Hungria espera desbloquear 10,4 mil milhões de euros de fundos congelados até 31 de agosto
O novo Governo da Hungria espera cumprir todos os requisitos exigidos pela União Europeia (UE) para libertar até 31 de agosto 10,4 mil milhões de euros em fundos congelados devido às políticas antidemocráticas e à corrupção do anterior executivo.
Durante um discurso no fórum de defesa Globsec, em Praga, transmitido em direto pela Internet, a ministra dos Negócios Estrangeiros da Hungria, Anita Orbán, confirmou que o seu Governo, liderado pelo primeiro-ministro conservador Péter Magyar, viajará para Bruxelas na próxima semana para discutir o desbloqueio dos fundos.
“Posso confirmar que está agendada uma reunião para a próxima semana em Bruxelas, que será uma de uma série de reuniões” iniciadas na semana passada, avançou.
A ministra húngara afirmou que o acesso aos 10,4 mil milhões de euros em fundos destinados à recuperação e resiliência do país é a prioridade da equipa de Magyar, dado o curto prazo de pouco mais de três meses até à data limite para a sua execução.
“Temos um prazo final rigoroso: 31 de agosto. Por isso, estamos a trabalhar para o cumprir. Precisamos de cumprir todos os critérios e requisitos até lá”, admitiu a governante, lamentando que já se tenham perdido 2 mil milhões de euros do programa de recuperação e resiliência destinado à Hungria.
Para atingir esse objetivo, o país precisa de desenvolver rapidamente uma série de reformas exigidas pela UE que, por sua vez, implicam “projetos bem estruturados que cumpram todos os critérios de transparência e legalidade”.
Em síntese, “trata-se de restaurar o Estado de Direito, e isso significa garantir que o dinheiro é gasto de forma transparente e livre de corrupção”, resumiu a diplomata de 52 anos, que é também vice-primeira-ministra da Hungria.
Anita Orbán (sem relação com o anterior primeiro-ministro, apesar de ter o mesmo apelido) garantiu também que o novo Governo irá investigar minuciosamente os gastos públicos realizados durante as administrações lideradas pelo ultranacionalista Viktor Orbán.
“Sejamos absolutamente claros: vamos investigar cada cêntimo do dinheiro público gasto. Se encontrarmos indícios de corrupção, encaminharemos os casos para os tribunais e os processos legais serão iniciados, porque este é dinheiro que foi roubado ao povo húngaro”, disse a ministra, assegurando que as investigações devem começar dentro de “alguns dias”.
Esclareceu ainda que Magyar pediu ao presidente do país, Tamás Sulyok, um político próximo de Viktor Orbán, que se demita voluntariamente, insinuando que, caso contrário, poderá ser iniciado um processo de destituição no Parlamento, onde o seu partido, El Tisza, detém mais de dois terços dos lugares.
O El Tisza venceu as eleições parlamentares de 12 de abril com uma larga maioria, pondo fim a 16 anos do governo Orbán.
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