WRC, Sébastien Ogier assume desilusão: “2º lugar é o primeiro derrotado…”
Sébastien Ogier terminou o Rali do Japão na segunda posição, atrás do seu colega de equipa e líder do mundial, Elfyn Evans. O piloto francês, que sentiu dificuldades em encontrar o seu ritmo habitual no asfalto nipónico, fechou a prova a 12,8 segundos do vencedor. O resultado reforça a liderança de Evans no campeonato, deixando Ogier frustrado com o desfecho estratégico da prova.
O troço decisivo e a vantagem da estradaA luta pela vitória ficou praticamente decidida na manhã de sexta-feira, logo na primeira passagem pela classificativa de Isegami’s Tunnel. Beneficiando do facto de abrir a estrada, Evans encontrou condições de aderência muito superiores, antes que os carros seguintes trouxessem lama e detritos para a trajetória. Ogier cedeu 16,7 segundos nessa única especial cronometrada, uma desvantagem que se revelou irrecuperável até ao final do evento.
“Foi, sem dúvida, o momento decisivo do fim de semana”, reconheceu Ogier, que preferiu não focar a sua análise em desculpas desportivas. “O líder do campeonato também merece ter vantagem às vezes. Se está na frente, significa que fez um bom trabalho antes. Daqui para a frente, ele provavelmente terá muitas dificuldades a abrir a estrada, por isso não nos podemos queixar.”
Desafios com os pneus no asfalto japonêsPara além das condições de partida, a gestão das borrachas sob temperaturas elevadas revelou-se o maior obstáculo para o francês nas exigentes e sinuosas estradas de asfalto. A sequência ininterrupta de curvas colocou uma enorme energia sobre os pneus, impedindo Ogier de alcançar o nível de performance que habitualmente demonstra nesta superfície.
Apesar de várias alterações feitas na afinação do Toyota GR Yaris Rally1, em conjunto com o co-piloto Vincent Landais, o equilíbrio ideal nunca foi encontrado. “Tentámos tudo o que podíamos com o ‘set-up’, mas simplesmente não se adequa ao meu estilo de condução”, explicou o piloto. “Em condições de calor extremo foi mais difícil. Não estivemos tão bem como as pessoas estão habituadas a ver-nos no asfalto, mas não foi uma má exibição.”
Com a vitória garantida, Evans celebrou o seu terceiro triunfo em solo japonês. Sem esconder o desalento pelo resultado final, Ogier foi perentório sobre as suas ambições: “Vínhamos aqui para vencer e é apenas um segundo lugar. Para mim, o segundo lugar é ser o primeiro dos derrotados, por isso não posso estar cem por cento feliz.”
O fim de uma era no WRCO Rali do Japão marcou igualmente a despedida dos atuais carros da categoria Rally1 dos troços de asfalto, uma vez que o campeonato irá introduzir uma nova geração de máquinas na próxima temporada. Ogier, que já atravessou diversas eras técnicas na sua carreira, elogiou o comportamento dinâmico destes veículos na superfície selada, antecipando um “passo atrás” em termos de performance pura com os novos regulamentos, embora encare a evolução do desporto com naturalidade.
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