Apanhar ondas à boleia de um encontro improvável
É mesmo assim. O que pode parecer um encontro improvável aconteceu. Duas empresas familiares de áreas distintas uniram o saber-fazer que lhes deu reputação e reconhecimento e criaram uma edição limitada de 40 exemplares. Falamos de quê? De pranchas de surf Longchamp x Shapers Club. A estreia da Maison francesa no surf não é um desvio no seu percurso, que sempre primou por cruzar design e saber-fazer. Desta vez, o mote da nova coleção “Catch the Parisian Wave” é, também, um encontro com outra maison familiar francesa, reputada no universo do surf contemporâneo. Resultado? Uma peça que reflete uma visão comum: o saber-fazer quer-se vivo e transmitido com elevados padrões de qualidade.
Como objeto é, sem dúvida, uma filha pródiga do design colecionável. Mas esta prancha não é um mero exercício estético. A ‘chancela’ do Shapers Club, ateliê sediado em Marennes, perto de La Rochelle, garante ao projeto não só uma base técnica sólida, como legitimidade dentro da prática. Os irmãos Renaud e Thomas Cardinal, eles próprios iniciados no surf pelo pai, um dos pioneiros deste desporto no Golfo da Biscaia, são a alma da empresa que não deixa em mãos alheias a escolha dos materiais.
Uma edição ultralimitada
O revestimento em madeira lembra os longboards californianos e serve de ‘capa’ a uma estrutura em espuma, fibra de vidro e resina, pensada para assegurar desempenho e fluidez na água. Quanto ao grafismo, retro é a palavra certa: tonalidades suavemente esbatidas contrastam com quilhas de cores mais intensas. No fundo, despertar o desejo não é uma estratégia nova. O universo do luxo tem aí a sua expressão por excelência. Mas a criação de um objeto que cruza design e performance permite à marca explorar novas categorias sem diluir a sua identidade principal.
A prancha Longchamp x Shapers Club, ou melhor, os 40 exemplares numerados, tem dois objetivos muito claros. Por um lado, valorizar o saber-fazer e a sua transmissão, assim como enaltecer a cultura de ateliê. Por outro, aproximar o luxo da experiência. Mais do que possuir, viver o objeto é o mais importante. Como sublinha a Longchamp, a prancha é um convite “a sair da cidade, a seguir o ímpeto, a deslizar na onda.” E um convite a fazê-lo à boleia de uma peça que é um diálogo entre duas maisons que partilham a mesma obsessão pelo detalhe e pela autenticidade. Sem medo de surfar a crista da onda.
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