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Mau tempo: Solidariedade comunitária pós-Kristin foi verdadeiro motor de resiliência

Mau tempo: Solidariedade comunitária pós-Kristin foi verdadeiro motor de resiliência

Um estudo desenvolvido pelo Instituto Politécnico de Leiria para avaliar o impacto da depressão Kristin no distrito de Leiria concluiu que a “solidariedade comunitária foi o verdadeiro motor de resiliência”, garantiu o investigador Ricardo Cavadas.
“O fator que mais fortemente determinou a acumulação de redes de apoio, confiança interpessoal e capital social foi a solidariedade entre cidadãos, vizinhos, famílias, comunidades que se organizaram espontaneamente”, disse Ricardo Cavadas.
Para o investigador, “mais do que qualquer intervenção institucional medida, foi a entreajuda que sustentou a recuperação” após a depressão Kristin, há precisamente quatro meses, e as “instituições devem aprender a apoiar e amplificar essa solidariedade, não a substituir”.
Designado “Sistemas de resposta a crises, impacto da tempestade Kristin”, o estudo do Politécnico de Leiria, através do Centro de Investigação Aplicada em Economia e Gestão (CARME, na sigla em inglês), sediado na Escola Superior de Tecnologia e Gestão, está a ser desenvolvido por Ricardo Cavadas, investigador principal, Alzira Marques, coordenadora científica, e também o professor António Carrizo.
Numa primeira fase, quantitativa, o estudo analisou 688 respostas válidas do distrito de Leiria, recolhidas de março a maio, concluindo também que “a liderança foi, claramente, o fator mais determinante para a confiança”.
“As pessoas confiaram nas instituições através do seu líder local. Em alguns casos, quando a liderança foi percebida como fraca ou ausente, as pessoas deixaram de confiar. Portanto, aqui houve um forte impacto na liderança, na confiança”, declarou Ricardo Cavadas, explicando que “a comunicação contribuiu também para a confiança, mas ficou muito aquém”.
Neste aspeto, recordou que “as pessoas ficaram sem comunicações e toda a comunicação que foi feita foi, essencialmente, no digital”.
“A informação não chegou à população em tempo útil e baixou muito a confiança que a população teve nas instituições”, observou, defendendo que “as instituições terão de pensar noutro tipo de comunicação, noutro tipo de formação à população antecipadamente às catástrofes ou, quando houver uma catástrofe, de que forma podem comunicar sem estarem totalmente dependentes do digital”.
O recurso à distribuição de folhetos porta a porta ou a passagem de carros com megafones “a explicar às pessoas o que é que se está a passar, o que é que elas devem fazer”, são exemplos.
“A informação a que eu cheguei é que as pessoas ficaram sem saber aquilo que deveriam de fazer”, sublinhou o docente do Politécnico.
Outra conclusão, relativa à qualidade de vida e sustentabilidade, notou que “as comunidades com redes de apoio mais sólidas durante a crise reportaram melhor qualidade de vida e perspetivas mais positivas de sustentabilidade”, mas, pela negativa, observou que “a falha dos seguros alimenta a fragilidade económica”.
“Os dados de privação e cobertura de seguros corroboram este resultado: grande parte das famílias afetadas não tinha proteção financeira adequada. A recuperação económica não depende apenas da solidariedade, depende de mecanismos formais que, neste caso, falharam ou estavam ausentes”, acrescentou o investigador na área do marketing social.
Entre as recomendações preliminares do estudo está a necessidade de “formar líderes para crises”, assim como a necessidade de “redesenhar a comunicação de crise, para ser bidirecional e resiliente à falha de infraestruturas”, referiu o investigador.
Ricardo Cavadas acrescentou ainda a importância de “apoiar e mapear onde é que está a solidariedade comunitária” e a resolução da lacuna dos seguros.
“Com 40% das famílias com perda de rendimento sem qualquer cobertura de seguro, qualquer política de resiliência económica que não aborde esta lacuna está incompleta”, sustentou.

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