A carregar agora

Eventual saída da Fosun do capital do BCP desperta interesse dos bancos espanhóis mas Lisboa resiste, segundo Cinco Días

Eventual saída da Fosun do capital do BCP desperta interesse dos bancos espanhóis mas Lisboa resiste, segundo Cinco Días

Os bancos espanhóis estão focados na venda do BCP, apesar dos obstáculos impostos pelo governo português. Hoje o jornal espanhol Cinco Días escreve que um novo negócio está a caminho para o setor bancário espanhol, desta vez para lá das fronteiras, em Portugal.  Com a CaixaBank e o Santander na linha da frente, o governo português não quer que Espanha, que detém um terço da quota de mercado, continue a aumentar a sua presença.
Segundo o Cinco Días, a saída da Fosun, a confirmar-se, abre a porta à entrada de novos investidores que podem, mais tarde, avançar para uma aquisição total da instituição. Os dois bancos com interesse mais evidente seriam o CaixaBank e o BBVA. O BBVA surge como um candidato particularmente motivado: o banco estaria a tentar compensar o fracasso da oferta pública de aquisição sobre o Banco Sabadell no ano passado, e uma entrada no capital do BCP — com valorização semelhante à do Sabadell, em torno dos 14 mil milhões de euros — repetiria a estratégia que o banco usou para entrar no México e na Turquia.
A favor da banca espanhola está Bruxelas, que tem vindo a incentivar aquisições transfronteiriças e a criação de bancos europeus de maior dimensão. Entre outros nomes citados pelo jornal espanhol figuram ainda a seguradora belga Ageas e o italiano UniCredit. O UniCredit poderia ter interesse no BCP devido ao negócio polaco do banco português, numa altura em que a instituição italiana tem em curso uma OPA sobre um banco alemão.
Depois da venda do Novobanco ao grupo francês BPCE no ano passado, o mercado português sugere agora que o investidor chinês Fosun poderá alienar a sua participação de 20% no BCP, o que poderá abrir caminho a uma venda subsequente.
A Fosun está a avaliar qual a melhor forma de alienar a participação que detém no BCP, atualmente nos 20,45%, dez anos depois de se ter tornado acionista da instituição. O conglomerado chinês já terá contratado assessores para sondar o apetite do mercado por uma participação que ronda os 20,45%, embora, sem uma proposta interessante, a Fosun prefira manter a posição no BCP por causa dos dividendos.
A posição está avaliada em cerca de 2,7 mil milhões de euros. As ações do banco liderado por Miguel Maya têm vindo a escalar ano após ano desde a pandemia, quando chegaram a valer menos de dez cêntimos, e fecham atualmente perto dos 90 cêntimos — ou seja, nove vezes mais no espaço de cerca de cinco anos. No total, a Fosun terá investido pouco mais de 700 milhões de euros no BCP e poderá sair com uma mais-valia de 2,4 mil milhões de euros com a venda de ações, a que acrescem cerca de 260 milhões em dividendos.
O entusiasmo espanhol esbarra, no entanto, num obstáculo político claro. O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, quer evitar que a banca espanhola — que representa atualmente cerca de um terço do mercado bancário português — aumente a sua quota. O governante considera que “seria bom para o mercado bancário português que a presença espanhola, contra a qual naturalmente nada temos, não aumentasse”. Esta posição foi reforçada durante o processo de venda do Novobanco, onde Lisboa transmitiu o mesmo recado a Madrid.
Segundo noticiou já o Jornal Económico, existe um “acordo de cavalheiros” entre o BCP e o Governo para que, em caso de alteração acionista relevante, o banco mantenha o Estado informado. O BCP está nos holofotes do Executivo desde que surgiu no mercado a possibilidade de a Fosun aproveitar a valorização das ações para realizar elevadas mais-valias.
Para além dos espanhóis, surge a Ageas como potencial compradora de uma fatia minoritária. A seguradora belga está a avaliar a entrada no capital do BCP em caso de desinvestimento dos chineses da Fosun, numa participação que terá de ficar limitada a 5%, devido a questões relacionadas com rácios de capital. A motivação é clara: a parceria de bancassurance com o BCP, existente desde 2005, termina em 2029, e o investimento numa participação minoritária funcionaria como forma de manter o acordo de distribuição de seguros, considerado um dos mais valiosos para o grupo Ageas.
Do lado do BCP, Miguel Maya tem procurado gerir a incerteza acionista com uma política de dividendos generosa. O CEO surpreendeu o mercado ao anunciar uma remuneração para os acionistas correspondente a 90% do resultado anual, acima do máximo de 75% previsto no plano estratégico 2026-2028, acreditando que o banco está perante uma oportunidade de refazer a sua base acionista.
Para já, não existe nenhuma iniciativa concreta por parte da Fosun para vender os 20,45% que detém no BCP — e, relativamente aos chineses, “nunca se sabe o que vão fazer amanhã”,  segundo fontes próximas do processo.

Share this content:

Publicar comentário