Relatório do BFF coloca Portugal num “marco histórico” e dívida pública no nível mais baixo desde junho de 2010
A segunda edução do relatório macroeconómico de Portugal, do BFF Banking Group, conclui que a situação financeira de Portugal “atingiu um marco histórico”, destacando-se que o país conseguiu atingir a sua dívida pública mais baixa desde junho de 2010 (89,7% do PIB).
O documento, intitulado “Choque Energético e Resiliência Orçamental”, abrange o segundo trimestre, é liderado pela BFF Insights (a divisão de investigação do BFF Banking Group) e conta com a colaboração com a NOVA SBE. Os autores são: Pedro Brinca, João B. Duarte, Diogo Reis e Manuel Franco.
“O setor público encerrou o ano de 2025 com um excedente orçamental de 0,7% do PIB, superando as previsões tanto do Banco de Portugal (BdP) como da Comissão Europeia. Consequentemente, a dívida pública diminuiu significativamente para 89,7% do PIB, atingindo o seu nível mais baixo desde junho de 2010. O mercado reconheceu esta solidez, com a taxa de rendibilidade da dívida soberana a 10 anos a situar-se nos 3,33% e Portugal a manter notações sólidas (A+ pela S&P e A pela Fitch)”, refere o relatório.
Contudo o documento salienta que a economia portuguesa enfrentou uma desaceleração no início do ano. “Embora o PIB real tenha crescido 1,9% em 2025, o crescimento trimestral estagnou (0,0%) no primeiro trimestre de 2026”, diz o relatório.
“Esta estagnação reflete o impacto do conflito no Médio Oriente, a procura externa mais fraca e um choque nos preços da energia, que subiram 13,0% em termos homólogos e empurraram o índice de preços no consumidor (IPC) global para 3,4% em abril”, explica o BFF.
O relatório salienta que para contrariar estas fragilidades externas, que incluem um aumento de 29,9% nos custos
unitários do trabalho desde o final de 2019 e perturbações industriais no início de 2026, o investimento surgiu como a “principal” surpresa positiva. “A formação bruta de capital fixo acelerou antes do prazo do PPR de agosto de 2026. Em resposta à necessidade de prolongar a dinâmica económica para além do PPR, o Governo introduziu o programa PTRR (Transformação, Recuperação e Resiliência de Portugal). Com uma dotação de 22,6 mil milhões de euros até 2034, o programa visa proporcionar a Portugal um sólido conjunto de projetos de investimento público a longo prazo e apoiar a reconstrução após a tempestade Kristin”, acrescenta.
Setor externo enfraquece no início de 2026
Quanto ao setor externo “enfraqueceu significativamente” no início de 2026. “No primeiro trimestre, as exportações
nominais de bens registaram uma queda de 6,4% em termos homólogos, enquanto as importações aumentaram 2,6%. Paralelamente, o ambiente comercial dos Estados Unidos (EUA) passou a aplicar uma tarifa uniforme de 10% sobre todas as importações, alterando a exposição de Portugal ao risco”, diz o relatório.
O documento elaborado pelo BFF diz ainda que na sequência do recorde histórico registado em 2025, o setor do turismo “continuou a crescer, mas a um ritmo visivelmente mais lento” no início de 2026. “Em fevereiro, o crescimento anual do número de hóspedes abrandou para 0,8%, com as dormidas a aumentarem apenas 1,3%”, esclarece.
“À medida que as transações de compradores estrangeiros caíram 20,9% no 4.º trimestre de 2025, as famílias nacionais absorveram a pressão do mercado, representando um recorde de 87,5% do total de compras. Esta dependência do crédito interno está a suscitar alarme no Banco de Portugal, uma vez que a percentagem de novas hipotecas classificadas como de alto risco saltou de apenas 3% em 2024 para 21% em 2025″, diz o relatório com a autoria de Pedro Brinca, João B. Duarte, Diogo Reis e Manuel Franco.
O documento que conta com a colaboração da NOVA SBE diz ainda que mesmo com a rentabilidade bancária a “começar a estabilizar” após o pico de 2023-2024, o sistema bancário português mantém um Rácio de Cobertura de Liquidez excecional de 245,8%, “situando-se entre os mais elevados” da Zona Euro.
“Apesar dos atuais excedentes orçamentais, a Análise de Sustentabilidade da Dívida de 2026 do Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta para vulnerabilidades futuras. Impulsionado pelo envelhecimento da população, pelo aumento das despesas com a defesa e pelos cortes fiscais previstos, poderá surgir um desequilíbrio orçamental superior a 1% do PIB até 2031, caso não sejam implementadas medidas compensatórias a partir de 2027″, diz o relatório.
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