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Duplica número de portugueses que compra nas lojas low cost

Duplica número de portugueses que compra nas lojas low cost

Normal, Action e Primor, três retalhistas low-cost que estão a entrar nos hábitos de consumo dos portugueses, sobretudo no último ano, de acordo com os dados mais recentes da Worldpanel a que o Jornal Económico teve acesso. O estudo revela uma expansão destes três retalhistas internacionais no mercado português, percepcionado através da percentagem de famílias que efetivamente compram nestas insígnias (penetração nos lares).
A dinamarquesa Normal, que abriu a primeira loja em Portugal no final de 2022, lidera o crescimento nesta tipologia de supermercados low- cost e passou de 8,5% para 14,4% de penetração em MAT (Moving Annual Total), mais do que duplicando a sua presença nos lares portugueses. A neerlandesa Action, teve o salto mais expressivo em termos relativos, triplicando praticamente de 3,5% para 10,8%. As perfumarias Primor registam uma evolução mais gradual, de 5,1% para 6,6%, de acordo com os dados da Worldpanel.
“Destaca-se sobretudo o crescimento bastante acelerado de Normal e Action, que têm vindo a ganhar relevância junto dos lares portugueses”, afirma Marta Santos, Country Manager da Worldpanel by Numerator Portugal. A responsável sublinha que, na metodologia da consultora, “a partir de 1,5% de penetração, os resultados já são minimamente robustos” — o que coloca os três retalhistas claramente acima do limiar de relevância estatística. De referir que o retalhista Primaprix que abriu a primeira loja em Portugal há menos de um ano (hoje são sete), ainda não integra o âmbito analisado pela Worldpanel pela presença recente no mercado.
Estes números referem-se exclusivamente a categorias de grande consumo (FMCG) o que implica, no caso da Action, que abriu a sua primeira loja em Portugal em março de 2024, em Vila Nova de Gaia, que a componente de bazar, que tem um peso central na proposta da retalhista holandesa, não esteja refletida nestes indicadores, o que sugere que o peso real da insígnia junto dos consumidores portugueses poderá ser ainda superior.
Marta Santos, Country Manager da Worldpanel by Numerator Portugal
O perfil sócio-demográficos dos três retalhistas revelam que a Normal tem um perfil mais urbano e mais “clientela” em Lisboa e no Interior Norte, sobretudo junto de adultos que vivem sozinhos ou casados sem filhos. Também a Primor, fundada em Espanha em 1953 e presente em Portugal desde o final de 2019 tem mais relevância nas zonas urbanas de Lisboa e Porto junto de adultos sós ou casados sem filhos. Já a Action tem maior relevância junto dos clientes no Porto e no Litoral Norte, junto de jovens sós e casados sem filhos.
Novos hábitos de consumo
“Os dados indicam uma forte adesão dos consumidores portugueses”, diz Marta Santos, a afirmação é sustentada em três fatores: preço competitivo numa altura de pressão sobre o rendimento disponível, conveniência — sortido simples e visita rápida — e o chamado efeito de descoberta, com sortidos dinâmicos e rotativos que tornam cada visita imprevisível”.
Questionada sobre se o preço ou a novidade pesa mais na decisão de compra, a resposta é clara: “Continua a ser o principal driver de escolha no contexto atual”. Quando os consumidores portugueses são questionados sobre o que mais valorizam na escolha do local de compra, emergem três motivos: boa relação qualidade/preço, promoções e proximidade. Mas a novidade não é secundária — “desempenha um papel crítico na atração e dinamização da visita”, especialmente nestes formatos onde o efeito surpresa é parte central da proposta. “O sucesso resulta precisamente da combinação destes dois fatores”, conclui.
 
Dados do estudo indicam ainda que experiência europeia sugere que estes formatos têm uma trajetória de crescimento sustentado, e Portugal não deverá ser exceção. Marta Santos indica que haverá espaço para mais retalhistas com este tipo de oferta em Portugal. De acordo com a responsável, o país continua a ser um mercado competitivo, “ mas ainda com margem para novos conceitos, sobretudo em formatos especializados ou diferenciados”, diz a responsável, ressalvando que o sucesso dependerá sempre “da adaptação ao consumidor local e da clareza da proposta de valor face à oferta existente
A pressão sobre os retalhistas já instalados é real. Marta Santos reconhece que os retalhistas nacionais têm adaptado preços, promoções e sortido, mas avisa que “a entrada de novos formatos internacionais tende a acelerar o ritmo de inovação e a redefinir expectativas”. A vantagem competitiva destes novos formatos é também de preço: “em muitos casos o preço é bastante inferior versus outros formatos mais implementados em Portugal.”

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