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Lisboa e Porto concentram investimento no retalho em 2025 com taxa de disponibilidade abaixo de 6%

Lisboa e Porto concentram investimento no retalho em 2025 com taxa de disponibilidade abaixo de 6%

Lisboa e Porto consolidam-se como os dois principais mercados de retalho imobiliário em Portugal em 2025, com taxas de disponibilidade de espaços comerciais de apenas 5% e 6%, respetivamente, segundo o mais recente relatório da aRetail e do Grupo Gesvalt, divulgado esta terça-feira, 27 de maio de 2026. A restauração e a moda, impulsionadas pelo turismo, mantêm-se como os setores com maior procura para investimento nas duas cidades.
Lisboa concentra 20 mil milhões de euros de investimento no retalho em 2025 e tem apenas 5% de espaços comerciais livres
Lisboa concentrou 29% do setor do retalho imobiliário em 2025, representando uma faturação de 20 mil milhões de euros, segundo o mais recente relatório da aRetail e do Grupo Gesvalt, divulgado esta terça-feira, 27 de maio de 2026. A restauração e a moda são as áreas com maior procura para investimento, impulsionadas pelo crescimento do turismo na capital.
De acordo com o estudo, a Grande Lisboa registou 15,9 milhões de dormidas no último ano, representando 19,5% do total de hóspedes em Portugal e 51,3% do consumo nacional, face aos 19,1% da zona Norte. Esta dinâmica reflete-se diretamente na ocupação dos espaços comerciais: o centro de Lisboa apresenta atualmente apenas 5% de disponibilidade de imóveis para retalho.
Na baixa lisboeta, a ocupação é liderada pela moda, que representa 65% dos espaços — 20% dos quais ocupados por joalharia — seguida dos serviços com 9% e outros setores com 13%. A restauração ocupa 6% e os cosméticos 2%. A procura, no entanto, continua a ser dominada pela restauração, com 47% dos pedidos, e pela moda, com 26%, com destaque ainda para o segmento de luxo.
As principais artérias da capital, como o eixo Baixa-Chiado, Rossio-Restauradores-Avenida da Liberdade e Príncipe Real-Rato, mantêm-se como zonas prime para as marcas, sobretudo de luxo. A pressão imobiliária nestas áreas traduz-se em rendas elevadas e baixa rotação de espaços. Os valores variam entre 65 euros e 240 euros por metro quadrado: espaços acima de mil metros quadrados têm rendas entre 65 euros e 75 euros/m², enquanto lojas com menos de 100 m² oscilam entre 220 euros e 240 euros/m². A Avenida da Liberdade apresenta o maior retorno de investimento, com yields entre 4,25% e 5%.
O relatório destaca que o Chiado continua a ser a zona mais prestigiada da cidade, combinando marcas premium, moda e cultura, enquanto o Príncipe Real se afirma como uma área trendy com forte procura por marcas internacionais junto de um público mais jovem. Já o eixo Avenida da Liberdade – Rossio/Restauradores mantém-se como a principal avenida do luxo em Portugal, com grande fluxo turístico e uma procura superior à oferta disponível.
Porto consolida segundo lugar com rendas em alta e 6% de disponibilidade
O Porto afirma-se como o segundo mercado nacional de retalho imobiliário, impulsionado pelo turismo. A cidade registou perto de 10 milhões de dormidas em 2025, um crescimento de 4,6% na procura turística, e apresenta uma disponibilidade de imóveis comerciais de 6%. O crescimento das rendas situou-se nos 9,5% no último ano.
As rendas de retalho no Porto variam entre 50 euros e 160 euros por metro quadrado, ligeiramente abaixo de Lisboa. Espaços acima de mil metros quadrados têm valores entre 50 euros e 60 euros/m², enquanto lojas até 100 m² chegam aos 140 euros-160 euros/m². Os principais eixos de investimento são a Baixa, Avenida dos Aliados e Clérigos. As marcas de luxo concentram-se nos Aliados, enquanto os Clérigos combinam retail urbano com ócio noturno.
No centro da cidade, a ocupação é liderada pela moda com 53% — 5% em joalharia — seguida da restauração com 10%, cosméticos com 8%, serviços com 6% e outros setores com 16%. Na procura por novos espaços, a restauração lidera com 54% e a moda com 35%. A zona central de Santa Catarina apresenta um yield entre 4,75% e 6%, acima dos valores de Lisboa, mas a falta de oferta nas zonas centrais limita o crescimento e reforça a importância dos centros comerciais. Ao contrário de Lisboa, o Porto ainda regista 1% de disponibilidade de imóveis dedicados à habitação.
aRetail reforça posição nas duas cidades
Em 2025, a aRetail reforçou a presença no mercado português. Em Lisboa, mediou operações no centro de Cascais, acompanhou a Parfois na abertura de uma loja na Rua Augusta e um novo espaço cultural na Rua dos Fanqueiros. No Porto, assessorou a localização de uma loja Scalpers e intermediou um investimento na área da restauração na Rua de Santa Catarina, demonstrando que ainda é possível diversificar a implantação no centro sem recorrer a grandes superfícies.
A aRetail, consultora especializada na venda e arrendamento de espaços comerciais do Grupo aFinance, atua junto de operadores em expansão, investidores e fundos nacionais e internacionais, com escritórios em Barcelona e Madrid e uma equipa de mais de 40 profissionais. O Grupo Gesvalt, com mais de 30 anos de experiência, é referência em consultoria, avaliação e serviços técnicos, com presença em Espanha, Portugal e Colômbia, integrando o Valuation Research Group, com operação em mais de 60 países.

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