Bestseller investe 15 milhões para duplicar número de lojas
Passar das atuais nove lojas para 12 até final deste ano e no próximo chegar às 22 é o plano da Bestseller, produtora dinamarquesa de têxtil e moda, para Portugal, e no qual vai investir 15 milhões de euros. Diogo Bartolomeu, country manager do grupo em Portugal, explica a estratégia de negócios ao Jornal Económico (JE), que passa por continuar a apostar na venda em wholesale (vendas a grosso a outras empresas) – sobretudo fora dos centros urbanos –, e investir no crescimento da rede de lojas próprias. E ainda lançar uma nova marca de moda, e respetiva loja, até final do ano.
Foi na venda de têxtil a outras empresas (wholesale) que a Bestseller tem marcado presença em Portugal nos últimos 20 anos, contudo, hoje, esse negócio não ultrapassa o 10% daquilo que é a faturação do grupo em Portugal. Por isso mesmo, a estratégia mudou há cinco anos, quando o grupo nórdico decidiu abrir escritório e showroom em Lisboa. Diogo Bartolomeu justifica a alteração de planos pelo mercado português ser hoje um dos “mais dinâmicos do sul da Europa” e, sobretudo, pela necessidade de estar mais presente junto dos consumidores com as suas marcas. O que levou à decisão de abrir lojas de moda feminina das marcas Vero Moda e Only e, também, da Jack & Jones, de roupa masculina, que em setembro vai inaugurar o seu maior espaço em Portugal, uma loja com 500 metros quadrados, no Centro Comercial Colombo, em Lisboa.
Sobre a evolução do negócio, Diogo Bartolomeu diz que o grupo tem vindo a crescer constantemente a dois dígitos ao ano “e este ano vamos repetir, com certeza”, afirma. Contudo, está ciente de o ritmo de crescimento não se irá manter indefinidamente sobretudo em tempos de incerteza. “Depois de cinco anos a crescer, é complicado projetarmos os próximos anos, sobretudo por questões micro e macroeconómicas e ainda pela instabilidade geopolítica atual. Mas temos de trabalhar com as condições que existem”, elucida, sublinhando que todos esses fatores têm também alterado o comportamento e da forma de comprar. “Reparamos que o consumidor tem hoje menos confiança, está mais reticente e tem mais informação. Contudo, sabemos que no primeiro trimestre deste ano existiu um crescimento do consumo de moda têxtil de 8%”. Explica que tal se deve à inflação e também pelo ganho de quota de mercado que está a acontecer com outros retalhistas. “O mercado português neste momento está a ficar polarizado, e vemos ainda os grandes players em crescimento constante e um forte crescimento do online”, salienta.
Nova marca em Portugal
Uma das novidades para este ano é a Balmohk, marca de moda urbana que a empresa vai lançar em Portugal. É originária de Espanha e a primeira criada totalmente fora da casa-mãe, na Dinamarca. “É uma marca que se difere das outras marcas por ser mais próxima do consumidor do Sul da Europa, quer a nível de estilo, tamanhos e mesmo nos tecido”, explica Diogo Bartolomeu. “É é importante para termos uma proximidade com o consumidor. Queremos muito chegar ao final deste ano aqui em Portugal com pelo menos uma abertura”. Neste momento o grupo está a negociar a localização, mas o certo é que será uma loja de rua. Em Espanha, a Balmohk tem seis lojas.
Outro negócio no qual a Bestseller tem vindo a apostar, mas do qual fala pouco, é o fabrico de roupa de moda e de merchadising para clubes de futebol. “Muitos dos grandes clubes europeus de futebol têm roupa feita por nós, entre eles o Bayern Munique, FC Barcelona ou o Borrussia e um clube grande em Portugal”, que Diogo Bartolomeu não quis relevar preferindo sublinhar que têm conseguido “trazer a moda para dentro da roupa mais desportiva”. Outra área de negócio que tem crescido são as fardas para hotéis e restauração, um mercado “muito é importante para a Bestseller” ou não fosse Portugal um país com a economia sustentada. sobretudo, no turismo.
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