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Governador afirma que “BdP não faz política” e questiona se não pode falar

Governador afirma que “BdP não faz política” e questiona se não pode falar

O governador do Banco de Portugal disse hoje que “o banco central não faz política”, mas estudos e análises sobre temas importantes para a economia e o país e questionou mesmo se o banco central não se pode pronunciar.
“O banco central não pode falar? No Boletim Económico tínhamos uma análise do setor da construção, temos análises do turismo e outros setores, não podemos falar sobre setores de excelência como o setor da restauração, porquê? Aliás, falamos da restauração aqui no REF, em insolvências e alojamento, porque é que não podemos falar, porque é que é política”, questionou o governador em conferência de imprensa, em Lisboa.
Na apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira (REF), Santos Pereira foi questionado sobre as suas intervenções públicas e o impacto na credibilidade e independência do BdP quando visam temas mais politizados, caso da crise da restauração.
Em reação, o governador questionou se o banco central está impedido de falar e afirmou que “o Banco de Portugal não faz política”.
“O Banco de Portugal é o principal ‘think-tank’ do país. Apresentamos dados e estudos que mais ninguém faz neste país, tencionamos aprofundar esses estudos e esses dados em várias áreas para podermos dar mais informação às pessoas e fazer a nossa missão que é serviço público”, disse.
Em 20 de abril, segunda-feira, o governador do Banco de Portugal fez na rede social X publicações intituladas ‘Crise na Restauração?”. Aí, munindo-se de estatísticas (referiu, por exemplo, que o setor cresceu 69% em termos nominais desde 2019, graças à expansão do turismo e do aumento do consumo, e só em 2025 o volume de negócios do setor cresceu 2,9% em termos nominais, face ao ano anterior), Álvaro Santos Pereira afirmou que “em relação à crise na restauração os números são de tal forma evidentes que falam por si”.
 As publicações do governador nessa segunda-feira seguiram-se a uma entrevista no fim de semana da secretária-geral da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), Ana Jacinto, à Antena 1/Jornal de Negócios em que defendeu medidas urgentes de apoio.
A intervenção de Santos Pereira provocou alguma polémica. No mesmo dia, a PRO.VAR – Associação Nacional de Restaurantes considerou a análise do governador “manifestamente redutora” e alertou para o colapso da restauração tradicional.
A PRO.VAR disse que o facto de misturar restaurantes tradicionais, cadeias organizadas, ‘fast food’ e restauração em supermercados pode conduzir a conclusões erradas e desfasadas.
No dia seguinte, a AHRESP reforçou o apelo para medidas de apoio à restauração, considerando que as estatísticas agregadas não medem a crise que vive parte do setor.
Em janeiro passado, o ministro da Economia e da Coesão Territorial anunciou que o Turismo de Portugal vai apoiar as empresas do setor turístico, incluindo a restauração, através do pagamento de dívida à banca e alargando os prazos de devolução do dinheiro ao organismo. Contudo, as medidas anunciadas (já então consideradas insuficientes por associações do setor) nunca foram executadas.

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