PIB moçambicano com mais 9.460 milhões de euros por ano com projeto de gás da Exxon
O Standard Bank estima que Moçambique registe um acréscimo médio anual de 9.460 milhões de euros ao Produto Interno Bruto (PIB) com a exploração de gás no projeto Rovuma LGN, da ExxonMobil, segundo um estudo divulgado hoje.
“As estimativas apontam para um acréscimo médio de cerca de 11 mil milhões de dólares [9.460 milhões de euros] anuais ao PIB [Produto Interno Bruto] de Moçambique”, disse hoje o administrador-delegado do Standard Bank Moçambique, Bernardo Aparício, no lançamento, em Maputo, do estudo independente sobre o impacto macroeconómico do projeto Rovuma LNG.
Segundo o responsável, este acréscimo representa uma “verdadeira mudança”, capaz de acelerar o crescimento económico do país para “patamares compatíveis com a ambição de desenvolvimento” que, nos últimos anos, tem registado níveis ainda “relativamente modestos”.
“Este é, antes de mais, um momento de visão sobre o que Moçambique pode ser nas próximas décadas, se conseguir transformar o potencial dos seus recursos naturais em crescimento sustentável, emprego e melhores condições de vida para todos”, considerou Bernardo Aparício.
O administrador-delegado do Standard Bank considerou ainda que a exploração do Gás Natural Liquefeito (GNL) na Área 4 da bacia do Rovuma, cujo projeto de exploração, ao largo da província de Cabo Delgado, norte do país, é liderado pelo consórcio ExxonMobil, representa “uma das oportunidades mais significativas que o país já teve”, destacando-se como um marco histórico pelo potencial de redesenhar a economia moçambicana.
A ExxonMobil pretende anunciar a decisão final de investimento do megaprojeto de Gás Natural Liquefeito (GNL) em Cabo Delgado no segundo semestre, revelou em 18 de março o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, após reunião, em Bruxelas, com administradores da petrolífera.
A petrolífera norte-americana anunciou em 20 de novembro que levantou a declaração de ‘força maior’ para o megaprojeto de gás natural em Cabo Delgado, passo essencial para a Decisão Final de Investimento (FID, na sigla em inglês), prevista para 2026.
A petrolífera suspendeu o projeto de gás Rovuma LNG, um dos maiores em África, avaliado em 30 mil milhões de dólares (25,9 mil milhões de euros), na sequência dos ataques de extremistas islâmicos em 2021.
O estudo apresentado hoje estima ainda que o projeto poderá gerar cerca de 151.000 postos de trabalho ao longo da cadeia de valor, incluindo empregos diretos, indiretos e induzidos.
“Isto significa mais oportunidades para jovens qualificados, mais espaço para programas de formação técnica e profissional, mais atividade para pequenas e médias empresas que prestam serviços de engenharia, logística, construção, alimentação, segurança”, enumerou Bernardo Aparício, considerando que o emprego não se esgota nas operações de gás, mas na economia real do país.
Já para o impacto fiscal, estima-se que o projeto possa gerar cerca de 4.000 milhões de dólares (3.440 milhões de euros) anuais em receitas para o Estado moçambicano, considerando que, com boa governação, este volume pode “alterar de forma estrutural a capacidade do país de investir em infraestruturas”, dos quais destacou estradas, energia, portos, sistemas de águas e saneamento.
“É também uma oportunidade para reforçar a sustentabilidade da dívida pública e aumentar a margem de manobra para políticas sociais que protejam os mais vulneráveis”, acrescentou o responsável do Standard Bank.
Moçambique tem três megaprojetos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de GNL da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo de Cabo Delgado, incluindo o da TotalEnergies, de 13 milhões de toneladas por ano (mtpa),retomado este ano, e este (Área 4) da ExxonMobil, de 18 mtpa, ambos em Afungi.
Soma-se o da italina Eni, que já produz desde 2022 cerca de sete mtpa, a partir da plataforma flutuante Coral Sul, que será duplicada a partir de 2028 com a plataforma Coral Norte, estando em estudo uma terceira plataforma para a mesma área.
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