Estudo da Mudey conclui que 40% dos portugueses estão insatisfeitos com o seguro da casa
A Mudey apresentou esta sexta-feira, dia 29, em Lisboa o “Barómetro Seguro Multirriscos Habitação 2026: como os portugueses protegem as suas casas?”, um estudo que traz dados sobre o desconhecimento dos portugueses em relação ao seguro da casa, algo que ganha especial relevância com o debate público atual sobre o risco sísmico e o impacto das recentes tempestades na habitação.
Segundo o estudo, quatro em cada dez portugueses com seguro multirriscos habitação estão insatisfeitos com o produto, aponta o barómetro “Como os portugueses protegem as suas casas?”, divulgado esta quinta-feira pela insurtech Mudey. O nível médio de satisfação dos inquiridos situa-se nos 6,9 pontos, numa escala de 0 a 10, e os principais fatores que explicam o descontentamento são o preço, o canal de contratação e o motivo que levou à subscrição da apólice.
O estudo, realizado entre março e abril de 2026 com 375 respostas válidas, mostra que 26% dos portugueses consideram o seguro caro, enquanto 20% admitem nem saber quanto pagam mensalmente. Apesar de 54% classificarem o valor como justo, a perceção de custo pesa na avaliação global do produto.
A forma como se chega ao seguro faz diferença. Entre os proprietários com crédito habitação ativo, 60% contrataram o multirriscos por exigência do banco. Já entre quem liquidou o empréstimo, 80% mantém a apólice para proteger o património. Essa mudança de motivação reflete-se nos níveis de satisfação: quem subscreveu o seguro de forma voluntária para proteger a habitação atribui uma nota média de 7,2. A classificação desce para 6,6 entre quem o fez por imposição bancária e para 6,2 quando a contratação resulta de obrigação legal.
“A obrigação cria o hábito, e o hábito revela o valor”, explica Ana Teixeira, cofundadora e CEO da Mudey. Segundo a responsável, a relação que o consumidor constrói com o seguro influencia diretamente a forma como o valoriza. Quando existe um papel mais ativo na escolha, na comparação de ofertas ou na definição de coberturas, os níveis de satisfação sobem. Pelo contrário, quando o seguro é percecionado apenas como uma obrigação, o sentimento tende a ser mais negativo e distante.
O barómetro expõe também uma lacuna relevante de literacia. Embora 38% dos inquiridos classifiquem os seus conhecimentos sobre o multirriscos como altos ou muito altos, na prática acertaram em média apenas 1,8 de quatro perguntas sobre funcionamento e obrigatoriedade de coberturas. O desconhecimento é mais evidente nas proteções específicas: 21% não sabiam se tinham cobertura para fenómenos sísmicos e 25% desconheciam se estavam protegidos contra tempestades e outros fenómenos da natureza.
Para Ana Teixeira, os dados reforçam o desafio do setor segurador em garantir proximidade e acesso simples à informação. “Maior compreensão conduz a uma maior valorização do seguro e níveis de satisfação superiores”, defende. A executiva sublinha que o setor deve trabalhar para que o consumidor perceba o valor real da proteção contratada, mesmo quando a subscrição decorre de uma exigência legal ou bancária.
As tempestades registadas no início do ano reacenderam o debate sobre a adequação das apólices em Portugal e motivaram a Mudey a avaliar o conhecimento e a satisfação dos consumidores. Criada em 2020, a insurtech opera como o primeiro mediador de seguros 100% digital no país e conta atualmente com mais de 60 mil utilizadores. A plataforma integra mais de 20 seguradoras e permite pesquisar, comparar e gerir produtos num único local.
A Mudey é uma insurtech portuguesa fundada em 2020. Foi a criadora do primeiro mediador de seguros 100% digital em Portugal.
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