Os oito magníficos: os campeões de Fórmula 1 da McLaren
O dramático triunfo de Lando Norris no Campeonato de Pilotos no último dia torna-o o oitavo homem a conquistar o título a pilotar pela McLaren.
Quando Lando Norris finalmente saiu do paddock da Fórmula 1, várias horas depois do Grande Prémio de Abu Dhabi de 2025, fê-lo sabendo que a sua vida tinha mudado para sempre. Era agora um Campeão do Mundo de Fórmula 1, o 35º na história, o 11º da Grã-Bretanha e o oitavo pela McLaren.
No momento em que saiu dos portões, tinha derramado lágrimas, celebrado com os seus amigos, família e a equipa, abraçado metade do paddock e dado muitas entrevistas. A pré-época permitiu-lhe refletir sobre a magnitude da sua conquista, ao juntar-se a uma ilustre lista de pilotos que venceram o Campeonato do Mundo de F1 com as cores da McLaren. Foi a própria McLaren que recordou cada um desses nomes célebres, que reproduzimos com a devida vénia…
EMERSON FITTIPALDI – 1974Uma das coisas boas do nosso fim de semana em Abu Dhabi (e há muitas) é que tivemos Emerson Fittipaldi na box, trazendo o seu habitual sorriso e boas energias. Emmo foi o primeiro Campeão do Mundo da McLaren, ajudando-nos a alcançar uma dobradinha de títulos de Construtores e Pilotos na temporada de 1974. Em paralelo com 2025, Emmo saiu vitorioso de uma luta a três pelo título que culminou no Grande Prémio dos EUA, em Watkins Glen, no final da temporada. Emmo permaneceu na McLaren para defender o seu título e terminou em segundo lugar, atrás de Niki Lauda, antes de sair no final da temporada de 1975 para correr pela equipa do seu irmão.A Emmo é-lhe atribuído ter desempenhado um papel fundamental no despertar do amor do Brasil pela Fórmula 1, abrindo caminho para que um ‘certo’ Ayrton Senna pudesse mais tarde brilhar. Chegando à cena com um típico ‘swagger’ de samba, uma farta cabeleira escura e costeletas distintivas – normalmente rematado com óculos de sol – ele era o próprio Rei do Estilo da F1. Abençoado com um estilo de pilotagem tão suave quanto ele, Emmo continuou a correr até aos seus sessenta e poucos anos, tal era a sua paixão pelo automobilismo.
JAMES HUNT – 1976Um talento verdadeiramente mercurial, a batalha de James Hunt com Niki Lauda ao longo da temporada de 1976 é uma das mais famosas da história da F1, tendo inspirado o filme Rush.James Hunt era um piloto com uma velocidade natural e pura. Fieramente competitivo, pilotava por instinto, correndo no limite e nunca cedendo um milímetro. Era também extravagante: quando as pessoas falam de uma geração de ouro na F1, o seu nome é geralmente o que vem à mente. Com uma condução agressiva, um estilo de vida boémio, arrogante e namoradeiro, James era conhecido pelo seu amor por atividades ‘extra-curriculares’.Ao juntar-se à McLaren em 1976 como substituto de Emerson Fittipaldi, James Hunt tinha um grande desafio pela frente, mas já tinha demonstrado com a pequena equipa Hesketh que era capaz de vencer corridas.Embora as suas extravagâncias fora da pista tenham entrado para o folclore, ninguém na McLaren se importava desde que ele tivesse um bom desempenho no carro, e James conseguia fazê-lo.O medo atacava-o na preparação para as corridas, mas uma vez na pista, ele florescia. James Hunt selou o seu título na última ronda no Japão, numa corrida que, apropriadamente, demonstrou a bravura pela qual era conhecido no carro, enquanto lutava contra nevoeiro denso, chuva torrencial e água acumulada.
