O avião de combate “100% europeu e independente”
Há mais um interessado na corrida para substituir os F-16 portugueses. O Eurofighter Typhoon assume-se como parte interessada em fornecer os novos caças à Força Aérea Portuguesa (FAP), apesar de ainda não haver prazo para o lançamento do processo de compra.
Estes consórcio integra a europeia Airbus, a britânica BAE Systems e a italiana Leonardo. E assume-se como a resposta europeia ideal de aviões de combate num momento em que as relações entre os EUA e a Europa atravessam uma grave crise.
“É uma solução 100% europeia. Somos independentes. Estamos a apoiar as forças aéreas europeias há mais de 20 anos”, disse ao JE Ivan Gonzalez-Exposito, diretor de vendas do Eurofighter. “Quando começámos há 30 anos, o objetivo era criar um avião de combate para apoiar as nossas forças aéreas, mas também garantir que a tecnologia era europeia. Temos um milhão de horas de voo”, acrescentou em entrevista durante o evento anual do cluster de defesa nacional, a AED.
Com a terceira maior Zona Económica Exclusiva (ZEE) da União Europeia, os novos caças vão ter de patrulhar uma vasta extensão marítima. Estão à altura do desafio? “Diria que é melhor ter dois motores do que ter só um nas longas distâncias, para ter fiabilidade e resistência”, afirma, por sua vez, Manuel Kiefer, diretor da Eurofighter, e um ex-piloto deste caça ao serviço da alemã Luftwaffe. O Typhoon é também o único dos três concorrentes a contar com dois motores, com o Lockheed Martin F-35 e o Saab Gripen a contarem com um cada.
Em termos de experiência real de combate, conta com ataques ao Estado Islâmico no seu currículo na Operação Shader que teve lugar em 2014 na Síria, onde a “plataforma deu provas da sua capacidade de combate” ao serviço da Royal Air Force (RAF) britânica.
O antigo piloto também destaca as missões de patrulhamento aéreo realizadas nos países bálticos e na Polónia, para garantir que a Rússia não viola espaço aéreo europeu. “Voamos nesta região todos os dias e intercetamos qualquer violação do espaço aéreo. Eu próprio cheguei a realizar estas missões”, segundo Manuel Kiefer.
O consórcio que junta o Reino Unido, Alemanha, Itália e Espanha conta com mais de 600 aviões construídos e 170 encomendas, equipando as forças aéreas de Alemanha, Espanha, Reino Unido, Itália, Turquia, Omã, Arábia Saudita, Kuwait e Qatar.
O caça tem a capacidade para voar ao dobro da velocidade do som, quase 2.500 km/h, com uma altitude máxima de 17 km.
“Temos mais de 400 fornecedores europeus para o maior programa de defesa europeu de sempre, responsável por 100 mil postos de trabalho”, segundo Ivan Gonzalez-Exposito que promete fomentar a cooperação industrial com Portugal, se o caça for escolhido pelo Governo luso.
“A Airbus tem uma longa história com Portugal. Temos excelentes equipas em Lisboa, Coimbra e em Santo Tirso, com mais de 1.700 pessoas.”, explica. “Estamos a falar do fabrico da fuselagem, de partes do motor, mas também de outros equipamentos. Mas também de apoio ao Typhoon, ao motor e ao equipamento aéreo e em terra. Estamos também a olhar para o treino, simulação e outras áreas de cooperação”, afirmou.
Olhando mais para o futuro, destaca que as “companhias portuguesas podem cooperar na evolução futura do Eurofighter, para ter uma versão portuguesa feita à medida. E estamos a pensar também sobre as áreas de cibersegurança, de infraestrutura e de interoperabilidade: como ligar o Eurofighter às diferentes plataformas, como no caso da Marinha”.
A Eurofighter deixou também elogios à atitude das empresas portuguesas. “Há uma grande engenhosidade que vemos nas empresas portuguesas. Têm grande vontade de fazer negócios e de cooperar connosco, mas ao mesmo tempo são muito abertas em dizer se estão ou não interessadas no pacote de trabalho que estamos a preparar. São muito transparentes”, segundo Ivan Gonzalez-Exposito.
Na corrida para fornecer Portugal, estão também a Lockheed Martin com os F-35 e a Saab com o Gripen. Os norte-americanos garantem ter o caça mais avançado do mundo e apontam para a larga experiência que o F-35 tem de combate real, sendo também o preferido da Força Aérea, segundo uma avaliação interna, revelou o “Expresso”.
Já os suecos defendem que os seus custos de aquisição e manutenção são mais baixos, com a Saab a fazer valer a sua ligação à Embraer, brasileira que é a maior acionista da OGMA, que produz componentes para o KC-390. A Embraer é uma das parceiras no fabrico do Gripen no Brasil e vende o KC-390 e o Super Tucano a Portugal.
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