Médio Oriente: MNE polaco pede proibição de entrada de ministro israelita
O ministro dos Negócios Estrangeiros polaco, Radoslaw Sikorski, pediu hoje que seja proibida a entrada na Polónia do ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, devido à forma como tratou os ativistas da flotilha Global Sumud.
O pedido, que foi anunciado por um porta-voz do ministério numa conferência de imprensa em Varsóvia, junta a Polónia a outros países europeus, como os Países Baixos, o Reino Unido e a Espanha, que já adotaram essa proibição.
Segundo o porta-voz, Maciej Wewiór, os cidadãos polacos detidos por Israel já foram libertados e estão a caminho do aeroporto na Turquia.
O MNE polaco já tinha convocado o encarregado de negócios israelita em Varsóvia, para transmitir “a indignação” do Governo polaco e “exigir um pedido de desculpas pelo comportamento extremamente inadequado de um membro do Governo israelita”, referindo-se a Ben Gvir.
O encontro foi, segundo o porta-voz do ministério polaco, “muito breve”, sendo que o representante de Israel “não apresentou qualquer pedido de desculpas” pelos maus-tratos sofridos pelos ativistas europeus.
“A solicitação que o ministro [Radoslaw] Sikorski enviou ao Ministério do Interior e da Administração [para que seja proibida a entrada de Ben Gvir no país] é, na minha opinião, um indício de como esta conversa se desenrolou”, afirmou.
A reação polaca surge depois de a Marinha israelita ter intercetado os barcos que integravam a flotilha Global Sumud, que se dirigia à Faixa de Gaza para interromper o bloqueio israelita àquele território.
De acordo com a organização, as forças israelitas arrestaram 50 embarcações e detiveram 428 pessoas, incluindo cidadãos polacos e também dois portugueses.
“Exigimos a libertação imediata dos cidadãos polacos e que sejam tratados de acordo com as normas internacionais. O facto de o Ministério dos Negócios Estrangeiros ter aconselhado os cidadãos polacos a não viajarem para Israel e para a Palestina não significa que aceitemos a violação dos seus direitos e da sua dignidade”, sublinhou Sikorski numa mensagem publicada nas redes sociais.
Em imagens divulgadas por Ben Gvir, que Sikorski descreveu como “ultrajantes” e “extremamente inapropriadas”, veem-se dezenas de ativistas ajoelhados no chão e com o rosto pressionado para baixo e com as mãos amarradas atrás das costas, enquanto o ministro agita uma bandeira israelita e grita em hebraico: “Bem-vindos a Israel, aqui mandamos nós”.
Este incidente aprofunda a crise diplomática entre Varsóvia e Telavive, que se tornou tensa após a morte, em abril de 2024, de Damian Sobol, um trabalhador humanitário polaco da organização não-governamental World Central Kitchen, num ataque israelita a um comboio humanitário em Gaza.
Este incidente, que Israel atribuiu a uma “identidade trocada”, levou o então Presidente polaco, Andrzej Duda, a descrever a atitude diplomática israelita como “ultrajante”.
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