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Encíclica do Papa Leão XIV une movimento global para travar avanço da Inteligência Artificial

Encíclica do Papa Leão XIV une movimento global para travar avanço da Inteligência Artificial

A carta do Papa Leão XIV motivou, nos últimos dias, reações globais a favor de abrandar o desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA). Os movimentos até agora descoordenados em dezenas de países encontraram um argumento integrador na encíclica Magnifica Humanitas. O objetivo consiste em promover futuros mecanismos de contenção, mais além das tíbias restrições do punhado de grandes companhias proprietárias da tecnologia.
Na frente desta corrente de opinião — agora liderada pelo Vaticano —, encontra-se a União Europeia, em vésperas da entrada em vigor da IA Act e respaldada pelo regulamento europeu, vigente desde 2024.
Em território europeu, a referida IA Act é o primeiro grande regulamento sobre IA do mundo que estabelece três categorias de risco. Segundo fontes comunitárias, em primeiro lugar, são proibidas “as aplicações e sistemas que impliquem um risco inaceitável, como os sistemas de pontuação social geridos pelo governo, como os que são utilizados na China. Em segundo lugar, as aplicações de alto risco, como uma ferramenta de triagem de currículos que classifica os candidatos a um emprego, estão sujeitas a requisitos legais específicos. Por último, as aplicações que não estão explicitamente proibidas ou catalogadas como de alto risco ficam, em grande medida, não regulamentadas”, expostas à autorregulação do mercado.
À margem da implícita subordinação global face às Big Tech ou da necessidade de alinhamento entre as motivações da tecnocracia (Google, OpenAI, Anthropic, Grok, Alibaba, entre outros intervenientes) e os interesses do resto da Humanidade, a mensagem do Pontífice incidiu num elemento que para muitos passou despercebido: “A impressionante velocidade de desenvolvimento destes sistemas”, ritmo que ameaça “deixar obsoleta em pouco tempo qualquer afirmação sobre a IA”. O temor de que a IA se possa descontrolar subjaz a médio e longo prazo.
Os peritos consultados pelo “El Economista” coincidem em que a inovação tecnológica e a regulação caminharam historicamente de forma descompassada. No entanto, desde há pouco mais de três anos — desde a irrupção do ChatGPT e da IA Generativa —, a vertigem das melhorias de cada versão pode converter-se num assunto de altíssimo risco. O impacto da IA sobre a população começa a ser comparado em quadrantes científicos com a ameaça latente da energia nuclear ou o desenvolvimento de fármacos ou vacinas sem as devidas salvaguardas sanitárias.

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