NIKI LAUDA – 1984Oito anos depois da sua infame batalha com James Hunt, da McLaren, como piloto da Ferrari, Niki Lauda estava do outro lado da mais famosa rivalidade entre equipas da F1, lutando pelo título com a McLaren.Niki Lauda tinha inicialmente deixado a F1 em 1979, concentrando-se em gerir o seu negócio de aviação… mas o novo chefe da McLaren, Ron Dennis, estava determinado a persuadi-lo a sair da reforma.Ele continuou a ligar, e, eventualmente, Niki disse sim, permitindo-se ser persuadido a ocupar um lugar de corrida em 1982, curioso para saber se ainda tinha a velocidade para lutar pelos primeiros lugares. A resposta foi, claro, sim. Ele voltou imediatamente ao ritmo e acreditava que poderia ter vencido o título em ’82, mas percebeu que era possível tarde demais. Ele venceu o título, e coroou o seu regresso, em 1984, antes de finalmente se reformar em 1985, batendo o colega de equipa Alain Prost por meio ponto no Campeonato de Pilotos mais renhido da história da F1.Poucos pilotos alguma vez exigiram tanto respeito como Niki. ‘Sem rodeios’ é a melhor forma de o descrever. Ele sempre disse o que pensava, fez o que quis e foi onde quis no paddock. Era extremamente rápido, mesmo nos seus últimos anos, mas foi a sua mente ‘afiada’ e imensa dedicação que o destacaram – num desporto repleto de personagens inteligentes e motivadas, Niki destacou-se entre os melhores.
ALAIN PROST – 1985, 1986, 1989Alain Prost tinha sido cortejado pela maioria das equipas da grelha da F1 antes de optar por se juntar à McLaren em 1980. Saiu para a Renault após uma única temporada antes de regressar em 1984 ao lado de Niki Lauda. Durante um período de seis anos, acumulou um impressionante registo de 30 vitórias e três Campeonatos de Pilotos.Tendo falhado o título de Pilotos por dois pontos em 1983 com a Renault, e por meio ponto para Niki Lauda em 1984, não cometeu erros em 1985, dominando a temporada para vencer com duas corridas de sobra ainda no calendário. Conquistou mais dois títulos (1986 e 1989) com a McLaren, período durante o qual formou uma das metades da rivalidade intra-equipa mais duradoura da F1 com Ayrton Senna, culminando na sua infame colisão no Grande Prémio do Japão de 1989, que decidiu o título.Durante o seu tempo na McLaren, Prost ganhou o apelido de ‘o Professor’, pela sua abordagem calma e cerebral às corridas, mas nem sempre foi assim. Nos primeiros anos, em dupla com Lauda, Prost era o jovem lobo, lutando contra o seu colega de equipa mais velho e sábio. O estilo calculado e estudioso de Niki influenciou o seu colega de equipa mais jovem, e Alain adotou uma atitude semelhante – o aluno a tornar-se mestre. O contraste entre o estilo calculado de Alain e a abordagem mais explosiva de Ayrton é, em parte, o que tornou a sua batalha tão cativante.
AYRTON SENNA – 1988, 1990, 1991Ayrton Senna chegou a testar para a McLaren durante a sua carreira pré-F1, mas recusou a oferta de um contrato para pilotar pela McLaren quando subiu à F1. Em vez disso, começou a sua carreira na F1 com a Toleman e mudou-se para a McLaren em 1988 via Lotus com motor Honda.Senna e a Honda chegaram à McLaren ao mesmo tempo, e juntos formaram uma parceria fortemente dominante. Ayrton Senna e Alain Prost conduziram o McLaren-Honda MP4/4 para vencer 15 das 16 corridas.Senna venceu oito corridas contra as sete de Prost, conquistando o título por três pontos. Depois de ter sido superado por Prost em ’89, quando a sua rivalidade estava no auge, Senna recuperou a coroa nas temporadas de 1990 e ’91, após a partida do francês para a Ferrari.A reputação de Ayrton Senna na McLaren era a de um competidor extremamente motivado. É-lhe atribuído ser o primeiro piloto a levar a dieta a sério e um dos primeiros a explorar os benefícios de um regime de fitness adequado. Famosamente, antes do Grande Prémio do Brasil, ele exercitava-se enquanto os seus colegas de corrida relaxavam em espreguiçadeiras, convencido de que qualquer coisa que lhe desse uma vantagem valia o seu tempo.Ayrton Senna certificava-se de realizar os seus exercícios à vista deles, para que soubessem que ele estava a trabalhar enquanto eles não estavam. A sua intensidade diminuiu com a chegada de Gerhard Berger em 1990, que ajudou a revelar o lado mais jovial do brasileiro, embora a sua veia competitiva nunca tenha diminuído.
