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Golfo Pérsico quer drones portugueses para se defender do Irão

Golfo Pérsico quer drones portugueses para se defender do Irão

Só nos primeiros 40 dias de guerra, o Irão lançou mais de 4.600 ataques de drones contra os países seus vizinhos. Até há relativamente pouco tempo, os seis países que integram o Conselho de Cooperação do Golfo (CGG) tinham como certo que a sua defesa estava assegurada pelos Estados Unidos, mas tudo mudou desde 28 de fevereiro, com o Irão a lançar ataques sem parar e com os países obrigados a defenderem-se sozinhos.
É neste cenário que cresce a procura por drones portugueses por parte dos países do Golfo Pérsico. É verdade que o interesse já existia antes, mas a guerra no Médio Oriente só veio acelerar o desejo pelas aeronaves não-tripuladas com selo português.
“Ainda antes desta guerra, estivemos no Dubai em novembro onde a presença de várias empresas portuguesas, tanto na área de drones como na área de sistemas de comunicação, como na área de software e de estruturas. Já olhavam para este mercado com especial apetite”, disse ao Jornal Económico o presidente do AED Cluster Portugal, que junta as empresas da indústria de defesa nacional, José Neves.
“Naturalmente, o cenário neste momento faz com que os países nessa zona do globo tenham uma urgência maior na aquisição de produtos”, afirmou, apontando que Portugal já tem “produtos desenvolvidos e testados em cenário operacional”, segundo o líder da AED, apontando que os drones reúnem maior interesse.
Uma das empresas que tem feito o seu caminho no Golfo Pérsico é a Beyond Vision que produz drones na sua fábrica em Alverca. A companhia está agora a desenvolver um sistema que vai permitir aos seus drones neutralizar drones Shahed, produzidos no Irão, mas usados também pelos russos. Já tinha registado várias vendas no Médio Oriente, no setor civil, mas o foco agora é “no setor da defesa, muito pelo que se está a passar com o Irão”.
“Os países do Médio Oriente não estavam programados para a necessidade de terem armamento ou proteção para os níveis de que realmente necessitavam. Este evento foi um ‘abre-olhos’. Estavam muito focados no turismo e outras áreas. Claramente mudaram o foco para a defesa. Os drones, pela exposição que estão a ter na Ucrânia, são um dos equipamentos mais procurados. Temos tido vários pedidos dos diferentes países do Médio Oriente”, disse o presidente da empresa Dário Pedro.
Também a portuguesa produtora de drones Tekever tem vendido para esta região, com a procura a vir de trás. “A realidade e os dados mostram que essa procura um bocadinho generalizada cresceu em quase todos os grandes blocos. Desde o continente americano, de norte a sul, ao asiático, ao Médio Oriente. Temos processos de venda em países do MédioOriente, como em muitos outros países”, disse ao JE Pedro Petiz, diretor de desenvolvimento estratégico da Tekever.
O mais recente unicórnio português (com valorização nos mil milhões de dólares) destaca que só trabalha com mercados “alinhados com a estratégia europeia e da NATO. Depois temos outro tipo de países que, não sendo da NATO, estão tipicamente alinhados”, com a empresa a notar “mais procura” nestes mercados, o que muitas vezes passa por “parcerias locais”.
Olhando especificamente para a Arábia Saudita, um empresário português no país dá o seu testemunho sobre a forma como os drones portugueses são vistos neste mercado.
“No World Defense Show, que aconteceu em Fevereiro, a AICEP fez um excelente trabalho porque juntou uma série de empresas num stand único e para além disso vimos stands de empresas portuguesas como a Tekever e Beyond Vision. Este World Defense Show teve um impacto enorme porque há um enorme interesse em tudo o que é defesa”, disse ao JE a partir de Riade Guy de Sousa, diretor-geral da Asasat, companhia de desenvolvimento imobiliário.
O empresário dá o exemplo do Public Invesment Fund (PIF), o megafundo público saudita que mudou a sua estratégia para apostar mais numa “série de indústrias e cadeias de valor em todos os sectores. Existe a necessidade de tirar a dependência da economia dos combustíveis fósseis. Creio que haverá interesses exploratórios da Arábia Saudita, através destas instituições, em variadíssimas empresas portuguesas”, afirma.
Gastos em defesa disparam
Só na Arábia Saudita, os gastos militares dispararam mais de 25% no primeiro trimestre do ano, superando 17 mil milhões de dólares (14,7 mil milhões de euros) Em 2025, foram gastos mais de 83 mil milhões de dólares (72 mil milhões de euros), o oitavo mais elevado investimento a nível global.
Já os Emirados Árabes Unidos deverão gastar este ano 27 mil milhões de dólares (23,4 mil milhões de euros), mais 4% face ao ano anterior, pesando 5% no PIB da monarquia. Portugal, por exemplo, gastou mais de 6 mil milhões de euros em 2025, 2% do PIB.

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