Líder da oposição em Taiwan inicia visita de duas semanas aos Estados Unidos
A líder da oposição taiwanesa, Cheng Li-wun, parte hoje para uma visita de duas semanas aos Estados Unidos, dois meses após se ter reunido com o Presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim.
Durante a estadia nos Estados Unidos, a presidente do Kuomintang (KMT), principal partido da oposição em Taiwan, visitará São Francisco, Boston, Nova Iorque, Washington e Los Angeles, onde terá encontros com legisladores, responsáveis governamentais e especialistas em política norte-americana.
Em declarações citadas pela agência de notícias taiwanesa CNA, o representante do KMT nos Estados Unidos, Victor Chin, afirmou que Cheng estará em Washington entre 9 e 12 de junho para se reunir com membros do Congresso e participar em encontros à porta fechada em “três importantes centros de investigação”.
Segundo Chin, as conversações irão centrar-se na paz e estabilidade no Estreito de Taiwan, na segurança regional e no futuro das relações entre Taipé e Washington.
Num evento realizado no domingo na cidade de Kaohsiung, no sul da ilha, Cheng afirmou que o objetivo da visita é ajudar os Estados Unidos a compreender que o KMT é o “verdadeiro amigo” de Washington e o único partido capaz de garantir que as relações entre os dois lados do Estreito de Taiwan permaneçam pacíficas e livres de conflito.
A deslocação ocorre após o encontro de 10 de abril entre Cheng e Xi Jinping, em Pequim, o primeiro contacto direto entre os líderes máximos do KMT e do Partido Comunista Chinês em quase uma década.
Na reunião, Xi e Cheng enquadraram a China e Taiwan como parte de uma mesma “civilização chinesa” e manifestaram oposição a uma eventual declaração formal de independência da ilha, governada autonomamente desde 1949.
Cheng é também uma das vozes mais críticas de um aumento que considera excessivo das despesas militares de Taiwan.
O KMT e o minoritário Partido Popular de Taiwan (PPT), que detêm a maioria parlamentar, aprovaram no início de maio um pacote especial de defesa no valor de 780 mil milhões de dólares taiwaneses (21,3 mil milhões de euros) até 2033.
O montante representa cerca de dois terços da proposta inicial do Governo, que pretendia elevar a despesa militar para 1,25 biliões de dólares taiwaneses (33,9 mil milhões de euros), e contempla apenas a aquisição de armamento norte-americano, excluindo a compra de veículos aéreos não tripulados (‘drones’) e outros sistemas produzidos localmente.
Esta posição gerou reservas nos Estados Unidos, principal fornecedor de armamento de Taiwan e país que poderá intervir em defesa da ilha em caso de invasão chinesa, apesar de não manter relações diplomáticas formais com Taipé.
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