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Prestação de crédito para casa sobe para metade do rendimento familiar

Prestação de crédito para casa sobe para metade do rendimento familiar

A conclusão decorre de um estudo que está  disponível no site do Banco de Portugal. O estudo diz que os aumentos muito significativos do preço das habitações têm dificultado a compra de casa com recurso ao crédito.
Entre 2019 e 2025, tornou-se mais difícil comprar casa com recurso ao crédito, com o rácio entre a prestação do empréstimo para compra de uma casa tipificada a preços medianos e o rendimento familiar mediano a aumentar de 26% para cerca de 50%. O aumento acumulado desde 2019T1 atingiu, assim, quase 100%, segundo uma análise da autoria de Beatriz Amorim e Cristina Manteu.
O forte aumento dos preços das habitações tem tornado cada vez mais difícil o acesso à casa própria através de crédito bancário. Segundo o estudo o rácio entre a prestação mensal de um empréstimo para aquisição de uma casa tipificada e o rendimento familiar mediano quase duplicou entre 2019 e 2025, passando de 26% para cerca de 50%. Este indicador, que reflete a pressão sobre o orçamento das famílias, sofreu um aumento acumulado de praticamente 100% desde o primeiro trimestre de 2019. O que antes representava pouco mais de um quarto do rendimento médio de uma família, passou a consumir metade, revelando uma significativa perda de poder de compra no mercado imobiliário.
Preços das casas e juros explicam a maior parte da deterioração
A análise publicada no site do Banco de Portugal decompõe os fatores que contribuíram para esta evolução: o montante do empréstimo (diretamente ligado aos preços das habitações), as taxas de juro e a evolução dos rendimentos.
O montante do empréstimo considerado corresponde a 90% do valor de uma casa com 101 m² (área mediana das habitações existentes no país), avaliada ao preço mediano por metro quadrado das transações realizadas. Este valor disparou de 96.800 euros em 2019 para 188.700 euros em 2025, praticamente duplicando.
A partir de 2022, o aumento das taxas de juro agravou ainda mais a situação. Embora o impacto das taxas de juro tenha diminuído mais recentemente e os rendimentos das famílias tenham continuado a crescer, os aumentos acentuados e persistentes dos preços das habitações limitaram a melhoria da acessibilidade.
“Os aumentos muito significativos do preço das habitações têm dificultado a compra de casa com recurso ao crédito”, destaca o relatório.
A informação consta da Caixa 3 “Indicadores de acessibilidade à habitação: evolução recente e perspetiva regional”, incluída no Boletim Económico do Banco de Portugal de março de 2026.
Esta evolução reforça os desafios que as famílias portuguesas enfrentam no acesso à habitação, num contexto de preços imobiliários elevados que continuam a pressionar o mercado apesar da recuperação gradual dos rendimentos, conclui o banco central.

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