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O que esperar do “novo Renascimento” do Louvre

O que esperar do “novo Renascimento” do Louvre

O sorriso mais enigmático em exposição no Louvre já pode ser visto sem ter de percorrer todo o museu. A Mona Lisa mudou de aposentos. A Sala do Estado foi preterida pela Galerie Médicis, mas apenas temporariamente. Uma transformação mais ampla vai, muito em breve, começar a ganhar forma. A Selldorf Architects, sediada em Nova Iorque, irá colaborar com a Studios Architecture Paris para liderar uma ambiciosa renovação e expansão, anunciou em maio o Ministério da Cultura francês. O ateliê foi escolhido entre um grupo de cinco finalistas selecionados em outubro, após a triagem de mais de 100 candidatos.
O objetivo é muito claro. Conduzir o Louvre a um “novo Renascimento” para responder às necessidades de segurança e infraestruturas, e controlo de multidões do museu de arte mais visitado do mundo. No centro da intervenção está o redesenho da praça da “Grande Colunata”, construída entre 1667 e 1674 sob Luís XIV, com base num projeto de Claude Perrault, que recebeu a encomenda depois de o rei ter recusado a proposta anterior do arquiteto italiano Bernini. A obra a cargo da Selldorf Architects prevê duas novas entradas subterrâneas, espaço expositivo ampliado, áreas de refeições e lojas do museu. O_custo estimado? 800 milhões de euros. O tráfego pedonal do Louvre – que recebe anualmente cerca de 9 milhões de visitantes – também será repensado. Novos caminhos e áreas verdes vão ligar o museu ao resto de Paris, para que este colosso possa acolher até mais três milhões de visitantes por ano.
Mais. Os dois ateliês vencedores têm, também, a missão de reinventar o design expositivo da pintura mais famosa do Louvre, a Mona Lisa de Leonardo da Vinci. Detalhe de enorme importância na gestão dos fluxos de visitantes, na medida em que só ela, e o seu enigmático sorriso, atrai, em média, cerca de 20.000 visitantes por dia. Segundo o jornal “Le Monde”, La Gioconda – nome pelo qual a obra também é conhecida – terá um espaço dedicado com cerca de 3.000 m2, que estará concluído, estima-se, até 2031.
O principal objetivo é, obviamente, salvaguardar as condições de segurança da obra-prima de Da Vinci e, paralelamente, permitir que o público tenha acesso à mesma de forma autónoma. Ou seja, sem ter, necessariamente, de visitar o resto do museu. Os responsáveis do Louvre esperam que esta solução reduza ainda mais a lotação e que a obra “respire”, pois terá apenas por ‘companhia’ informações sobre a vida e obra de Leonardo e sobre tudo o que se sabe acerca do icónico retrato de La Gioconda.
Laurence des Cars, historiadora de arte e curadora, foi a primeira mulher a dirigir o Louvre, de setembro de 2021 até à sua demissão, em fevereiro de 2026. Em declarações à imprensa francesa e internacional, recordou, ainda no cargo, que “números excecionais de visitantes não são uma maldição, são motivo de orgulho.” Mas contrapôs: “É também um desafio reinventarmo-nos e mantermo-nos fiéis à nossa missão de serviço público.” O novo diretor, Christophe Leribault reiterou que se trata “de um projeto crucial e necessário para o Louvre. Não podemos continuar a receber 9 milhões de visitantes através da Pirâmide [a entrada atual]. Assim como é imprescindível rever a infraestrutura, refazer os telhados e as instalações técnicas dentro do perímetro do Pátio Circular”, afirmou Leribault ao “Le Monde”.
O presidente francês, Emmanuel Macron, que revelou ao mundo, em janeiro de 2025, a colossal empreitada a que chamou “Novo Renascimento do Louvre”, rejeitou críticas aos valores em jogo argumentando que se trata de um assunto de importância nacional e de orgulho cultural. Entre o roubo de joias da coroa francesa, avaliadas em 88 milhões de euros, infiltrações que danificaram entre 300 e 400 obras de arte, greves de funcionários e episódios que envolvem outros problemas estruturais do edifício, a palavra de ordem é para avançar. A bem da nação, frisou Macron.
 
Top 5 dos museus mais visitados do mundo (Fonte: Art Newspaper):

Louvre, Paris
Museus do Vaticano
Museu Nacional Coreia, Seul
British Museum, Londres
Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque

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