BCE volta a subir juros pela primeira vez desde 2023
Acabou o ciclo de normalização monetária. O Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta quinta-feira subir os juros diretores para a zona euro em 25 pontos base (pb) naquela que foi a primeira subida desde setembro de 2023 face a uma inflação que não dá sinais de abrandamento. A decisão era já largamente esperada pelo mercado.
As taxas de referência para a moeda única ficam assim entre 2,25% e 2,65% depois desta subida, o que mantém o indicador ainda distante das mais recentes leituras da inflação. O índice de preços no consumidor (IPC) disparou nos últimos meses, fruto do choque energético resultante da decisão norte-americana e israelita de bombardear o Irão, e saltou de uma subida homóloga de 2,6% em março para 3,2% em maio, o valor mais alto desde setembro de 2023.
Na mesma linha, a inflação subjacente, com 2,5% em maio, está 0,3 pp acima das projeções do BCE de março, enquanto o subindicador referente aos serviços também está em valores pouco confortáveis para a autoridade monetária, com 3,5%.
Perante este cenário, a ECBWatch, uma ferramenta de monitorização das taxas implícitas de mercado, apontava para uma probabilidade de 100% de uma subida de 25 pb esta quinta-feira. A juntar à avaliação de investidores e analistas, vários membros do Conselho de Governadores haviam manifestado, na anterior reunião de política monetária, apoio a um aumento dos juros, o que deixava antecipar esta possibilidade.
Ainda assim, o BCE volta a ver-se numa delicada equação entre o controlo da inflação, que corre atualmente significativamente acima do objetivo de médio prazo do banco, cifrado em 2%, e os efeitos na economia real, que mostra uma fragilidade considerável e um forte risco de estagflação.
A atenção dos investidores estará centrada na política monetária daqui para a frente, quando as perspetivas se tornam menos claras. O cenário base passa por duas subidas até final do ano, incluindo a desta quinta-feira, o que deixaria a taxa terminal deste ano entre 2,5% e 2,9%. Ainda assim, e mantendo-se as leituras da inflação no nível atual, a taxa de juro real permaneceria negativa, sublinhando a complexidade da situação no bloco da moeda única.
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