Humberto Silva assume erros e promete “volta de 180 graus” no Rally de Lisboa
Presidente do CPKA “dá o peito às balas” e justifica edição atípica com falta de tempo e imposições externas
O presidente do CPKA, Humberto Silva, assumiu a total responsabilidade pelas falhas na organização do Rally de Lisboa, afirmando-se como o “primeiro e maior crítico” do evento. Numa postura de frontalidade face às críticas, o dirigente garantiu que a prova terá de levar uma “volta de 180 graus” na próxima edição.Segundo o responsável, as debilidades — que incluíram atrasos horários, troços excessivamente rápidos e uma localização de recurso para o Parque de Assistência — resultaram de uma “bola de neve” de imprevistos e emergências.Humberto Silva revelou que as contrariedades começaram com a tempestade Kristin, a que se somaram constrangimentos burocráticos e alterações de última hora impostas pelas câmaras municipais e pelas Infraestruturas de Portugal. “Tivemos a perfeita consciência que não era esta prova que queríamos fazer, mas tivemos de o fazer”, desabafou, justificando que a alternativa seria o cancelamento. Para o futuro, o CPKA planeia relocalizar a estrutura logística em Lisboa e alterar a data da prova para setembro ou outubro.
Quem conhece Humberto Silva sabe que frontalidade, é com ele. Confrontado com as críticas, enfrentou-as a todas, quer seja admitindo-as, explicando-as, ou simplesmente, aceitando-as: “O rali foi igual. Retirando a localização do Parque de Assistência, tudo o resto, foi mais para a direita, mais para a esquerda, só teve um troço totalmente novo que foi metido à última da hora, porque o rali foi alterado mais de 30 vezes. Sabiam? Por causa, não se pode ir para aqui, não se pode ir para ali, não se pode ir para este lado, não se pode isto mais aquilo, agora estava pronto, agora já não estava. Que foi o que aconteceu com Sobral Monte Agraço.Estava rápido demais. Isso daí aceitam-se as críticas, tudo bem, têm razão e não volta a acontecer.”
“Relativamente ao resto, têm razão, eu sabia que estava mal, mas não tinha hipótese de fazer doutra forma.Todas essas críticas que nos estão a referir agora, eu antes do rali ir para a estrada, já sabia. Nós já sabíamos que o rali estava longe da perfeição há um, dois meses, percebem? Assim de repente antes de falar no pormenor, é que este rali tem de levar uma volta de 180 graus. Ponto!!
“Existiram uma série de situações, como os atrasos. Por exemplo, num dos casos, tivemos de atrasar a prova.Se forem ver, há um horário em que a prova esteve inicialmente prevista de uma forma, e depois teve de ficar uma hora atrasada, porque nos foi imposto pela Câmara de Mafra…”
“Começando pelo princípio. O rali, mal aconteceu a desgraça da tempestade Kristin, depressa percebemos que seria muito difícil ter um rali em condições, não tínhamos grandes condições de fazer a prova.Mas depois, viu-se, não havia datas. Ou se fazia agora, ou não fazia. Esse foi logo o primeiro ponto.A seguir, houve as situações das estradas! E neste caso foi até à última hora a modificar, modificar, modificar. Principalmente o troço de Sobral Monte Agraço. Depois, as Infraestruturas de Portugal, estava prevista uma zona para o início do troço, mas não, porque aquilo era uma estrada única que dava acesso a camiões a Sobral Monte Agraço. Depois fez-se uma alternativa, podia-se lá passar, mesmo com a ‘estrada partida’, mas algum tempo depois, afinal não, não deixaram.Perderam-se dois meses com este tipo de situações, com 50 versões de uma classificativa e retificações nas restantes.Compreendo e aceito que houve zonas demasiado rápidas. Em Sobral de Monte Agraço deviam-se ter colocado duas a três chicanes! Aceito totalmente a crítica, é verdade, mas com tanta coisa a suceder, não se fez, como muitas outras coisas não se fizeram. Como disse, aceitamos todas as críticas. Mas o que muita gente não sabe é que tivemos muitas situações de emergências até à última semana antes da prova, com coisas que estavam a ser mudadas constantemente, com versões, estradas que podiam ser usadas, depois já não podiam, depois tornava a poder-se. As pessoas não imaginam o que passámos no CPKA. Foi uma luta contra o tempo tremenda e mesmo quase desumana.Se tivesse de resumir, diria que o rali foi inicialmente programado de uma forma… e foi totalmente diferente do que nós fomos obrigados a fazer. É essa a verdade dos factos.”
“Eu na apresentação da prova, dei entrevistas e disse-o, não era a prova que tínhamos projetado, mas sim a que fomos ‘obrigados’ a fazer. Eu tinha a perfeita consciência que não era esta a prova que queríamos fazer, mas tivemos de o fazer. Eu aceito e sou o primeiro crítico do Rali de Lisboa que fizemos, por isso compreendo e aceito as críticas, nem todas são totalmente justas, mas aceito-as.Por exemplo, falaram da publicidade ou Promoção. Sempre fizemos em todos os eventos grande promoção e este não foi exceção. O que mudou, foi que agora tivemos a promoção na TVI/CNN e nos anos anteriores foi feito na CMTV, bem como uma grande cobertura da CMTV em telejornais. Este ano estava programado ser realizada na TVI/CNN e não tenho noção de ter tido alguma reportagem nos telejornais conforme estava programado.No entanto tivemos diretos na internet de todas as PEC, Super Especial na TV e City Stage com transmissão em direto num canal da TVI (V+). Tivemos o Rally de Lisboa no programa “Noite das Estrelas” da CMTV, um dos programas de TV com maior audiência em Portugal. Estivemos dois dias a comentar tudo em Live Streaming, de todos os troços, não foi um ou dois. Já vi algumas coisas de outras provas, mas desta forma, não vi. Mas se calhar posso estar enganado…”“Mas quero deixar bem claro a todos, que nós somos capazes de fazer muito melhor, conforme sempre fizemos nas anteriores edições, e sempre em crescendo de um ano para o outro. Basta olhar para as provas anteriores, o que já fizemos até aqui.Se temos feito sempre, espero que compreendam que esta foi uma edição completamente atípica, e nos deem alguma latitude. Por azar foi logo a de estreia no CPR.Estou muito triste, porque tivemos imensos fatores que contribuíram para que não fosse uma prova normal.Foi uma bola de neve de situações. E para quem pensa que há coisas que não têm a ver com outras, tem tudo a ver.Podem ter a certeza de que nós somos capazes de fazer muito melhor, se tivéssemos cinco ou seis meses para a fazer, mas não, foram 60 dias. Era totalmente diferente.”
