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Guerra do ‘prize money’ joga-se em Roland Garros

Guerra do ‘prize money’ joga-se em Roland Garros

Um aumento de 9,5% (o maior dos últimos três anos) no prize money é, à partida, uma boa notícia para os tenistas que competem no Roland Garros, o torneio de excelência do Grand Slam quando falamos de terra batida. Termina a 7 de junho e no final, serão distribuídos 61,7 milhões de euros entre os participantes. Só pela participação, os 128 jogadores do quadro receberam 87 mil euros. Os campeões de Roland Garros, seja masculino ou feminino, levam para casa um cheque de 2.800 milhões de euros, mais 250 mil euros face a 2025. Para os comuns mortais, um cheque chorudo mas para tenistas de topo como Alcaraz, Sinner e Sabalenka, este aumento é simplesmente inaceitável.
Tensão em ponto crítico
Especialistas defendem que a tensão entre os grandes protagonistas da modalidade está claramente a atingir um ponto crítico e que é na terra batida que se joga a definição desta divergência. E o descontentamento até já tem um nome de código: Project RedEye. De olhos postos nas retribuições monetárias, esta aliança informal dos vinte melhores tenistas da atualidade quer aumentos mais robustos dos prémios (e porque o incremento é de 9,5% quando as receitas crescem 14% por ano) e, mais importante, que esse aumento tenha o devido aval dos jogadores.
Ainda assim, há um sentimento entre os grandes protagonistas da modalidade de que já seria um insulto que os aumentos nos Grand Slams se situavam nos 15% quando nos torneios principais do WTA e ATP já se praticam incrementos próximos de 22%. Além disso, estes tenistas querem que os Grand Slams contribuam para um fundo que possa cobrir seguros (lesões), pensões e licenças de maternidade, o que já acontece noutros torneios.
Receitas multimilionárias
Pedro Keul, um dos maiores especialistas da modalidade em Portugal, destaca ao JE que “as reivindicações dos tenistas quanto ao aumento do prize-money nos quatro torneios do Grand Slam já vêm de trás e têm sido atendidas, ao ponto de terem duplicado em relação ao que era oferecido há uma década”. Mas agora, esta questão escalou. “A questão é de proporção e a recente ameaça de boicote e o facto de os melhores jogadores do ranking mundial terem dado voz a essa insatisfação trouxe à questão um maior mediatismo”, diz.
Com os quatro principais torneios (Open da Austrália, Roland Garros, Wimbledon e US Open) a gerar receitas multimilionárias (com estimativas a apontarem para mais de 1,5 mil milhões de dólares através de direitos televisivos, patrocínios, venda de bilhetes e merchandising), só uma pequena percentagem desse valor chega efetivamente aos atletas, sendo que a situação piora nas primeiras rondas e qualificações.
Como explica Pedro Keul, os tenistas reivindicam maiores aumentos para estas fases dos torneios que muitas vezes são frequentadas por tenistas fora do top 100 do ranking ATP, “cujas dificuldades em terminar uma época com lucro são enormes”. Pedro Keul acredita que será possível encontrar um maior equilíbrio na distribuição de receitas.

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