Powell avisa: ataques de Trump são “testes de stress” para a Fed
Jerome Powell, antigo presidente da Reserva Federal norte-americana que regressou recentemente ao papel de governador, considera que o banco central está a atravessar um “teste de stress” com as tentativas de Trump de despedir os seus representantes, tal como várias outras instituições.
No discurso de aceitação do Prémio de Coragem John F. Kennedy, Powell afirmou que, “tal como muitas outras instituições”, a Fed está a ser sujeita a um teste de stress, dados os ataques à sua independência e a perceção pública quanto à sua credibilidade.
“Se alguma administração arranjar forma de despedir representantes da Fed por diferenças políticas, então administrações futuras farão o mesmo”, afirmou, acrescentando que “o público perderia a confiança que o banco central tomará as decisões com base exclusivamente no que é melhor para todos os norte-americanos”.
Desde o regresso de Trump à Casa Branca, a Fed tem estado sob forte pressão para cortar juros, de forma a estimular a economia em linha com os desejos do presidente.
Já antes de ser reeleito, Trump sugeriu várias vezes que poderia despedir Powell, o que o mercado veria como um ataque sem precedentes à independência do banco central. Depois de ter colocado de parte essa ideia, o presidente avançou com o despedimento de Lisa Cook, uma das governadoras da Fed – despedimento esse cuja legalidade está ainda a ser deliberada pelo Supremo Tribunal.
Depois deste episódio, o Departamento de Justiça avançou com uma investigação sobre derrapagens orçamentais nas obras de renovação do edifício da Fed, um momento crucial no mandato de Powell em que a independência do banco central esteve mais debaixo de fogo do que nunca. Dias antes, o presidente havia visitado o edifício, numa tarde cheia de momentos insólitos e que colocaram ambos os homens frente-a-frente em diversas ocasiões.
“As instituições democráticas levam muito tempo, esforço e paciência para construir e isso pode ser tudo deitado a perder num instante”, resumiu, considerando “essencial preservarmos o que está correto nelas enquanto ambicionamos melhorá-las”.
Powell abandonou recentemente a liderança da Fed, lugar agora ocupado por Kevin Warsh, nomeado por Trump e confirmado na passada semana pelo Senado. No entanto, e contrariamente à tradição do banco central, o antigo presidente ocupará o lugar de governador até 2028, quando acaba o seu mandato na autoridade monetária.
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