Sargentos criticam “medidas superficiais” para recrutar jovens e alertam para atrasos
A Associação Nacional de Sargentos (ANS) considerou hoje que as medidas do programa civico-militar proposto pela AD são “superficiais e de cariz publicitário” e defendeu que não vão resolver o problema da retenção de efetivos.
“A retenção de efetivos não se resolve apenas com medidas superficiais de cariz publicitário. Resolve-se com o respeito pelo estatuído na Lei das Bases Gerais do Estatuto da Condição Militar”, argumentou a ANS, em comunicado, numa reação à aprovação de uma recomendação do PSD/CDS-PP para que seja criado um programa de atração de jovens às Forças Armadas.
Segundo a recomendação, aprovada na sexta-feira passada, o programa teria a duração de três a seis semanas, prevendo uma retribuição única de 439 euros no final, e a possibilidade de os jovens tirarem a carta gratuitamente.
Para a ANS, os militares “não precisam de oferendas para se alistarem” mas sim de “perspetivas de futuro”, estabilidade e repeito.
“O respeito pela condição militar vale mais que 439 euros! O bloqueio das carreiras, a ausência de perspetivas de progressão, a degradação das condições assistenciais, entre tantas outras preocupações dos sargentos portugueses têm de assumir prioridade pelos que foram mandatados pelos eleitores, entre os quais se encontram estes cidadãos e trabalhadores em uniforme”, alertam.
Salientando que têm vindo a alertar para a gravidade do problema da retenção de efetivos, os sargentos consideram que “esse problema não se conseguirá resolver com medidas como estas”.
A associação recorda que já alertou para o facto de ainda não ter sido publicado o decreto que fixa os efetivos para o triénio 2025-2027, mantendo-se em vigor o decreto anterior, relativo ao período 2022-2024.
“Nesse sentido, e uma vez que as promoções estão dependentes da fixação dos efetivos, se esse diploma se mantém em vigor, porque é que, a um curto espaço temporal de finalizarmos o primeiro semestre do ano, os militares com vaga a 01 de janeiro ainda não vislumbram a progressão vertical no horizonte? São já cinco meses de esbulho remuneratório, que já dava uma ajuda a pagar a carta de condução a um filho”, ironizam.
“Que mensagem se transmite aos militares no ativo quando o Estado não consegue assegurar, atempadamente, a gestão regular das suas carreiras? Que confiança podem ter os jovens numa instituição onde a progressão profissional permanece dependente de atrasos administrativos sucessivos com consequências financeiras imediatas e que se irão refletir no cálculo da sua pensão de reforma?”, questionam.
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