A carregar agora

Imobiliário Vanguard muda de estratégia: quer fazer negócios, não geri-los

Imobiliário Vanguard muda de estratégia: quer fazer negócios, não geri-los

A Vanguard Properties tem sido uma das grandes impulsionadoras do mercado imobiliário e turístico de luxo, principalmente na região de Lisboa e na Comporta. Fundada pelo milionário francês Claude Berda, e presente em Portugal desde 2016, a promotora já investiu 1,3 mil milhões de euros e havia muitas outras ideias à espera de concretização.
Contudo, nos últimos meses, a empresa deu uma volta estratégica de 180º, saiu o CEO, José Cardoso Botelho, e nomeou para o cargo Henrique Rodrigues da Silva.
Desde então, a política da Vanguard tem sido a de emagrecer a estrutura: fica em Portugal, mas com menos custos fixos e uma operação que, por definição, procura maximizar os resultados financeiros, em vez de se assumir como ator permanente que acompanha todas as fases dos projetos, não apenas a sua conceção.
Entre os vários projetos mais conhecidos da promotora destacam-se o empreendimento turístico ‘Terras da Comporta’ e os edifícios residenciais em Lisboa, ‘Infinity Tower’ e ‘Castilho 203’, do qual Cristiano Ronaldo é um dos inquilinos.
A saída, pelo próprio pé, de José Cardoso Botelho do cargo de CEO, a 10 de setembro de 2025, originou uma reconfiguração profunda na abordagem ao mercado.
Em entrevista ao “Negócios” em novembro último, Alexandre Berda, chairman da empresa, adiantou que a Vanguard entrava em “modo de execução, com a nova liderança”.
Contudo, e de acordo com informações às quais o Jornal Económico teve acesso, o cenário atual é diferente do projetado pelo chairman.
Em Grândola, o projeto ‘Muda Reserve’, que representou um investimento de 200 milhões, com o objetivo de construir perto de 200 casas, não está a ser executado, existindo instruções para a sua alienação, em pacote, a terceiros.
O megaprojeto, em Oeiras, designado por ‘Foz do Tejo’ e que representa 280 milhões de investimento, tem suspensa a sua execução e adjudicação da empreitada de infraestruturas.
Já o empreendimento ‘Terraços do Monte’, na freguesia da Graça, em Lisboa, com um investimento de 40 milhões em 15 apartamentos, foi apresentado em 2024, mas ainda aguarda adjudicação ao empreiteiro desde maio de 2025. Será por falta de acordo de financiamento?
O projeto ‘Tomás Ribeiro 79’, lançado em janeiro do ano passado, é em termos práticos, o único que se encontra em execução à data de hoje, tendo sido adjudicado pela construtora DST.
Reestruturação e despedimentos
A mudança de paradigma na promotora tem vindo a verificar-se também na vertente humana.
Alexandre Berda assumiu a gestão dos negócios da família, após o falecimento do seu pai em dezembro do ano passado, tendo nomeado uma comissão executiva composta por cinco elementos.
No entanto, dois dos elementos nomeados já abandonaram a empresa: Miguel Lacerda, então diretor comercial, e Bruno de Castro Henriques, Chief Financial Officer (CFO), apresentaram a demissão e mudaram-se para a Vizta e Real Estate Investment Strategies (REIS), respetivamente.
Carlos Victorino, que durante cerca de seis meses ocupou o cargo de Chief Operating Officer (COO), foi transferido para o departamento de pós-venda, tal como indica o site da Vanguard Properties.
As posições de COO e CFO são agora ocupadas por Frederico Pedro Nunes e Tiago Leal, que integra também o departamento de investimento e finanças.
No final de 2025, a promotora imobiliária levou a cabo um processo de despedimento coletivo, que originou a saída de vários colaboradores para empresas concorrentes.
Quem também apresentou a demissão foi Carlos Baião da Cruz, CEO da Kozowood Industries e Paulo Carapuça, presidente do conselho de administração das empresas do grupo (Kozowood Industries, BAMER, Otiima Industries e Covipor), e que ocupa agora o cargo de CEO na promotora Green Jacket Partners.
Durante este período, a Vanguard Properties prescindiu dos serviços de Fernando Caetano, responsável editorial da revista “Pórtico” – símbolo editorial das ambiciosas aspirações da empresa –, ficando a décima edição por executar.
Numa estratégia virada para a contenção de custos, o JE apurou que a promotora imobiliária tem vindo a cessar um conjunto de apoios institucionais que mantivera ao longo dos últimos anos. Novamente, um dos objetivos era reforçar o prestígio da empresa no mercado premium.
Estes cortes de financiamento dizem respeito a instituições de ensino, mas também a entidades ligadas à cultura. Na verdade, o ex-CEO, José Cardoso Botelho, chegou a avaliar a possibilidade de ancorar o mercado turístico da Comporta num evento cultural ou de outro género, sempre dirigido ao topo da pirâmide económica, de forma a reduzir a sazonalidade da região, além de adicionar mais uma camada de prestígio com impacto global.
Em abril, o Jornal Económico questionou a Vanguard Properties sobre todos estes processos, mas a promotora não quis fazer comentários. Posteriormente, ficou acertado que seria realizada uma entrevista com o chairman, Alexandre Berda, mas tal nunca aconteceu.

Share this content:

Publicar comentário