Rede de farmácias representa 1,12% do PIB e sustenta 53 mil empregos, revela estudo da Nova SBE
A rede de farmácias comunitárias é hoje um dos principais pilares dos serviços de proximidade em Portugal, assegurando acesso rápido e conveniente a cuidados de saúde a milhões de cidadãos e contribuindo para aliviar a pressão sobre urgências e centros de saúde. Paralelamente, afirma-se como um relevante motor económico, com um impacto total que representa 1,12% do PIB e cerca de 53 mil empregos sustentados em todo o país.
Estas são algumas das principais conclusões do novo “Estudo do Valor da Rede de Farmácias em Portugal”, apresentado no 15.º Congresso das Farmácias e coordenado pelos investigadores da Nova SBE Pedro Brinca e João Duarte.
Segundo a presidente da Associação Nacional das Farmácias, Ema Paulino, o estudo “evidencia o potencial estratégico das farmácias, pela sua capilaridade, proximidade e confiança junto das populações, reforçando o seu papel como agente de coesão territorial e valorização dos territórios e parceiro do SNS numa resposta em saúde mais eficiente e próxima dos cidadãos”.
De acordo com o relatório, cada 1 euro de atividade das farmácias gera 3,21 euros na economia portuguesa. O setor contribui ainda para a redução da despesa do SNS e devolve 7,8% do orçamento do SNS em receita fiscal para o Estado.
Em termos laborais, as farmácias comunitárias são responsáveis diretamente por 21.632 postos de trabalho, com um peso particularmente relevante no interior do país. O estudo indica ainda que cada emprego no setor gera mais 1,45 empregos na restante economia.
Em 2024, as farmácias atingiram cerca de 3.985 milhões de euros em volume de negócios, um valor comparável ao da Autoeuropa, mas distribuído por micro e pequenas empresas presentes nos 308 concelhos do país e nas ilhas. A atividade gerou 1.066,6 milhões de euros de VAB direto e 478 milhões de euros em remunerações.
O impacto económico total foi estimado em 3.230 milhões de euros de PIB, o equivalente a 1,12% do PIB nacional. Segundo a análise Input-Output do INE, o setor é responsável por 2.496 milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto (VAB) e por 53 mil empregos sustentados.
No plano fiscal, o impacto anual ascende a 1.214 milhões de euros em receitas para o Estado, através de IVA, IRS, Segurança Social e IRC, valor equivalente a 7,8% do orçamento do SNS em 2024.
O estudo destaca também o papel das farmácias no acesso aos cuidados de saúde. Para 82% dos portugueses, a farmácia encontra-se a menos de cinco quilómetros de casa, sendo que 41% se deslocam a pé. Perante sintomas ligeiros, 57,2% dos cidadãos recorrem primeiro à farmácia, enquanto apenas 16,5% procuram inicialmente o centro de saúde.
Portugal conta com 2.920 farmácias comunitárias e cerca de 200 postos farmacêuticos, distribuídos pelos 308 municípios. Mesmo em zonas rurais, o tempo médio de deslocação varia entre 7 a 11 minutos, enquanto o acesso ao hospital pode ultrapassar os 40 minutos.
A confiança dos portugueses nos farmacêuticos mantém-se elevada: três em cada quatro atribuem confiança elevada ou total ao profissional. As farmácias apresentam ainda a maior taxa de satisfação entre os serviços de saúde avaliados, com uma média de 4,51 em 5.
Em 2025, registaram 174,3 milhões de atendimentos, mais de 550 mil por dia útil, sendo que dois em cada três utentes recorrem sempre à mesma farmácia. O país apresenta ainda cerca de 10,8 farmacêuticos comunitários por 10 mil habitantes, cerca de 25% acima da média da União Europeia.
O estudo destaca ainda ganhos para o SNS, estimando que serviços como vacinação sazonal e gestão de situações clínicas ligeiras permitem poupanças relevantes, incluindo uma poupança líquida anual de cerca de 34 milhões de euros com a vacinação.
No plano ambiental, os serviços prestados pelas farmácias evitaram mais de 1.500 toneladas de emissões de CO₂e em 2024/25, sobretudo devido à redução de deslocações. O sistema VALORMED recolheu 1.262 toneladas de resíduos de medicamentos e embalagens, evitando mais 436 toneladas de CO₂e.
No âmbito social, os programas de proximidade das farmácias geram mais de 150 mil interações anuais, incluindo o programa abem:, que apoiou mais de 16 mil beneficiários em situação de vulnerabilidade em 2025.
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