Agroalimentar vale milhares de milhões e sustenta mais de um milhão de empregos, diz Governo
O setor agroalimentar português representa um dos pilares centrais da economia nacional, com um impacto direto e indireto em mais de um milhão de postos de trabalho e um volume de exportações que ultrapassa vários milhares de milhões de euros. A ideia foi sublinhada esta quarta-feira pelo Secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, durante a Conferência para a Competitividade organizada pela Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares, no Centro Cultural de Belém.
Na sua intervenção, o governante destacou que a fileira agroalimentar movimenta cerca de vários milhares de milhões de euros e tem vindo a crescer de forma consistente, com taxas significativas de aumento nas exportações. Só recentemente, o setor atingiu um valor recorde superior a oito mil milhões de euros, com um crescimento expressivo face ao período anterior.
Para Pedro Machado, este desempenho confirma o papel estruturante da indústria agroalimentar, não apenas pelo peso económico, mas também pela sua capacidade de gerar emprego e coesão territorial. No total, são mais de um milhão de trabalhadores impactados, direta e indiretamente, entre a produção, transformação, distribuição e comércio.
A União Europeia continua a ser o principal destino das exportações, representando perto de dois quintos do total, com crescimentos relevantes, incluindo aumentos acima dos dez por cento em alguns mercados. Espanha mantém-se como parceiro dominante, mas o Governo quer reforçar a presença em geografias fora do espaço europeu, nomeadamente nos Estados Unidos e no Brasil, considerados estratégicos para o crescimento futuro.
No caso norte-americano, Pedro Machado revelou que existem atualmente mais de uma centena de ligações semanais, refletindo o aumento da procura e a crescente penetração dos produtos portugueses. Segundo o governante, existem cerca de 152 rotas semanais para os Estados Unidos e o mercado gerou aproximadamente 2,3 mil milhões de euros em 2025, com perspetivas de crescimento para valores de dois dígitos. As exportações para este mercado mostram uma tendência de crescimento consistente, com potencial para evoluir para ritmos de dois dígitos.
Globalmente, os mercados internacionais associados à fileira agroalimentar envolvem dezenas de milhões de consumidores e volumes de consumo que atingem dezenas de milhões de unidades, números que reforçam a escala e a relevância do setor no contexto global.
Apesar deste dinamismo, o governante reconheceu desafios estruturais. Portugal continua a produzir apenas uma fração do que consome em algumas áreas, como os cereais, onde a produção nacional representa cerca de um quinto das necessidades, evidenciando a dependência externa.
Neste contexto, a estratégia do Governo assenta em três eixos principais: consolidação do crescimento, alargamento a novos mercados e qualificação da oferta. A internacionalização surge como prioridade, acompanhada pelo reforço dos instrumentos financeiros e pela redução de custos de contexto para as empresas.
A competitividade, a sustentabilidade e a inovação foram também apontadas como áreas críticas, a par da defesa do consumidor, com o Executivo a preparar uma nova abordagem regulatória para o comércio, incluindo o digital, com maior fiscalização e transparência.
Pedro Machado sublinhou ainda a importância das cadeias curtas e do comércio de proximidade, bem como a necessidade de valorizar a produção nacional e reforçar a ligação entre indústria e território.
A intervenção terminou com uma mensagem de confiança no potencial do setor agroalimentar e no seu papel enquanto motor de crescimento económico, exportações e coesão social, numa economia cada vez mais orientada para o exterior.
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