“Na minha cabeça o rali tem de vir totalmente para Lisboa outra vez! o Rali de Lisboa começou com o Parque da Assistência na Expo, depois foi para Pedrouços, depois Alta de Lisboa, o ano passado em Mafra e este ano por impedimento superior devido à coincidência de eventos que aconteceram em Mafra, ao mesmo tempo em Mafra, fomos obrigados a recorrer do espaço na Encarnação, por este andar…para o ano ainda iremos parar nas Berlengas.”
“Posso desde já garantir que a prova vai ser totalmente reformulada, quer seja ao nível estrutura de logística, e mesmo no sistema de troços. E já estávamos a trabalhar no assunto, ainda antes desta prova ir para a estrada, porque sabíamos que esta solução era péssima e de recurso, foi uma solução ‘obrigada’ devido uma série de fatores, como os que já mencionei antes, que ultrapassaram a organização e que não nos deixaram espaço de manobra devido à data da prova. Outra situação é que a prova não pode ser realizada nesta altura do ano, mas sim em setembro ou outubro.”
“Voltando ao pormenor de algumas críticas. Ao longo do tempo tive muitas pessoas entendidas na matéria a aconselhar ter a prova em Lisboa com Belém, Cascais, mas agora criticam. Reparem, não é por acaso que o Rali de Roma se disputa a 80 Km do Coliseu de Roma, mas eles vão lá. O Rali de Monte Carlo é a mesma coisa. Gap fica a 250 Km. Mas é o Rali de Monte Carlo.”
“Mas porque fomos para Mafra? Este ano era aí, ou não havia rali. Mas depois, o parque de assistência não pode ser lá porque havia uma série de eventos em Mafra e precisavam dos espaços de estacionamento grandes que existem.Foi logo o primeiro óbice. Solução? Encarnação! 15 Km! A Câmara fez-nos mudar duas vezes, uma com o parque de assistência, depois, uma semana antes da prova, obrigam-nos a mudar horários, porque não podiam cortar as estradas dos autocarros das escolas. Esta situação obrigou-nos a atrasar a prova uma hora.Não era assim tão grave, mas foi mais uma alteração de última hora.Por isso o horário se estendeu daquela forma. Claro, sem perceber, criou-se mais imensos problemas devido ao acidente que existiu. Houve esse azar do rali se atrasar por causa do acidente. O rali ficou partido. Um poste de eletricidade que caiu, e os restantes concorrentes, tiveram de fazer o percurso alternativo. Entretanto teve de ser mudado o poste de eletricidade de um dia para o outro, para haver ali rali no dia seguinte.”
“Falaram dos hotéis, é verdade. Na Ericeira, 90% dos quartos que existem são hostels, AL, há poucos bons hotéis. Portanto houve dificuldades, nós também as tivemos…”
“Outra, a Marina de Cascais. Temos de rever, tem sido um espetáculo bonito? Sim, tem, mas é verdade que é também logisticamente muito complicado, para nós, para as equipas, e este ano não correu da melhor forma antes da City Stage começar, porque é um local fantástico, mas também tem uma logística e plano de segurança muito complexo e fora do normal.”
“Se eu estou satisfeito? Não. Sou o primeiro e maior crítico! Têm razão, o maior crítico sou eu. Isto foi uma situação de recurso, mesmo de obrigação, para levar a prova em frente, para pôr a prova na estrada.Noto também que há pessoas que agora criticam, que antes sugeriram que devia fazer a assistência fora de Lisboa…Resumindo tudo isto, sabemos onde estão os erros. Muitos foram erros forçados, não tínhamos alternativa. Devido a todas as situações que aconteceram, com algumas Câmaras a dizerem hoje uma coisa e amanhã a dizer outra.Só tínhamos uma hipótese: ou fazíamos a prova, bem, mal ou mais ou menos! Ou não havia prova.”Nós sabíamos que o rali não era perfeito antes de ir para a estrada? Porque é que aconteceu? Um conjunto enorme de fatores. Houve atrasos? Houve. Porquê? Fomos obrigados. Nada disto aconteceu porque, só porque sim.Sinto-me triste e esgotado, porque não fizemos um evento dentro dos parâmetros habituais e normais que sempre fizemos, mas podem crer que não tivemos grandes alternativas.Faltou-nos tempo, muito tempo mesmo, esta é a verdade dos factos. Felizmente a nível desportivo a prova foi espetacular e acho que era impossível estar melhor neste nível. A competição foi fantástica em que os dois primeiros terminam com apenas um segundo de diferença, o que faz com que o Rally de Lisboa tenha sido um dos mais competitivos de sempre do Campeonato de Portugal de Ralis.
The post Humberto Silva assume erros e promete “volta de 180 graus” no Rally de Lisboa first appeared on AutoSport.
Share this content:



Publicar comentário