterior, enquanto o valor dos investimentos também aumentou quase 29%, atingindo 1,4 mil milhões de euros. Em termos de número de transações, os investimentos continuaram a dominar, aumentando de 89 em 2024 para 141 em 2025, enquanto as saídas se mantiveram em cerca de um sexto do volume total”,
Este estudo, que apresenta uma visão geral das tendências do mercado em transações de capital de risco em Espanha e Portugal, analisa as operações mais significativas nas quais a Cuatrecasas prestou assessoria. O estudo analisa 56 operações de capital de risco celebradas em 2024 e 2025 (40 em Espanha e 16 em Portugal) com valores de transação superiores a 10 milhões de euros em Espanha e sem limitação em Portugal. Não inclui transações de capital de risco, uma vez que estas apresentam características e tendências de mercado próprias. Salvo indicação em contrário, todos os gráficos incluem os dados relativos a 2024 e 2025.
Segundo o documento, o capital cross-border foi o principal motor do mercado português, representando cerca de 97% do valor agregado das transações em 2025. Ao mesmo tempo, os investidores domésticos ganharam peso em volume, o que sugere um mercado mais ativo na faixa mid-market, embora os maiores tickets continuem a vir de fora.
O capital transfronteiriço continuou a ser o principal motor do valor agregado das transações, representando aproximadamente 97% do total de 2025, reafirmando o papel significativo dos investidores internacionais nas maiores transações de Portugal.
Em contrapartida, a quota dos investidores nacionais no volume de transações aumentou para 61% em 2025, face aos 27% registados em 2024. Esta mudança indica uma atividade mais ampla por parte de patrocinadores locais e empresas.
Em termos de valor das transações, as transações nacionais representaram aproximadamente 3% em 2025, em comparação com 2% em 2024, o que destaca que os maiores montantes continuaram a ser impulsionados pelo capital transfronteiriço.
A Cuatrecasas diz que esta tendência põe em evidência um mercado a duas velocidades: um mercado interno dinâmico de média capitalização que impulsiona o crescimento em volume, a par de investidores internacionais e investidores estratégicos que impulsionam o valor das empresas de grande capitalização. Esta dinâmica tem caracterizado o ecossistema de capital de risco de Portugal nos últimos anos, ganhando ainda mais impulso em 2025.
Embora a atividade no segmento de grande capitalização tenha acelerado, uma análise mais detalhada é dificultada pelo elevado número de transações cujo valor não foi divulgado.
As transações de grande valor (500 milhões de euros ou mais) são raras em Portugal, com apenas uma registada anualmente entre 2022 e 2024. No entanto, em 2025, foram concluídas duas transações de grande valor, aumentando a sua quota no valor total das transações de 24% em 2024 para 70%.
Segundo o relatório, verificou-se um declínio nas transações de média capitalização na faixa de 100 a 499 milhões de euros, tanto em volume como em quota de valor. A atividade do mercado tornou-se cada vez mais polarizada, com a dinâmica a deslocar-se para aquisições complementares de pequena capitalização e saídas de grande capitalização. As transações abaixo de 100 milhões de euros aumentaram acentuadamente. Esta tendência destaca o dinamismo das estratégias de «buy-and-build» e das iniciativas de consolidação impulsionadas por investidores.
Distribuição por setores
A tecnologia continuou a ser o setor líder em número de transações, com as transações de TI a continuarem a aumentar. No entanto, a sua quota no volume total caiu para 23%, à medida que a atividade se expandiu para outros setores.
O setor tecnológico manteve-se entre os mais dinâmicos, mas o relatório sublinha também o reforço do interesse por consumer, retail, life sciences e serviços. Essa diversificação mostra uma ampliação do universo investível em Portugal, ainda que os cinco principais setores continuem a concentrar a maior parte da atividade.
Aliás o relatório destaca neste guia que entre 2024 e 2025 “o sector das life sciences esteve na dianteira das transações de private equity em Portugal com assessoria da Cuatrecasas, num contexto em que os sectores dos serviços e da indústria registaram crescimento, enquanto o sector TMT perdeu expressão”.
No plano contratual, o estudo indica que o locked-box voltou a afirmar-se como o mecanismo de pricing dominante, ultrapassando os 90% em algumas das leituras do mercado analisado. Também cresceu o uso de ticking fees, enquanto os earn-outs continuaram a ser frequentes para acomodar expectativas diferentes sobre o desempenho futuro das empresas.
O relatório aponta ainda para um mercado mais favorável aos vendedores, com a expansão dos processos de leilão e maior utilização de W&I insurance. Em muitos casos, essa proteção permitiu clean exits, limitando a responsabilidade do vendedor por violações das warranties e transferindo o risco para a seguradora.
A conclusão implícita do guia é que o private equity português entrou numa fase mais madura, mas também mais seletiva, em que o valor pesa mais do que o volume. O mercado segue dependente de capital internacional e de operações de maior dimensão, enquanto os movimentos domésticos ganham tração sobretudo em segmentos de menor escala.
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