MIKA HÄKKINEN – 1998, 1999Mika Hakkinen juntou-se originalmente à McLaren como Piloto de Testes em 1993, após dois anos com uma equipa Lotus em dificuldades, decidindo que um futuro lugar na McLaren era uma aposta melhor do que continuar a pilotar um carro pouco competitivo. Quando Michael Andretti deixou a McLaren com três corridas da temporada por disputar, Hakkinen teve a sua oportunidade e imediatamente cimentou o seu lugar na equipa – e criou a sua lenda – ao qualificar-se à frente de Senna na sua primeira corrida.Quando Senna partiu para a Williams antes de 1994, Mika Hakkinen tornou-se o piloto número um da equipa, mas só em 1998 é que teve um carro capaz de lutar pelo Campeonato. No MP4/13, com motor Mercedes, Hakkinen lutou roda a roda com a Ferrari e Michael Schumacher, que mais tarde elogiaria o finlandês como “O melhor adversário que tive em termos de qualidade”, vencendo o título no final da temporada.Mika Hakkinen era um competidor destemido e quase totalmente imperturbável, o que o tornava um rival formidável. Era extremamente rápido, sabia exatamente onde colocar o carro e nunca seria o primeiro a recuar numa batalha roda a roda. Fora da pista, era reservado e descontraído, mas atencioso e bem-humorado – muito o finlandês fleumático. Ainda hoje é uma presença popular nas boxes da McLaren.
LEWIS HAMILTON – 2008O Campeão de Pilotos seguinte da McLaren – e o último antes de Lando Norris – foi Lewis Hamilton, vencedor na temporada de 2008 após um dramático último dia no Brasil. Lewis estava nos registos da McLaren desde 1998 e subiu nas fileiras com grande aclamação, sendo promovido à equipa de F1 em 2007. Depois de desfrutar de uma das maiores temporadas de estreia de sempre na F1, Lewis tornou-se um vencedor regular ao longo de 2008 e conquistou o seu primeiro Campeonato na última curva da última volta da temporada. Felipe Massa achava que tinha sido ele o Campeão, mas a festa brasileira acabou depressa…Um talento genuíno da casa, o Lewis Hamilton que se juntou à McLaren como um rookie de 22 anos era sensacionalmente rápido e destemidamente agressivo. Era também muito cru, mas ansioso por aprender.Lewis Hamilton era tão dedicado a melhorar quanto confiante na sua própria capacidade – uma combinação vencedora. Era também profundamente devoto à sua leal base de fãs, muitas vezes indo além para falar com os fãs em eventos de autógrafos e garantir que todos saíam felizes. Quase 19 anos depois, ele ainda é o piloto de corrida mais educado que alguma vez conhecerá!
LANDO NORRIS – 2025Lando Norris, outro talento da casa, tendo sido contratado aos 17 anos, cresceu a ver os McLaren cor de crómio conduzidos por Fernando Alonso e Hamilton e sonhava em emulá-los na McLaren. O agora jovem de 26 anos cresceu ao lado da equipa. Juntos, ao longo das seis temporadas desde que subiu à F1 em 2019, ele e a McLaren emergiram como uma força capaz de lutar pelo título. Depois de vencer a sua primeira corrida em Miami em 2024, desempenhou um papel fundamental quando a McLaren conquistou o Campeonato de Construtores pela primeira vez desde 1998. A experiência adquirida durante 2024 revelar-se-ia crucial, pois Lando estabeleceu o seu próprio desafio pelo título em 2025, através de vitórias marcantes no Mónaco e em Silverstone.Considerado um dos pilotos mais simpáticos da grelha, Lando Norris é um Campeão de F1 moderno, extremamente popular nas redes sociais e com uma capacidade de dar resposta em momentos decisivos. Um piloto adaptável, capaz de maximizar o carro que guia, e com um ritmo rápido em volta única, Lando Norris precisava de encontrar maior consistência na temporada de 2025. E conseguiu isso no crucial final de temporada, revertendo um défice de 34 pontos a nove rondas do fim para conquistar o título no final da temporada em Abu Dhabi. Depois, Lando Norris disse que estava orgulhoso de ter “vencido à minha maneira”, sem ser agressivo e sendo fiel a si mesmo.
Fonte: McLaren
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