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Fed mantém juros inalterados na estreia de Kevin Warsh na presidência

Fed mantém juros inalterados na estreia de Kevin Warsh na presidência

A Reserva Federal dos EUA optou por deixar os juros inalterados na reunião de junho, a primeira com Kevin Warsh na presidência do banco central, isto apesar do disparo recente na inflação que trouxe o indicador a máximos de 2023. Era uma decisão já largamente esperada pelo mercado, que agora olha para sinais quanto ao rumo futuro das taxas diretoras na maior economia do mundo.
A decisão de junho deixa os juros de referência entre 3,5% e 3,75% pela quarta reunião consecutiva, algo que os mercados estavam já a precificar com uma probabilidade de 99,6%. Isto acontece apesar da subida recente da inflação, muito à custa da componente energética, que impulsionou o índice de preços no consumidor (IPC) a uma leitura de 4,2% em maio, o valor mais alto desde abril de 2023.
Numa das novidades no mandato de Warsh que agora arranca, o comunicado do banco central fala numa decisão unânime, com todos os governadores a votarem a favor de manter as taxas de referência atuais.
“A atividade económica continua a crescer a um ritmo sólido apesar da elevada incerteza decorrente, em parte, do conflito no Médio Oriente”, lê-se na nota.
Além da decisão relativa aos juros, houve ainda lugar a uma atualização das projeções macroeconómicas, incluindo o famoso ‘dot-plot’ dos juros terminais este ano e no próximo. E o viés para o alívio dos juros parece ter caído: apesar de o atual intervalo de 3,5% a 3,75% continuar a reunir mais projeções, com oito governadores, outros nove veem a taxa terminal para 2026 mais alta do que a atual. Em sentido inverso, apenas um governador antevê uma descida.
Outro ponto de destaque é que este ‘dot-plot’ inclui as projeções de apenas 18 governadores, isto quando o Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) é composto por 19 membros votantes. A imprensa norte-americana especula que as projeções ausentes sejam precisamente de Kevin Warsh, que já se havia manifestado publicamente contra este indicador.
A taxa terminal para este ano fica assim em 3,8%, uma subida relevante em relação aos 3,4% antevistos no mais recente exercício de projeções, em março. Para 2027, os membros do FOMC apontam para uma mediana de 3,6%, ou seja, meio ponto percentual acima do esperado em março.
Do lado da atividade económica, a inflação foi alvo de uma forte revisão em alta, passando dos 2,7% previstos em março para 3,6%, mas a expectativa ainda é de um choque inflacionista de pouca duração, com o índice de gastos pessoais de consumo (PCE) a desacelerar para 2,3% no próximo ano.
Também a inflação subjacente foi atualizada em alta de 2,7% para 3,3%, antes de abrandar para 2,5%.
Já o crescimento para este ano foi revisto em baixa de 2,4% para 2,2%, embora a previsão para 2027 tenha sido mantida em 2,3%. Para 2028, a expectativa é de 2,2%, ou seja, 0,1 pontos percentuais (pp) acima do previsto em março.
Apesar do acordo preliminar entre os EUA e o Irão, os preços da energia continuam acima dos níveis pré-guerra, pressionando os preços. O IPC de maio mostra uma subida de 23,5% na energia, com a gasolina, um bem crítico para a perceção dos norte-americanos quanto à vitalidade da sua economia, a acelerar de 28,4% em abril para 40,5% em maio.
Mais, o indicador core está a subir há três meses seguidos e já toca os 2,9%, aproximando-se de valores registados em setembro do ano passado enquanto se afasta do objetivo de 2% do banco central.
[notícia atualizada às 19h20]

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