Allianz na fase final da compra da seguradora Caravela
A seguradora alemã Allianz está em fase avançada de negociações com o acionista maioritário, a Toscafund Asset Management, para comprar a seguradora portuguesa Caravela, revelaram ao Jornal Económico fontes próximas do processo.
Segundo foi possível apurar, o acordo está praticamente fechado e o negócio deverá ficar concluído dentro de duas semanas.
Na corrida pela compra da Caravela mantém-se também a italiana Reale Mutua que, caso o acordo com a Allianz falhe, surge como potencial compradora da companhia liderada por Luís Cervantes.
Contactada, a Allianz, nesta fase, disse que “não comenta”. O Jornal Económico contactou o CEO da Caravela, Luís Cervantes, que não respondeu aos pedidos de comentário.
A Allianz é uma das maiores empresas de seguros e gestão de ativos do mundo, tem sede na Alemanha e está presente no país desde 1999.
No caso da candidata italiana, a Reale Mutua — uma das duas únicas seguradoras italianas com estatuto de mútua (a outra é a Itas) —, o seu CEO confirmou, numa entrevista ao Corriere della Sera, o interesse na Caravela.
Segundo o jornal italiano, depois de Espanha, Chile e Grécia, a Reale Mutua colocou Portugal na sua mira, concentrando-se na Caravela Seguros, uma empresa com mais de 212 milhões de euros em prémios e da qual o fundo inglês Toscafund pretende vender 48%.
O CEO da Reale Mutua, Luca Filippone, explicou ao jornal que “os setores automóvel e de acidentes fazem de Portugal um mercado com enorme potencial”. Acrescentou que a seguradora italiana está também atenta à Europa de Leste. Luca Filippone referiu que “o crescimento ocorrerá, portanto, de forma orgânica ou através de aquisições, mas fora das fronteiras italianas”, prevendo que 20% das receitas do grupo venham do estrangeiro.
Em janeiro deste ano, a Bloomberg noticiou que a Toscafund Asset Management e outros acionistas minoritários da Caravela Seguros estavam a explorar a possibilidade de vender a seguradora portuguesa.
A Toscafund, com sede em Londres e detentora de 48% das ações da Caravela, contratou o Mediobanca para a assessorar numa eventual venda da sua participação.
Os restantes acionistas — um grupo de mais de 20 investidores — estarão também a avaliar a possibilidade de uma venda conjunta com o fundo.
A Toscafund adquiriu a sua participação no final de 2019, investindo 30 milhões de euros através de um aumento de capital. Entre os restantes acionistas da Caravela está Mário Ferreira, presidente e maior acionista do grupo de media português Media Capital e proprietário de uma empresa de cruzeiros.
De fora da corrida à compra da Caravela está a CNP Assurances, que chegou a estudar a aquisição da seguradora. A CNP Assurances optou por concentrar os seus recursos na tentativa de compra das duas seguradoras Lusitânia, pertencentes à Associação Mutualista Montepio Geral.
Como já é público, a associação mutualista liderada por Virgílio Lima contratou o banco francês Société Générale para prestar assessoria financeira na alienação parcial ou total da companhia.
Outra seguradora portuguesa à venda é a GamaLife e, tal como o Jornal Económico avançou, o grupo francês BPCE, proprietário do Novobanco, está em fase avançada de negociações para comprar a companhia do ramo Vida.
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